Vitória da Conquista tem 162 lotes vazios em assentamentos do Incra

VITÓRIA DA CONQUISTA, BA, BRASIL, 11-07-2013: Manifestantes vão às ruas de Vitória da Conquista (BA) nesta quinta-feira, 11, pedir melhorias no transporte público, investimento em saúde e educação e rapidez na reforma agrária. Depois de obrigar bancos e comércio a parar, sob ameaças de invasão, foram para a prefeitura local, mas PMs barraram a entrada. (Mário Bittencourt/Terra)

Manifestação por reforma agrária em Conquista


Enquanto movimentos sociais lutam pela reforma agrária, um relatório do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) divulgado nesta terça-feira (23) aponta que há na Bahia 436 lotes ligados ao órgão ociosos, sendo 162 em Vitória da Conquista.

Os lotes, em todo o estado, são de 70 assentamentos em 42 cidades. O Sudoeste é a região com maior número de lotes sem uso, localizados em 21 áreas de reforma agrária com problemas ocupacionais, apresentando 253 agricultores citados.

Só o município de Vitória da Conquista possui 14 assentamentos com beneficiários convocados. O restante está nos municípios de Barra do Choça, Encruzilhada, Cordeiros e Mirante.

Os donos desses lotes foram convocados pelo Incra na Bahia para justificar a ausência nos lotes e regularizar a situação. Eles devem apresentar a defesa junto ao Incra em Salvador – cada caso será analisado.

Quem não se manifestar será excluído do Programa Nacional de Reforma Agrária, perdendo o direito ao lote. Os convocados devem se dirigir a Divisão de Desenvolvimento do Incra, na Avenida Ulisses Guimarães, 640, Sussuarana, no Centro Administrativo da Bahia, em Salvador.

Mais informações pelo telefone (71) 3505-5362.

A ação tem como base a Instrução Normativa nº 71, que determina que as ausências do lote da reforma agrária, por mais de 90 dias, devem ser comunicadas ao Incra.

Além do endereço eletrônico www.incra.gov.br/ba, cartazes com os nomes dos convocados estão sendo distribuídos para prefeituras e sindicatos de trabalhadores rurais dos municípios onde estão situados os assentamentos com questões ocupacionais pendentes.

Os convocados são de 18 territórios de identidade espalhados pelo estado da Bahia.

Nos territórios de identidade do Baixo Sul, Litoral Sul e Extremo Sul há 11 assentamentos em que há beneficiários que necessitam regularizar a sua situação do lote.

Eles estão localizados, respectivamente, nos municípios de Wenceslau Guimarães, Igrapiúna, Ituberá, Arataca Camacan, Ibicaraí, Itacaré, Una, Mucuri e Prado.

No Velho Chico e Oeste do estado se encontram outras nove áreas de reforma agrária com questões ocupacionais pendentes em Angical, Barreiras, Riachão das Neves, Barra, Carinhanha, Serra do Ramalho e Sitio do Mato.

Os demais convocados estão em assentamentos na Bacia do Jacuípe, Chapada Diamantina, Irecê, Litoral Norte, Médio Sudoeste, Piemonte da Diamantina, Piemonte do Paraguaçu, Piemonte Norte do Itapicuru, Portal do Sertão, Semiárido Nordeste II, Sisal e Região Metropolitana.

A reforma agrária está parada no Brasil por conta de irregulares descobertas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) nos lotes do Incra. São 578.000 lotes ocupados de forma irregular no país, 27.815 deles na Bahia. As irregularidades são por diversos motivos, desde a ociosidade à ocupação de lotes por parte de defuntos.

Rui Costa é vaiado em entrega de obras atrasadas em Conquista

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Confusão durante cerimônia de entrega de obras (Foto: Reprodução/Facebook/João Melo)


O governador Rui Costa (PT) foi vaiado por professores, estudantes, servidores estaduais e moradores do bairro Conveima nesta segunda-feira (22) em Vitória da Conquista, durante a entrega de obras concluídas com atraso na cidade.

Com apitos, faixas, cartazes, tambores e dando gritos de ordem, cerca de 100 pessoas protestaram contra o governador, pedindo mais investimentos na educação (ensino superior e médio) e em infraestrutura.

A situação foi tão tensa que um dos manifestantes, o professor Reginaldo Pereira, da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia), acabou sendo dominado por seguranças do governador, que o levaram para fora da área reservada a convidados da cerimônia de entrega da UPA (Unidade de Pronto Atendimento), ao lado do HGVC (Hospital Geral de Vitória da Conquista).

O professor entrou em confronto com os seguranças e foi jogado ao chão. Após ser dominado, ele foi colocado para fora, arrastado por braços e pés. Em seguida, Pereira foi levado para dentro da própria UPA, inaugurando o atendimento na Unidade, que tem capacidade de 450 atendimentos por dia, segundo o governo da Bahia.

Orçada em R$ 6 milhões (verba do governo federal), a UPA havia sido anunciada em 2012 pelo petista Jaques Wagner (antecessor de Rui Costa) e era para ser entregue entre o final de 2013 e início de 2014.

“A UPA melhora muito o perfil de atendimento do hospital, liberando pacientes de baixa complexidade. Com isso nós vamos atender com mais dignidade o povo de Conquista e região”, disse Rui Costa.

O secretário estadual da Saúde, Fábio Vilas-Boas, informou que dos três mil atendimentos realizados por mês no HGVC, cerca de 80% são de baixa complexidade.

“O que significa que estes pacientes poderiam ser atendidos em Unidades Básicas de Saúde ou UPAs, deixando assim os casos mais graves para o hospital”, explicou.

Com aproximadamente 150 funcionários, a unidade dispõe de 24 leitos de observação, sendo quatro para atendimento de pacientes críticos, além de laboratório clínico e diversos equipamentos para auxiliar o diagnóstico, tais como, raio-x, oftalmoscópio, laringoscópio e eletrocardiografia por telemedicina.

Os pacientes, de acordo com o governo, serão “assistidos por uma equipe multiprofissional, formada por médicos nas especialidades de clínica, cirúrgica, ortopédica e pediátrica, além de enfermeiros, farmacêutico, nutricionistas, bioquímicos, assistentes sociais e técnicos de enfermagem”.

Ainda na cerimônia da UPA, o Governo do Estado assinou convênio da Bahiafarma (Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos) e o laboratório Cristália para produção de medicamentos num galpão cuja obra aguarda desde 2012 para ser entregue.

Os remédios a serem fabricados na cidade são para o tratamento de diferentes tipos de câncer, principalmente o de mama, e da anemia falciforme. Os medicamentos atenderão ao Sistema Único de Saúde em todo o país e poderão ainda ser exportados para países da América Latina.

O convênio prevê a construção de uma unidade industrial, em Vitória da Conquista, para a produção dos fármacos.

Sairão da fábrica, subsidiária da Bahiafarma, o tamoxifeno e a capecitabina, para tratamento de tumores, e a hidroxiureia, para doença falciforme. Estima-se que sejam criados 300 postos de trabalho diretos na unidade.

Não foi dado prazo para o laboratório estar funcionando.

Presídio

Outra obra concluída com atraso e “inaugurada” também nesta segunda em Conquista pelo governo da Bahia é do novo Conjunto Penal, iniciada em 2009, com prazo de término em um ano e finalizada somente no início de 2015.

A obra, atualmente, está envolvida numa polêmica com a Justiça do Trabalho.

O Governo da Bahia quer que a administração do presídio seja feita no sistema de cogestão com uma empresa privada, como vem ocorrendo em outras seis unidades do estado.

Em maio do ano passado, foi anunciado que a empresa Socializa Empreendimentos e Manutenção LTDA havia vencido a licitação para administrar a unidade, tendo, inclusive, assinado contrato com a Seap (Secretaria de Administração Penitenciária) de três anos, no valor de R$ 62 milhões.

Acontece, porém, que há cerca de 1.500 agentes penitenciários concursados esperando serem chamados para trabalhar, e se o governo colocar a empresa privada para administrar o presídio eles vão acabar ficando de fora.

A Justiça do Trabalho determinou então, que o contrato com a Socializa fosse cancelado, mas o governo da Bahia recorreu e conseguiu uma liminar.

Outra decisão judicial, mais recente, da 7ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, proíbe a inauguração do presídio com agentes penitenciários terceirizados.

Esta última decisão ainda não foi revogada, segundo informou nesta segunda-feira a advogada Maiara Santana, do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado da Bahia.

O novo conjunto penal tem capacidade para 533 homens e 258 mulheres e receberá presos do superlotado Presídio Advogado Nilton Gonçalves, que está com cerca de 400 presos, sendo que a capacidade é de 186.

 

Várias já foram as justificativas dadas pelo Governo da Bahia para a não abertura dos portões da unidade prisional, que no começo teve orçamento de R$ 16,4 milhões, passou para R$ 17,3 milhões e ao final a verba gasta foi de R$ 33,6 milhões, mais que o dobro do valor inicial.

As alterações de valores se deram pelo modelo escolhido pelo Estado para construção da unidade prisional.

Antes era no modelo convencional (de concreto e cuja obra leva mais tempo), depois passou para o modelo “Siscopen”, que usa blocos modulares, montados num prazo mais curto.

Reformado há um ano, o atual presídio ainda enfrenta problemas de infraestrutura e infestação de insetos, como baratas, ratos e escorpiões, comumente achados nas carceragens.

O Governo da Bahia não informou quando será iniciada a transferência de presos.

Obra polêmica

A construção do presídio, iniciada em junho de 2009, foi problemática, tendo parado com 1,4% do serviço feito – a obra inicial foi a terraplanagem.

O novo presídio seria feito, inicialmente, com verba do governo Federal, via Ministério da Justiça, mas por um erro na licitação para contratação da empresa que construiria a unidade prisional, o contrato acabou rescindido.

O erro na licitação foi que o governo da Bahia utilizou uma lei estadual para escolher a empresa que faria a obra com recursos federais. Neste caso, o correto seria utilizar a Lei de Licitações (8.666/93).

O resultado foi que nenhum centavo da verba federal (de R$ 17.326.604) foi gasto.

Ainda de acordo com o governo, o novo presídio de Vitória da Conquista foi feito com recurso do Tesouro do Estado da Bahia, num pacote de obras em unidades prisionais em todo o estado.

O governo da Bahia informa ter investido, no total, R$ 170 milhões em obras de unidades prisionais no Estado.

Bahia fecha primeiro semestre com a geração de 3 mil empregos

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Investimento no setor eólico é de cerca de R$ 200 milhões (Foto: Divulgação)


A Bahia fechou o primeiro semestre com 35 empreendimentos implantados e quatro ampliados, um investimento de R$ 2,3 bilhões e a geração de 3.022 novas vagas de empregos.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, Jorge Hereda, o fortalecimento da economia baiana é essencial para a manutenção das indústrias instaladas e a atração de novos investimentos.

“Reduzir o índice de desemprego é a nossa grande meta. Estamos executando um conjunto de ações articuladas para garantir a atração de mais empresas, que resultam em emprego e renda para os baianos”, afirma.

A Tecsis (Tecnologia e Sistemas Avançados), o Juá Garden Shopping e a Lipari são os responsáveis pelo aumento no número de empregos.

A fábrica de produção de pás eólicas, que está com 20% das suas operações iniciadas no Polo Industrial de Camaçari, emprega até o momento 637 funcionários, mas a previsão é fechar o ano com 1.500 vagas ocupadas.

Com investimentos da ordem de R$ 220 milhões, a planta tem capacidade para produzir 2,5 mil pás por ano, em 12 linhas de produção.

De acordo com a Tecsis, com a capacidade máxima instalada, a fábrica pode empregar até seis mil pessoas. A meta é chegar a até o final de 2018 com três mil colaboradores.

O Juá Garden Shopping inaugurado no mês de março, em Juazeiro, no Vale do São Francisco, foi responsável pela geração de mil empregos e investiu R$ 150 milhões, mas a previsão é gerar cerca de três mil empregos, entre diretos e indiretos, quando estiver em pleno funcionamento.

A Lipari Mineração, implantada no município de Nordestina, emprega 260 funcionários e foi responsável pelo investimento de R$ 200 milhões.

O segmento Eletricidade e Gás foi o responsável pela maior parte dos investimentos implantados, um total de R$ 1,8 bilhão com 21 usinas eólicas implantadas no semi-árido baiano e mais 491.900 kW adicionados à rede elétrica.

“A Bahia tem hoje um total de 68 usinas em operação e mais de 1,71 GW em potência instalada, ocupando a segunda posição na produção de energia eólica”, destaca Hereda.

As expectativas para o Estado continuam bem positivas, no início do mês, a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) cadastrou 1.260 empreendimentos de geração de energia eólica e solar fotovoltaica para o 2º Leilão de Energia de Reserva 2016, sendo 841 projetos eólicos e 419 fotovoltaicos, somando 35.147 MW de potência instalada.

A Bahia foi líder na oferta de projetos, cadastrando 240 projetos eólicos, com um total de 6.380 MW e 101 com a energia do sol que totalizam 3.155 MW de potência instalada.

Novos empreendimentos

Além dos investimentos implantados, alguns grupos baianos e grandes redes anunciaram novos investimentos e ampliações no Estado.

No segmento de Comércio e Serviços, o centro de distribuição da rede de farmácias Pague Menos, no município de Simões Filho, tem previsão de entrar em operação ainda neste mês de agosto.

Os investimentos somam R$ 6 milhões, com geração de mais de 100 empregos diretos.

O complexo vai absorver a demanda das 86 lojas da rede cearense no estado. A previsão é inaugurar outras 14 unidades até o final deste ano.

Outro CD que será inaugurado até o final do ano é o da cervejaria Petrópolis em Camaçari, com investimento de R$ 28 milhões e geração de 100 empregos.

As atrações de investimentos não param. No segmento de Automotivo e componentes, a Bridgestone, uma das maiores fabricantes de pneus do mundo, investirá R$ 262 milhões na ampliação da sua planta industrial Bahia, sendo R$ 252 milhões no incremento da produção e R$ 10 milhões na construção de um centro de distribuição.

Atualmente a fábrica trabalha em três turnos e espera chegar, com a ampliação, a produzir 8,1 mil pneus/dia.

Já no segmento de Papel e Celulose, a Suzano anunciou ampliação de sua fábrica em Mucuri, no extremo-sul da Bahia, com investimentos de R$ 700 milhões e geração de 1.150 empregos diretos nas obras civis, e 50 novos postos de trabalho que se somarão aos 2,4 mil já existentes naquela unidade fabril.

Além da modernização e do aumento da produção de celulose, está prevista a construção de uma unidade de fabricação de bobinas para conversão de papel higiênico, um novo segmento de atuação da empresa.

As obras começam ainda este ano e o início das operações está previsto para o final de 2017.

Três meses depois, foi a vez da Veracel — uma das gigantes do setor de celulose, controlada pela brasileira Fibria Celulose e pela sueco-finlandesa Stora Enso –, anunciar o investimento de R$ 700 milhões em sua fábrica de Eunápolis, até o próximo ano.

O objetivo é aumentar a sua produção em 30%, passando das atuais 900 milhões de toneladas/ano para 1,135 milhão de toneladas/ano.

No processo de modernização, serão gerados 200 novos empregos entre diretos e terceirizados, que vão se somar aos cerca de 3 mil já existentes na unidade industrial, entre diretos e terceirizados.

Conquista ganha espaço de assistência social para mulheres e idosos

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Pró-Vida visa reinserção de pessoas à sociedade (Fotos: Divulgação)


Parte da comunidade conquistense esteve reunida na tarde deste sábado (20) para cerimônia de inauguração do Pró-Vida (Centro de Promoção à Vida – Casa Lar e Comunidade Terapêutica).

A entidade, localizada no bairro Lagoa das Flores, em Vitória da Conquista, tem capacidade para atender 40 pessoas: mulheres com dependência química e idosos.

Resultado de uma parceria com a Adra (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistências), organização não-governamental de ajuda humanitária presente em 130 países, o Pró-Vida contará com equipe formada por médico, enfermeiro, psicólogo, dentista, fisioterapeuta, cuidadores de idosos, entre outros profissionais.

O representante da Adra Brasil, Tiago Cabral, informou que o trabalho do Pró-Vida visa à reinserção de pessoas na sociedade.

Sobre a existência da iniciativa em Vitória da Conquista, Cabral ele destacou que “a Adra não veio trazer o projeto para este município, mas veio organizar institucionalmente o sonho de muitos moradores desta cidade”.

O coordenador da instituição, Miguel dos Anjos Cabral, que por cinco anos esteve à frente da Casa do Andarilho, explicou que o centro veio para preencher uma lacuna no município: o apoio às mulheres dependentes químicas.

“Sabemos que este público precisa de ajuda e com apoio essas pessoas terão suas vidas transformadas, sendo está transformação refletida em suas famílias e na sociedade”, declarou.

Sobre o início das atividades, Miguel explicou que os últimos ajustes estão sendo feitos para abertura ao público.

A comunidade presente destacou a relevância do projeto.

Para a pedagoga Cleire Ribeiro, o centro é um espaço para estender as mãos e ajudar física e espiritualmente as pessoas. E o pastor Gildevan Souza completou: “esse espaço reflete a compaixão pelo próximo, que é um dos nossos papéis na comunidade”.

Interessados em conhecer o Centro de Promoção à Vida – Casa Lar e Comunidade Terapêutica, que fica localizado no Sítio Primavera, Rua da Flora, nº 50, bairro Lagoa das Flores, e pessoas que desejam ser sócios-contribuintes podem entrar em contato pelos telefones são (77) 3426 2403 e (77) 98802 0124.

Suíça Bahiana e FIB trazem novidades de peso para Conquista

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A Torture Squad se apresenta nesta segunda em Conquista (Reprodução/Facebook)


Por Raquel Dantas

Agosto está quase acabando, mas algumas novidades tem deixado muita gente de cabelo em pé à respeito de  grupos que devem passar pela cidade durante o mês por meio de grandes eventos locais.

A primeira surpresa é o show da Torture Squad, banda paulista, que se apresentará nesta segunda-feira ( 22) no Teatro Municipal Carlos Jehovah.

Pela primeira vez o grupo visita a cidade com apresentação que faz parte da turnê “Return of Evil Tour”, passando por diversas cidades do Brasil.

A banda traz em sua bagagem influências do death/thrash metal, cujo maior destaque é a presença do vocal feminino de Mayara Puertas.

Além da Torture, o grupo Suffocation of Soul (Thrash Metal) abrirá o evento, último show da banda antes de embarcar para fora em sua primeira turnê pela Europa.

A produção é do Coletivo Suíça Bahiana, a mesma responsável por trazer grandes grupos de peso pela primeira vez em solos conquistenses, nacionais e internacionais como Matanza (RJ), Krisiun (RS), War Cry (EUA) e Revamp, da Holanda.

Festival de Inverno Bahia 

Outra grande surpresa bastante aguardada pelo público na cidade vem do palco Eletro Rock, durante a próxima edição do Festival de Inverno Bahia, nos dias 26, 27 e 28 de agosto.

Pela primeira vez, as bandas baianas Natural Hate (Caetité) e Oldskull (Guanambi) vão estar presentes ao lado de nomes consagrados do cenário alternativo (pop/rock/hardcore ) local como Dona Iracema, Shau e os Anéis de Saturno e The Cadillacs, dentre outras.

A inclusão de sonoridades como Death Metal e o Thrash Metal na grade do festival é um grande avanço, já que esses estilos costumam ficar de fora de suas edições e outros grandes eventos locais.

Sem falar que o número de grupos que vem surgindo no cenário independente é bastante assombroso e poucos são valorizados ou devidamente reconhecidos.

Histórias de uma baiana na Arábia

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A advogada em momento de lazer (Fotos: Reprodução/Facebook)


A preocupação com ataques terroristas é uma constante na vida da escritora e advogada baiana Nádia Ferreira Schwab, 40.

Nascida em Poções, no sudoeste do estado, ela mora na cidade de Ras Tanura, num grande condomínio fechado na área do Golfo Pérsico, na Arábia Saudita, para onde se mudou há seis anos com o marido americano Robert e os dois filhos, Thomas (12) e Matthew (10).

Ponto vermelho indica localização de Raz Tanura. (Reprodução/Google Maps)

Ponto vermelho indica localização de Ras Tanura. (Reprodução/Google Maps)

Nesta entrevista ao Suíça Baiana, Nádia relata que atentados já ocorreram “a trinta minutos de casa”, e que “ataques pelo país se tornaram constantes nos últimos meses”.

“Procuramos seguir as orientações da embaixada americana e do próprio sistema de segurança do condomínio para nos manter em alerta e avisados em caso de qualquer tipo de ameaça”, ela contou.

No condomínio a que se refere, construído em parceria com os governos dos Estados Unidos e da Arábia Saudita, moram cerca de 3.000 pessoas, a maioria americanos e britânicos

A Arábia é alvo de terroristas por dois motivos: ser o maior explorador de petróleo do mundo e ter parceria com os Estados Unidos, o que irrita ainda mais os grupos extremistas.

Mas o medo de ataques não impede Nádia de aproveitar a beleza de outros países do Oriente Médio. Ela está sempre viajando com os filhos e o marido, quando este tem folgas.

Formada em Direito pela Universidade Santa Úrsula, Nádia conta que já se adaptou à vida na Arábia, mesmo com todas as restrições que as mulheres têm de seguir naquele país.

Recentemente, ela lançou o livro “O Melhor dos Meus Dias – Uma História Além do Véu”, pela Novo Caminho. O livro reúne histórias de vida da autora no Oriente Médio e curiosidades sobre a cultura local.

Na noite desta sexta-feira (19), ela fez o lançamento do livro num espaço privado no Bronx, bairro de Nova York que tem atraído muitos turistas europeus nos últimos anos. O livro, por enquanto, será traduzido apenas para o inglês.

Conte um pouco da sua história, sua criação aqui na Bahia, os motivos que a levaram a sair do estado e depois do Brasil e o que pensa sobre viver num país de hábitos primitivos.

Nasci em Poções, tive uma infância muito tranquila brincando na praça da cidade, meus pais sempre muito cuidadosos comigo, vivendo a típica vida em cidade pequena.

Depois de me mudar na adolescência para Vitória da Conquista e trabalhar por um período em um escritório de advocacia, me apaixonei pela área e fui em direção ao Rio de Janeiro prestar vestibular pela primeira vez, o resultado positivo fez com que eu saísse da Bahia para viver os próximos anos na cidade maravilhosa.

Já recém formada, recebi o convite de amigas que moravam em Nova Iorque na época para que eu pudesse me mudar pra os Estados Unidos, trabalhar e reunir dinheiro suficiente para voltar ao Brasil e abrir o meu escritório. Acabei ficando de vez quando encontrei aquele que seria meu futuro marido, Robert.

Vivi por 10 anos na Big Apple, tive dois filhos e, na busca por uma oportunidade e trabalho no Brasil, descobrimos a oferta árabe que fez com que passemos a morar do outro lado do mundo.

Uma vida cheia de contrastes, é verdade, alguns bem mais difíceis que outros e com hábitos consideravelmente restritivos mas que acabei aprendendo a respeitar com o tempo.

Durante este tempo, você vem procurando aprender o idioma árabe?

Na verdade, em quase todos os ambientes que frequento o inglês é falado e faz com que não tenhamos a necessidade de aprender o idioma árabe. Mas é claro que algumas palavras começam a fazer parte do nosso cotidiano, como: Hijab (lenço obrigatório a todas as mulheres), abaya (roupa preta que cobre todo o corpo, também obrigatória) e Shamal (espécie de tempestade de areia, bem comum durante o inverno árabe.

Suas amizades na Arábia se restringem ao condomínio onde mora, ou tem amizades com árabes também?

As minhas amizades mais próximas são brasileiras que também moram no condomínio, fica mais fácil nos relacionarmos umas com as outras, claro, já que compartilhamos do mesma cultura e tentamos nos ajudar sempre que possível.

A minha relação com as mulheres árabes também é sempre muito cordial, elas são geralmente muito receptivas, simpáticas e eu fico maravilhada ao perceber que, por trás de uma aparência e culturas tão diferentes, o jeito acolhedor é sem dúvida, uma das características que percebo nas sauditas.

Como é a sua relação com os árabes?

A relação costuma ser bastante cordial e, quase sempre, ligado a algum tipo de serviço.

Falo com sauditas que atendem em lojas, restaurantes e em casos específicos, já que, no caso dos homens, é proibido que os mesmos dirijam a palavra a nós mulheres, sem que estejamos acompanhadas pelos maridos.

 

Além de não poder dirigir, qual outra restrição às mulheres te incomoda mais na Arábia?

Acredito que sejam as restrições com relação as roupas. Não é nada fácil ter que me cobrir toda para enfrentar um calor de 50ºC, a vontade de estar com “roupas normais” é enorme mas, novamente, tento prezar pelo respeito e obediência às regras do país, afinal, a “visita” sou eu, rs.

Já pensou em exercer a advocacia na Arábia? Isso é possível ou nem no condomínio onde mora não tem como fazer isto? Quais são as dificuldades para uma mulher trabalhar na Arábia?

As mulheres na Arábia desenvolvem algumas funções sim em lojas de roupas e salões de beleza, por exemplo. Eu não consegui exercer a advocacia aqui por causa das restrições e até mesmo pelos costumes completamente diferentes. O mercado saudita começa a se abrir para as mulheres, mas esse espaço é ainda muito limitado.

Quais são os locais onde mais gosta de ir na Arábia?

Não temos muitas opções de lazer perto de nós, a ida semanal ao shopping da cidade mais próxima é a oportunidade que tenho de sair do condomínio de maneira mais regular.

Dentro do condomínio, o Yatch Club e a praia são lugares que vou também para caminhar e fazer as minhas reflexões, o mar é lindíssimo e até lembra um pouco o Brasil. Procuro aproveitar alguns períodos de férias dos meus filhos para viajar a passeio e explorar culturas diferentes.

Quais são os hábitos dos árabes que mais te causam estranheza?

Quase tudo que me gera mais estranheza está ligado a maneira como os homens se comportam perto de mulheres, além de não poder nos tocar (nem mesmo aperto de mão em alguns casos), alguns evitam inclusive não andar na nossa direção e desviam o olhar.

Para mim, que sou bastante extrovertida, foi necessário medir a distância na hora dos cumprimentos para evitar qualquer tipo de problema.

Pensa em ir embora da Arábia?

Gosto de pensar que o nosso futuro reserva coisas maravilhosas, sejam aqui na Arábia ou em qualquer lugar do mundo.

Enfrentamos desafios mas também temos vantagens morando no país saudita e os contrastes fazem com que a volta para o ocidente seja uma opção sempre presente, queremos aguardar o melhor momento e as melhores condições para essa volta acontecer. Mas com certeza, é algo que queremos sim.

Os atentados terroristas te preocupam muito? Como faz para conviver com esse constante medo?

Preocupam muito.

Moramos perto da segunda maior refinaria de petróleo do mundo, alvo do interesse de muitos grupos terroristas, além da amizade da Arábia Saudita com os Estados Unidos, que de uma certa maneira irritam alguns grupos extremistas que atuam no continente, já tivemos atentados a trinta minutos de casa e notícias de outros ataques pelo país se tornaram constantes nos últimos meses.

Procuramos seguir as orientações da embaixada americana e do próprio sistema de segurança do condomínio para nos manter em alerta e avisados em caso de qualquer tipo de ameaça, é claro que isso não diminui a tensão e, por isso, a fé que temos nos ajuda a manter a calma em momentos de risco.

Por que resolveu escrever um livro?

Como uma maneira de compartilhar todas as novas experiências que eu comecei a viver na Arábia, abri um blog, o www.nadiaschwab.com, e passei a fazer postagens também no Instagram,(nadiaschwab1) não apenas colocando fotos mas contando relatos quase que diários da minha rotina, ao ver o interesse das pessoas eu comecei a entender que faria sentido organizar esses relatos e muitos outros de toda a minha vida em um livro.

Há quanto tempo o livro vem sendo escrito? Pretende traduzir o livro para o idioma árabe?

Há pouco mais de 1 ano comecei a escrever os primeiros esboços.

Ainda não recebi propostas de tradução para árabe e não conheço bem o mercado literário de lá, então será bem difícil de acontecer. Por enquanto, apenas a tradução para o inglês será realizada.


O Melhor dos Meus Dias – Uma História Além do Véu

Novo Caminho

R$ 29,90

Onde encontrar: Livrarias Nobel em Vitória da Conquista

Portal Saraiva – www.saraiva.com.br

Editora Novo Caminho – www.livrarianocaminho.com.br

Cotas para quem tem direito às cotas

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Manifesto em favor das cotas (FuturaPress/Reprodução) 


Por Flávio Passos

O primeiro semestre de 2016 foi marcado pelo debate em torno das fraudes nas cotas para negros no Brasil. Instituída, a partir de 2002, em mais de 200 universidades públicas, a política de cotas visa corrigir uma desigualdade historicamente acumulada entre negros e não negros.

O uso oportunista da autodeclaração tem demonstrado tanto a complexidade do racismo brasileiro, quanto a necessidade de as universidades aprimorarem os programas de promoção da equidade.

Entre 2002 e 2004, a UnB (Universidade de Brasília) instituía uma banca de verificação dos traços fenotípicos dos candidatos às vagas dos 20% destinados para negros, a UNEB (Universidade do Estado da Bahia) 40% das vagas para negros de escola pública, e a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) 50% para escola pública e destes 75% para negros.

A implementação do princípio da autoatribuição, ao mesmo tempo, que representava uma conquista social, também, foi se transformando em uma via de oportunismo daqueles que nunca se enquadraram na compreensão social do que seja ser negro (ou negra) na sociedade brasileira.

A banca de verificação da UNB, acusada de “tribunal racial” pela grande mídia e opositores das cotas, não foi adotada por outras universidades brasileiras.

O percentual da UNEB, de 40% para negros, nunca mais seria alcançado por outra instituição. E foi no Rio de Janeiro, da UERJ e da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que os casos de fraudes foram denunciados com mais força, já desde a década passada.

Na Bahia, os quilombolas têm pressionado as universidades para que criem mecanismos de coibição e punição das fraudes nas vagas destinadas ao segmento. E em diversas regiões do país, surgem ações de setores do movimento negro exigindo o combate às fraudes na autodeclaração para negros.

Emblemática a posição de estudantes de Medicina da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia) ao denunciar à reitoria mais de doze casos de fraudes nas vagas quilombolas e para negros.

Por mais de dez anos, o Brasil ficou indiferente frente a um nada silencioso número de não negros ocupando, através da autodeclaração, vagas universitárias reservadas para negros, mesmo quando os fraudadores assinam termos nos quais afirmam possuir traços fenotípicos que os identifiquem enquanto negros.

O que mudou? Para além de alguns casos pontuais de denúncias desse tipo de fraude, tal estratagema só veio a ser questionado a partir das cotas nos concursos públicos federais que passaram a prever a averiguação, aprovada esta semana pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, depois de longos estudos.

Vale ressaltar que esta regulamentação em nada tem a ver com este governo ilegítimo. É uma conquista construída há anos pelo movimento negro, na intenção de amadurecer uma política pública de ação afirmativa. Vale lembrar que, no Brasil, o racismo é de cor e não de origem.

E, se a discriminação racial aqui é baseada na cor da pele, as medidas de reversão das desigualdades geradas por essa discriminação histórica precisam garantir a inclusão dos socialmente considerados negros.

Nas nossas relações cotidianas, pessoais ou institucionais, todos sabemos quem são os negros, mesmo quando “quase brancos”, como diz Caetano. E, porque na universidade, na exata hora da matrícula, um “nunca negro” se identifica enquanto negro?

Por que a sociedade brasileira não se escandaliza com a realidade de uma vaga destinada para negros, no curso de Medicina ou de Direito, ou numa vaga no INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), por exemplo, ser ocupada por um não negro? O mesmo silêncio frente às milhares de mortes de jovens negros nas madrugadas frias de nosso país. O abuso da autodeclaração seria a contrapartida da concessão das cotas? A fraude é a cota imposta pela casa grande dentro da cota conquistada pela senzala? Por que será que os artigos contrários às cotas, coincidentemente, diminuíram sua incidência, a partir de 2009, quando até então, a média era de mais de cinco artigos semanais, nos blogs e nos grandes jornais, contra as ações afirmativas no ensino superior?

Teria a classe média percebido que ao invés de termos conquistado cotas, o que temos em mãos eram apenas frágeis reservas de vagas, expropriáveis pelo mecanismo da manutenção da nota de corte, fazendo este com que boa parte dessas vagas não sejam ocupadas pelos efetivamente negros?

E que, principalmente, nos visados cursos de alto prestígio social, além da nota de corte, a autodeclaração favorece que a maioria absoluta dos matriculados, mesmo em tempos de cotas, continue sendo de não negros e de não pobres?

Um aluno negro do ensino médio, numa aula de Sociologia, confidenciou a mim e à turma que uma amiga médica, branca, disse a ele, com todas as letras: “eu nunca precisei de cota pra me formar, mas se fosse hoje entraria pela cota para negro, sim”.

Esse racismo nada cordial que nos acusa de “vitimismo”, tem mostrado um pensamento recorrente no país: a de que o lugar do negro não são os espaços de poder.

Esta semana, na sexta reunião do Grupo de Trabalho sobre cotas quilombolas – instituído pela Pró-Reitoria de Graduação da UESB, em diálogo com representantes das organizações quilombolas do Território Sudoeste –, discutindo sobre os mecanismos de aprimoramento do programa de ação afirmativa daquela instituição, ao abordarmos os impactos da nova lei de regulamentação da autodeclaração nos concursos públicos federais, nos deparamos com uma realidade totalmente esdrúxula, e que expressa bem o grau de complexidade do nosso racismo.

A UESB, última universidade pública da Bahia a adotar as cotas, em 2008, sobre forte pressão do movimento negro e do governo federal, aprovou reserva de vagas para estudantes de escola pública (50%), e dessa, 70% para autodeclarados negros.

Até aí, a novidade estava que havíamos conquistado que a universidade estadual de uma região baiana na qual, à época, 67,7% da população se autodeclarava negra (preta ou parda), segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), não se contentasse em apenas oferecer cota social, como a mesma defendia ferrenhamente, desde 2005.

No entanto, como age o racismo institucional? Deixando, a instituição,  de fazer o que precisa ser feito.

Não existe, no vestibular da UESB, como passamos esses anos todos acreditando existir, nenhuma alusão, no termo da autodeclaração assinado pelo candidato, no ato da matrícula, de que ele (a) possua traços fenotípicos que atestem a autodeclaração como negro, sob pena de cancelamento da vaga caso se prove o contrário.

O que isso representa?

Conseguiu-se ir além da falaciosa alegação de uma pretensa e oportunista ascendência africana, à qual muitos aprenderam a recorrer nesses tempos de cotas. Mas, é muito pior do que um inédito “se auto afirmar negro na hora da matrícula”.

Na UESB, literalmente, a vaga para negros (pretos e pardos) é destinada para quem meramente “se autodeclarar negro”. E pronto. Não há declaração de fenotípica. Não precisa possuir traços. “Basta dizer que é negro”. E, assim, as fraudes nas vagas para negros, indígenas e quilombolas são a mais atualizada expressão do racismo. Em um único movimento, oportunismo, corrupção e racismo.

Sigamos em frente, nós, negros, contentando-nos com as migalhas das concessões da casa grande? O que podemos e devemos fazer neste momento? Qual o papel do movimento negro na luta em defesa da efetivação e efetividade das políticas de igualdade racial e das ações afirmativas? Por que os responsáveis pela implementação das cotas na UESB ainda se autorizam a acreditar que “esse negócio de negro é algo muito subjetivo”, ou que “não se pode definir quem é negro no Brasil”, ou ainda, que “se colocarmos o nome da comunidade quilombola ao lado do nome do candidato, na lista de aprovados, vai gerar forte estranhamento em sala de aula”?

Seria a necessidade de serem publicadas as listas dos aprovados, discriminando cada uma das cotas e reservas de vagas, uma forma da própria universidade se autoconstranger?

Por que insistir em favorecer, através de brechas para a ocorrência das fraudes na própria política de ação afirmativa, o não cumprimento de uma prerrogativa prevista no direito internacional de o Estado assegurar igualdade de oportunidades, considerando o princípio da equidade?

Não seria a ausência de monitoramento constante desses programas e de denúncias das fraudes, por parte da sociedade civil organizada, um dos fatores a proporcionar munição para o racismo se reinventar e criar suas estratégias nefastas de aniquilamento de nossas conquistas, quando não de sua própria supressão?

O que seria o projeto Escola Sem Partido se não, dentre outros, um ataque frontal à Lei 10.639/03, a qual prevê a educação das relações étnico-raciais, através do ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira, em todos os sistemas de ensino?

Acredito que esse debate seja urgente, principalmente na rede pública de ensino, nas comunidades da periferia, no movimento negro, nos programas de governo, nas universidades, nas aldeias e nos quilombos. Nossos jovens da rede estadual, em tempos de 10.639, tem o direito de conhecer e defender todas as leis que lhes dizem respeito.

Nos diálogos estabelecidos com a UESB, dentre as mais de 30 pautas apresentadas pelas organizações quilombolas, antes da definição de um mecanismo de verificação da autodeclaração, tanto das vagas para negros, quanto para as vagas adicionais para quilombolas e indígenas, teremos de garantir que haja essa declaração no ato da inscrição e da matrícula. Nas demais universidades públicas da Bahia e do Brasil, combater todas as fraudes faz-se urgente.

Ou nos mobilizamos em defesa do acesso aos nossos direitos e no controle social das políticas públicas que visam diminuir o fosso entre negros e não negros, ou nos empurrarão de volta pra senzala, hoje reinventada em vários espaços sociais.


Flávio Passos, 44, é militante negro, pesquisador, doutorando no Pós-Afro da UFBA, professor da Rede Estadual de Ensino no Colégio Carlos Santana, em Belo Campo (BA), coordenador do Pré-Vestibular Quilombola e integrante do Conselho Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, em Vitória da Conquista (Este artigo foi publicado originalmente no site da Revista Gambiarra)

Escola precária é alvo de ocupação em Conquista

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Estudantes durante reunião na escola (Fotos: Reprodução/Facebook)


Uma escola estadual cuja estrutura física se encontra em estado de precariedade está sendo alvo de ocupação por parte de 50 estudantes dos cursos técnicos em Segurança do Trabalho e em Enfermagem, em Vitória da Conquista.

A ocupação no Colégio Estadual Adélia Teixeira completa uma semana nesta terça-feira (16) e não tem previsão de acabar, segundo os estudantes, os quais dizem que a Direc (Diretoria Regional de Educação) não tem honrado com os compromissos firmados com eles.

No local, os estudantes armaram barracas de acampamento e espalharam colchões para dormir. Professores da escola também apoiam o movimento. A escola tem cerca de 1.200 alunos, que estão sem aula por conta da ocupação.

“Estamos usando a estrutura da escola que ainda resta para nos manter aqui. Comemos, dormimos, fazemos reuniões, tudo aqui”, disse a estudante do 3º de Enfermagem, Anna Beatriz Fernandes Wandega, 18.

A reivindicação dos alunos é relativa a falta de laboratórios para o desenvolvimento de atividades práticas e de perceptores — profissionais responsáveis pela realização dos estágios dos estudantes.

“A escola nunca teve os laboratórios. Tem salas que poderiam estar sendo usadas para este fim, mas acabam servindo como depósito de materiais”, reclamou Anna Beatriz, que diz ter feito o estágio apenas no segundo ano do curso, sendo que ele é obrigatório também no terceiro e quarto ano.

Os alunos denunciam ainda a estrutura precária da escola, que se encontra com pisos e paredes rachadas, expondo os estudantes, professore e funcionários a um risco de acidente. Na área externa da escola, o matagal grassa sem controle.

Segundo os alunos, a Direc adquiriu recentemente uma bomba de água para ajudar no abastecimento da escola, devido aos constantes problemas com o fornecimento de água por parte da Embasa (estatal da Bahia responsável pelo fornecimento e saneamento).

“Eles ficaram de instalar a bomba, mas até hoje. Ela é importante porque leva a água para cima no tanque quando o fornecimento da Embasa está fraco, sem ela ficamos praticamente sem água”, destacou Anna Beatriz.

Procurada pelo Suíça Baiana, a Direc informou que já providenciou esta semana mais três preceptores para que os alunos façam o estágio.

“Houve a falta deles porque os que estavam eram contratos temporários, tipo de serviço que o Estado não está permitindo mais que faça. Para conseguir esses três, tivemos que estender a carga horária de professores contratados. Agora, são sete preceptores ao todo”, declarou o diretor da Direc em Vitória da Conquista, Ricardo Costa.

Sobre os laboratórios, Costa declarou que eles irão funcionar um anexo no Colégio Modelo Luis Eduardo Magalhães:

“O de Enfermagem já está prestes a ser feita a montagem dos equipamentos. E o de Segurança do Trabalho iremos realizar uma licitação na modalidade carta-convite para compra dos materiais, acredito que em 50 dias já estamos com os equipamentos para que eles possam funcionar.”

Ao comentar sobre a falta de estrutura da escola, Costa disse que a Unidade possui quase R$ 686.000 para ser investido no Plano de Ação da escola. “O que falta é por em ação o Plano de Ação”, afirmou.

O blog não conseguiu contato com a direção da escola.

Abate de jumentos ameaça evento tradicional na Bahia

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Participação dos jegues vem diminuindo no evento a cada ano (Arquivo Pessoal)


Realizada há 21 anos em Miguel Calmon, a 380 km de Salvador, no centro norte da Bahia, a Jegada, evento em que os participantes desfilam em jumentos, está ameaçada de extinção.

A festa é uma das mais tradicionais do Nordeste, onde eventos que têm o jumento como principal protagonista é comum de se ver em cidades do interior.

A Jegada é feita junto com uma cavalgada, animada por forrozeiros e com distribuição de cerveja para quem compra uma camisa. Ela começa na entrada na cidade, por volta do meio dia, junto com os participantes da cavalgada. A abertura é feita com bandas locais que tocam arrocha e forró.

A concentração começa por volta das 9h em bares locais. Primeiro, sai a cavalgada em direção ao Parque do Cavalo de Miguel Calmon e uma hora depois a Jegada, pelas ruas, parando no Centro por volta das 16h e depois indo para o Parque do Cavalo, onde é encerrada.

No Nordeste, o maior evento do tipo é a “Jecana Oficial do Brasil”, realizada há 45 anos em Petrolina (PE) e que este ano deu R$ 30.000 em premiações em competições diversas – corridas, desfiles, “jegue fashion” etc. O evento é uma gincana com jegues – que é o mesmo jumento.

Na Bahia, a ameaça ao fim da Jegada se dá por conta do abate de jumentos, iniciado pelo Governo do Estado em um frigorífico de Miguel Calmon, onde 300 animais já foram mortos. A previsão é abater 2.000 até outubro.

Os abates, segundo o governo, são para diminuir a quantidade de jumentos abandonados pela falta de utilidade e que circulam pelas rodovias, causando acidentes.

A intensão é exportar o couro do animal para a China e a carne é doada para o zoológico de Salvador. O resíduo restante é transformado em ração animal em uma graxaria – fábrica de produtos não comestíveis.

O Ministério Público, porém, contesta os abates por não considerar a “solução adequada e ética sob o viés normativo internacional e constitucional” e, por enquanto, a atividade está paralisada.

Organizador da Jegada, o comerciante André Souza Santos, 43, rebate os argumentos usados pelo Estado para justificar o abate e diz que “é raridade os acidentes com jumentos nas estradas”.

Ele diz ainda que o animal é muito útil para os trabalhadores rurais na região de Miguel Calmon, onde se estima ter 5.000 jegues.

“Eles estão usando tudo para justificar e matar os bichinhos. Os acidentes acontecem mais com o gado [bovinos] do que com jumentos”, André afirmou. “Tenho visto ocorrer muitos acidentes com cavalos e bois”, disse, informando que participa da Jegada desde criança.

“O jumento para nós é o animal sagrado do Nordeste. Aí vem um cara da China dizer que tem de matar, lamentável. Infelizmente, no nosso país quem tem dinheiro pode tudo, quem não tem fica calado sendo julgado”, desabafou.

A frente da Jegada há 10 anos, André relata que vem sentindo já uma diminuição de animais a cada evento (realizado todo mês de maio), mesmo sem o abate ter ainda começado.

“Este ano distribuímos 1.000 camisas, mas só conseguimos por uns 600 animais na rua. Já tivemos cerca de 1.300 jumentos na rua”, informou, sem saber explicar ao certo o que teria causado a redução da presença dos animais.

O abate – diz André – não preocupa muito pela realização da Jegada, mas sim “pela extinção da raça”. “Já pensou se matar mesmo esses 2.000 até o final do ano?”

Dono de três jumentos, o mecânico Adailton Souza Silva, 45, idealizador da Jegada, diz que está preocupado com o abate.

Ele também descarta a ideia de que o animal não é mais valorizado e que está sendo abandonado. “Esses dias mesmo, me ofereceram R$ 1.000 no animal e eu não vendi”, disse ele.

“E tem muito jegue bom aí que vale entre R$ 1.200 e R$ 2.000”.

O abate na Bahia é feito com base na Portaria Estadual 225, de 29 de junho de 2016, e o procedimento é praticamente igual ao realizado com bovinos.

A estimativa do governo da Bahia é obter cerca de 200 toneladas de produtos, os quais recebem a rotulagem específica com dizeres “produto não destinado à alimentação humana” e “rígido controle na armazenagem e distribuição”.

Em Miguel Calmon, o abate ocorre no Frigocezar, que vê na atividade uma oportunidade de negócio e nega qualquer tipo de ameaça à Jegada, pelo contrário. O frigorífico afirma que o abate incentivará a criação de animais para venda.

“Trata-se de uma nova possibilidade de mercado para a Bahia, com a qual o estado irá atrair capital estrangeiro para o investimento em melhoramento genético desses animais”, diz o Frigocezar em nota.

O frigorífico espera retomar com os abates assim que o Ministério Público Estadual concluir a análise dos documentos solicitados e liberar a atividade. Os abates pararam no dia 18 de julho.

Churrasco de jumento

Preocupado em transformar o jumento em uma potencialidade econômica, um promotor do Rio Grande do Norte vem incentivando os nordestinos a fazer churrasco com a carne do animal e a consumir o leite de jumenta e derivados.

Titular do Ministério Público Estadual em Martins, a “Campos do Jordão do Rio Grande do Norte”, Silvio Brito diz que tem se debruçado sobre o assunto nos últimos anos e chegou a promover até churrasco com carne de jumento para autoridades locais e a imprensa em Apodi, sertão potiguar.

A solução, diz Brito, surgiu como forma de valorizar o animal que nas últimas décadas vem perdendo cada vez mais utilidade no campo como meio de transporte ou montaria, sendo substituídos por máquinas e abandonados, com risco de acidentes nas estradas.

A ideia vem causando polêmica, sobretudo com ambientalistas e defensores dos direitos dos animais, alguns dos quais chegaram a ameaçar o promotor e a família dele até de morte por meio das redes sociais.

“Cheguei a representar criminalmente contra um homem do Paraná, que, por meio da ouvidoria do Ministério Público, me fez ofensas xenófabas, e processei por injúria três advogados – dois de Mossoró, sendo um deles da comissão de Meio Ambiente da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil – e outro de Fortaleza. Poderia ter processado uns 100, mas só peguei os ‘cabeças’. Tinham muitos perfis falsos também”.

Brito diz não ter se intimidado: “eu acredito firmemente na potencialidade econômica do jumento. Aliás, causa-me enorme frustração o fato de as demais pessoas não verem isso. Todos os estudos e nossa experiência apontam que o jumento é um animal de qualidades extraordinárias”.

Churrasco feito com carne de jegue em Apodi, RN, na quinta-feira, 13 de março de 2014.

Churrasco feito com carne de jegue em Apodi. (Reprodução/Veja)

Estudos

No Rio Grande do Norte, um grupo de empresários que prefere o anonimato devido à polêmica que o assunto gera passou a realizar estudos de viabilidade econômica com a criação de jumentos.

Eles foram impulsionados a fazer o estudo após a visita de um grupo de chineses que disseram ter interesse na importação inicial de 10.000 cabeças de jumento por ano, com previsão de em poucos anos chegar a um milhão de animais ao ano para consumo da carne, leite, aproveitamento do couro e para uso na indústria de cosméticos. A expectativa de lucro com um milhão de jumentos seria de R$ 3 bilhões.

O problema é o custo benefício para quem vende, pois os chineses, de acordo com os empresários, chegaram oferecendo, inicialmente, até R$ 900 por cada jumento. No atual contexto, seria até lucro para quem vendesse, pois o trabalho seria apenas capturar os animais abandonados.

Mas, como a demanda dos chineses é grande, a atividade se tornaria predatória e o jumento entraria logo em extinção, já que se estaria vendendo muito, sem a criação em larga escala para se ter mais animais, o que envolve mais custos. E os chineses já deixaram claro que não pretendem investir na criação do jumento, apenas na compra.

A lógica proposta é a mesma da que foi realizada entre as décadas de 1970 e 1980 no Nordeste, quando os jumentos começaram a ser abandonados e despertaram nos japoneses o mesmo interesse que os chineses têm hoje.

A venda ocorria por meio de um frigorífico de Pernambuco, que vendia por R$ 30 a cabeça do jumento.

“Durante alguns anos, centenas de caminhões saíram do Ceará Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba com direção a Pernambuco para ser exportado para o Japão. Em uma década, a população de jumentos foi reduzida em 80%”, afirma o promotor Silvio Brito, com base em estudos históricos que fez.

Serventia

Mesmo não tendo a mesma finalidade de antigamente, o jumento – defende o promotor – pode continuar servindo ao homem do campo, em especial ao sertanejo.

“O jumento pode fornecer até 100 kg de uma carne de primeiríssima qualidade, uma peça de couro de alto valor (avaliada em mais de R$ 120,00 cada peça) e ainda um leite que pode salvar a vida de milhões de pessoas, em especial crianças e idosos, que sofrem com intolerância à lactose ou deficiência nutricional”, completou Brito.

Para ele, “é uma pena que alguns ambientalistas, a pretexto de proteger o jumento, acabem se tornando seu maior inimigo, na medida em que se recusam a enxergar sua potencialidade e atuam para sabotar todas as demais iniciativas nesse sentido, o que tem mantido o jumento numa condição degradante, de ‘indigente do mundo animal’, relegado ao abandono e à extinção”.

Diretora da ONG Bicho Feliz, que atua no Nordeste, a defensora da causa animal Gislaine Brandão, é contra o uso de jumentos para consumo da carne, couro ou leite:

“É um animal que vem sofrendo há décadas, eles devem é ser aposentados, livres, sem trabalho. O Estado brasileiro deveria cuidar melhor desses animais, não dando para os chineses”.

Alternativa promissora

No Brasil, há duas raças de jumento, o “nordestino” e o “pêga”, que também está no Nordeste, mas possui mais presença nos estados de Minas Gerais e São Paulo.

Em 2013, a FAO (braço da Nações Unidas para a agricultura e alimentação) contabilizou cerca de 915 mil jumentos no Brasil e aproximadamente 43,5 milhões de cabeças no mundo, com maior concentração na África (19,3 milhões), Ásia (16,8 milhões), América (6,7 milhões) e Europa (534 mil).

Segundo a FAO, “a criação de jumentos encontra-se em extinção”. Em função disto, na Europa já vem sendo desenvolvidas políticas com foco na proteção e incentivo à criação.

No Brasil, são poucos os estudos relacionados ao aproveitamento econômico da carne, leite e couro do jumento, como relata um artigo científico de 2015 de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do mesmo estado.

Publicado na Revista do Instituto de Laticínios Cândido Tostes, o artigo é assinado por Adriano Henrique do Nascimento Rangel, José Geraldo Bezerra Galvão Júnior, Aurino Alves Simplício, Rayssa Maria Bezerril Freire e Luciano Patto Novaes.

O estudo, que tem o título “Aspectos composicionais e nutricionais do leite de jumenta: uma revisão”, afirma que “a criação racional de jumentos, com foco na produção e consumo de leite, é uma alternativa promissora, associado às características biológicas do leite dessa espécie”.

Sugere ainda que “a implementação de programas de incentivo à criação e preservação de jumentos é fundamental, em particular, na zona Semiárida do Nordeste Brasileiro, sendo uma opção de fonte de desenvolvimento econômico para a região”.

Os pesquisadores afirmam que “o leite de jumenta apresenta relevante similaridade ao leite humano e seu consumo tem aumentado, associado a resultados de estudos que confirmam o seu uso como um alimento seguro e válido para maioria dos casos de intolerância alimentar múltipla”.

O leite de jumenta apresenta menor teor de gordura e, teores de lactose e pH semelhantes, se comparados ao leite humano, destacam os pesquisadores.

“Possui maior percentual de ácidos graxos poli-insaturados em relação ao leite de ruminantes [vacas]”.

Procurado para comentar sobre incentivos a criação racional de jumentos, com vistas ao consumo de carne, leite e derivados, a assessoria de comunicação do Ministério da Agricultura informou na sexta-feira passada que não teve retorno da área técnica do órgão.

Jegues recolhidos na beira das estradas em Apodi (Reprodução/Veja)

Jegues recolhidos na beira das estradas em Apodi (Reprodução/Veja)

Sem representação

A criação de jumentos nunca foi algo que no Nordeste incentivasse a formação de uma associação e por isso não há quem represente os jumentos nordestinos.

Com relação ao jumento da raça pêga, no entanto, há uma associação que vem trabalhando com a melhoria da raça desde 1947.

No nordeste há hoje 6.262 jumentos e jumentas registrados como pêga, afirma a Associação Brasileira de Criadores de Jumento Pêga, sediada em Belo Horizonte.

Os animais da raça pêga são destinados a reprodução de muares (burros e mulas) e evolução da espécie. São animais com características distintas, de acordo com o padrão da raça.

Os asininos da raça pêga também podem e são utilizados para o trabalho no campo (serviço, tração), porém, além disso, são destinados a sela, lazer, enduro e outras finalidades.

A associação diz que nunca fez um estudo sobre o consumo humano da carne de jumentos, porque “o custo de criação é muito alto para destinar ao consumo humano da sua carne, pele e leite”, declarou a entidade, em nota.

“Com relação à carne, existe resistência de nossa população em consumir carne de equídeos devida nossa tradição. Outrossim, o preço oferecido pela carne de jumentos, mesmo para exportação, é muito baixo comparando com os custos da criação de jumentos pega”.

A associação informa ainda que com relação ao leite, os criadores de jumento pêga buscam melhoramento genético e por isso as crias devem ser bem cuidadas e alimentadas.

“Assim, devido a pouca quantidade de leite produzido pela jumenta, o mesmo é destinado apenas às crias. Contudo, os animais que não tem mais utilidade e representam um problema social poderiam ter essa destinação”.

‘Ensaio sobre um sebo’ atrai leitura e arte em Vitória da Conquista

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O projeto também é uma forma de instigar a realização de projetos semelhantes (Foto: José Abisolon)


Por Raquel Dantas

O projeto é novo, mas já tem despertado o interesse de quem passa por alguns espaços da cidade. Trata-se basicamente de um sebo a céu aberto para quem quiser doar, trocar, comprar livros ou lê-los por ali mesmo, além de compartilhar experiências, em espaços públicos.

A ideia surgiu ainda tímida, divulgada por meio da própria página no Facebook e que agora vem crescendo com o apoio de interessados e curiosos que transitam pelos locais.

Durante a atividade, uma pequena caixa também é disponibilizada para quem deseja compartilhar mensagens  de autoria própria ou de autores favoritos.

Segundo o grupo, a ideia partiu da necessidade de um ação que despertasse, além da leitura, um olhar mais aberto para as experiências que espaços, como a própria rua, podem proporcionar.

Nesse sentido, o projeto também é uma forma de instigar a realização de projetos semelhantes que possam visar a participação do público de forma mais livre.

Vale lembrar que, apesar da leitura ser considerada um hábito pouco frequente entre os brasileiros, várias iniciativas como estas vem acontecendo na cidade e tendem a provar o contrário.

Recentemente o blog “Uma Dose Para O Meu Dia” criou a Maratona Literária 5 Estrelas – uma espécie de brincadeira, com direito a sorteio de prêmios semanalmente para quem cumprir os desafios propostos – o que também não deixou de surtir efeitos bastante positivos.

Para quem deseja conhecer o sebo e trocar experiências, as atividades acontecem em dois locais e em horários distintos, na praça 9 de Novembro (segundas e quartas) a partir das 14 horas e sábado a partir das 9 horas, além da Uesb (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia) durante às sextas (à tarde).

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