Categoria: Relacionamento

O regador assassino

Texto: Murilo Melo | Ilustração: Eduardo Bastos

Estou há mais de uma hora sentado num banco alto de uma festa no Lalá “que talvez mais tarde você apareça”. Sinto o sapato apertar o ossinho do calcanhar, mas eu me digo o tempo inteiro: aguenta mais um pouco. Garçons me olham triste e me perguntam se eu preciso de mais um copo. Ignoro o globo de luz e a música da moda. Pessoas acompanhadas sorriem com suposta piedade, disfarçam e comentam com as outras: a companhia dele não chega. Gente bêbada fala comigo e eu concordo com um sorriso automático, procurando sentido onde não vejo, como se eu fosse um equipamento mal-estruturado tentando sobreviver ao mundo dos robôs. De dez em dez minutos troco o lado da perna cruzada. De dez em dez minutos mexo na bolsa. De dez em dez minutos reviro o celular procurando o que nem eu sei o que é. De dez em dez minutos vou ao banheiro. Não é xixi. É ansiedade.

Decido voltar pra casa. Qualquer tortura no mundo é melhor do que bocejar. Estou cansado, estou com as pálpebras tremendo, estou com dor no flanco, estou com a lombar e os ombros tensos, entediados por esperas. As duzentas esperas dos seus duzentos corredores sem fim. Meus olhos lacrimejam tanto que algum desatento pode confundir com brilho, mas as olheiras adiantam o que meia dúzia de palavras inventaria. Você suga toda água do meu corpo e me deixa seco como um ET.

Pago a cerveja, ajeito o cabelo e penso: talvez mais tarde você apareça. Eu posso pedir outra cerveja, eu posso ir ao banheiro de novo, eu posso fazer amizade instantânea, eu posso ir lá fora, eu posso ficar aqui brincando de me enganar mais uma vez, eu posso bancar o palhacinho e me divertir com todos esses bêbados que se afogam em mais uma dose de tequila porque cansaram de entender a vida. Mas prefiro ir embora. Olhar pra porta sem piscar os olhos e confundir todos os homens com você é como buscar um pouquinho de calor, pelado, numa cidade do sul com temperatura abaixo de zero.

Mais vinte. Não. Só mais cinco minutos, melhor assim? Nem pensar. O táxi está parado do outro lado da pista, eu me aviso. Você aparece na porta com aquele seu cabelo seboso de banda de rock londrina. Não fico nem um pouco feliz. Não tenho mais vontade de te ver. Não quero passar o resto da noite tentando ser o homem que nem você quer. E então você sorri com sua cara séria e nunca sei se você tá gostando de tudo ou se tá apenas sendo simpático. E então começo a produzir sêmens dentro do meu cérebro. E me lembro de tudo que a gente foi. E invento. E fecundo em buracos de tudo que é você. E me jogo em seus braços quentinhos de quem ama no minuto certo. E te conto que estou desnutrido, ossudo, de tanto me alimentar de pensamentos vazios. Eu estou sem células, sem fígado, sem saliva, sem alma.

Você segura a minha mão e me roda. Olhe fundo nos meus olhos e dance, você diz. Não pense, não queira, não reclame, não espere, não tente entender, você diz. Respondo que não sei dançar. Você revira os olhos e me encaixa nos seus braços. E me joga pra trás, pro alto, pro seu peito. E estica as minhas pernas. Acho estranho que duas pessoas que se conhecem há tão pouco tempo consigam ter uma sintonia tão perfeita. A festa inteira para pra ver a gente rodopiar. Me escondo em seu peito, minúsculo, como um filhote que precisa de abrigo. Eu gosto que você é um começo daquela plantinha com raiz seca que desperta em mim o regador assassino de doze milhões de gotas d’água por segundo. E eu te afogo. E você não entende. E você prefere morrer do que ter que aguentar a enxurrada de gotinhas desproporcionais.

Tenho a impressão de que seus cílios são do tamanho exato dos fios do pelo da minha mão esquerda. Que seus braços largos e compridos têm o tamanho exato de uma volta na minha cintura. Que seu dedão do pé é do tamanho exato do meu ouvido. Tenho a impressão de que se eu passar um pouco mal depois de tanto dançar com você nessa festa, você pode me colocar numa posição lateral e fazer respiração boca a boca, e então eu continuo incrivelmente bem. Mas se eu não sobreviver, por favor, continue essa vida por mim.

Tenho a impressão de que eu consigo te amar a cada detalhe bobo e insignificante. Consigo gostar de você apenas com o meu sangue que circula quente ainda que seja a mil metros de contato com a energia do seu corpo. Eu vejo sua mão grande e fria segurar meu ombro com cuidado e eu penso que isso é amor. Eu ouço você murmurar qualquer coisa como “não faz desse jeito pra não parecer que você quer” e eu penso que isso é amor. Mas eu sei que são apenas sêmens fecundando nesses buracos que você deixa. Quanta coisa bonita a gente nega pra obedecer regras estúpidas e colocar freios na intensidade.

Quero perguntar, agora que me confundo na dança, por que você prefere o mundo seco. Quero entender, agora que você me ajeita na dança, por que a gente precisa voltar pra casa, mais uma vez, sem entender nada. Você me solta um pouco dos seus braços, posiciona os óculos e diz: “Você coloca o bolo no forno e fica olhando impaciente querendo que o fermento atropele as etapas e se desenvolva da sua forma. O bolo fica inchado, inconsistente, sem vida”.

Lembro de você, no comecinho, me dizendo que queria respirar, que não conseguia respirar, mas que você precisava respirar. E eu tentei, juro que tentei, de todas as formas, deixar uma passagem de ar entre a terra e a raiz pra te manter vivo. Mas quem consegue não asfixiar quando a saída é nadar em cem metros rasos de possibilidades?

De repente abro os olhos e sinto o golpe que é você me deixar no meio da festa pra viver todo o resto. Os pés que te trazem tão devagar são os mesmos que te levam tão depressa. E então minha cabeça acode os atropelos do peito. E eu fico, outra vez, sem som, sem cor, sem sentidos humanos. Te ver sumindo no meio da multidão é lembrar a cada segundo o peso absurdo que é balancear todas as razões de fora com as emoções de dentro.​

 

Sexo é o que a gente tem pra hoje

Texto: Murilo Melo | Ilustração: Eduardo Bastos

Só eu sei como é difícil desatar os cadarços desses sapatinhos brancos. E me questionar pela milésima vez em frente ao enorme espelho se tudo bem tirar essas meias com listrinhas coloridas, se tudo bem deixar à mostra esses dedinhos compridos, se tudo bem deixar exposto esses pés ressecados, se tudo bem essa mania esquisita de tentar consertar a coluna, estalar os dedos das mãos mil vezes, contrair os joelhos. Tudo bem aceitar a agonia dos meus ossos e da minha alma? Tudo bem querer chegar a algum lugar sem querer andar? Eu tenho medo de não conseguir pisar com firmeza nos lugares onde nunca andei e muito menos nos lugares onde já andei de tudo quanto foi jeito. Enfim, sapatinhos brancos tirados.

Eles saltam dos pés com dificuldades, fazem barulho quando caem, esperam calados ao lado da cama, ficam de bruços. Me avisam que já não estou mais protegido dos cacos, alfinetes e poeiras. Me avisam que existe chão e que até chão dói. Agora é a vez da camisa. Faz muito frio. Eu quero te pedir: por favor, calma. Desabotoa devagar. Desabotoa sem deixar o nó na garganta me sufocar. Eu sei, eu já tirei essa camisa tantas vezes. Não sou nenhum rapaz inexperiente. Mas você me deixa mole desse jeito, tonto, como se tudo fosse a primeira vez. Faz as pernas tremerem, o frio chegar, exatamente como um rapazinho inexperiente se sente.

Eu tenho medo de acabar fechando os botões da camisa depois que você abrir. Tenho medo de sair correndo e me trancar no banheiro e vomitar no vaso e chorar sentado na tampa da privada cinza com as pernas prendendo a porta, repetindo a cena que eu fiz com todos os outros caras antes de você. Tenho medo do que ainda não aconteceu. Medo do barulhinho do relógio que o tempo inteiro me avisa no escuro que já vai acontecer. Tenho medo da tristeza descontrolada. Tenho medo da alegria sem freios. E de você cantar ao pé do meu ouvido a bossa nova mais bonitinha do João Gilberto e eu me sentir tão bem e tão seguro e tão apaixonado a ponto de perder os freios e começar a tremer, a gaguejar, a me esconder entre seus braços quentinhos e compridos e ser obrigado a te mostrar o quanto não pertenço a esse planeta.

E tenho muito medo de você perceber o meu jeito alienígena e se encantar pela minha parte alienígena e ficar admirando minha parte alienígena e de nunca mais eu fechar os botões da minha camisa e não conseguir voltar a calçar meus sapatinhos brancos. Eu tenho muito medo de me esquentar no seu peito e pegar no sono e nunca mais fugir do frio e nunca mais acordar. Mas ainda eu sinto frio. Então, se eu tremer, não fala nada, continua me olhando como se fôssemos companheiros desse disco voador que trouxe a gente pra esse mundo feinho de pessoas que não tremem, que não sentem, que não se apegam, que não enlouquecem.

E seus olhos me mostram que agora é a vez da calça. Olha, desabotoa lentamente. Abra o zíper devagar. Não faz piada com isso. Porque eu tô desde o começo tão nervoso. A dor da virgindade da alma é maior do que qualquer dor que se possa ter na adolescência.

E me explica, antes de você tirar a roupa, por que você tem tantos pôsteres de filmes italianos antigos colados na parede do quarto e por que a sua geladeira não tem luz e por que você tem uma pilha de VHS de 1998 no canto da sala e por que você não olha seu celular de cinco em cinco minutos como todo mundo faz. Me conta? E você diz que é tão chato ficar falando coisas e coisas e mais coisas e perder olhares e cheiros e abraços. E isso já me diz mais do que eu precisava ouvir. Tirar a roupa é tão fácil. Mas ficar pelado é mais difícil. Então, não faz piada com isso. Eu vesti todas essas peles com muito cuidado. Ficar pelado, pra esse sexo que a gente começou a ter há poucos meses, não é tão simples. Quanto mais eu tiro uma pele pra alguém, mais pelado eu fico. E eu cansei de ficar pelado pra quem não interessa, pra quem não merece.

E só porque você subiu por escada os dois mil andares complicados do meu prédio e não me achou louco quando eu abri a porta, eu resolvi ficar pelado. Então cuida dessas feridas que estão expostas. Me ajuda a cicatrizar o que parece não ter remendo. Estimula meu sangue que já não circula. Controla as minhas células que não entendem por que precisam rejuvenescer. E acalma o meu peito querendo expulsar meu coração que bate tão forte, causando essa taquicardia que não me deixa dizer nada do que não sou.

E você me olha cansado. Da vida, dos amores imensos, dos começos que não continuam. Me olha do mesmo jeito que eu olho pra você. E eu sinto vontade de te dizer que eu sei que você também tem medo do que vai acontecer depois que fechar o zíper da calça. Que eu sei que você também treme, soluça, mas disfarça porque precisa sempre ser forte pra ter que aguentar. Porque deve ser muito intimidador e corajoso e revelador e assustador um homem desse seu tamanho mostrar que treme. E te dizer que por trás de todo esse tesão da alma entre nós dois, em que o corpo implora pelo corpo do outro sem fazer isso com as palavras, o que transborda é carência, falta, abandono, desgosto. E mesmo que a gente não fale, só agora, olhando a gente por esse ângulo transparente, eu entendo nosso sexo. Não há mais peça nenhuma pra tirar. É a noite mais fria do ano. E eu e você estamos pelados. E seu corpo também treme. E a gente se aquece tremendo. E isso se transforma na coisa mais profunda que alguém pode sentir.

O que mais me deixa confiante em seus braços, a ponto de não sentir vergonha de estar pelado, a ponto de não me importar em mais uma vez estar pelado, é que eu sei que, caso você suma no dia seguinte, como todo mundo sempre faz, valeu todo o meu esforço de ficar do jeito que eu vim ao mundo.

Oprimido

Texto: Murilo Melo | Ilustração: Hope Gangloff

Foi na varanda apertada do seu apartamento. Acho super louco que palavras tenham significados diferentes apenas por causa de um fonema. Pensei nas palavras “mote”, “note”, “bote”. Ia falar sobre como, sem querer, fazemos rimas em textos. Mas você iria respirar forte, revirar os olhos, fazer um barulho com a língua e os dentes e recostar na poltrona: “mania de escritor iniciante”. À tarde, você vai à reunião do trabalho. Tudo acaba por volta das sete, mas você só volta pra casa oito da noite. Das oito e meia às nove? Preparo um copo de leite com duas colheres de Nescau e coloco ao lado do seu computador. Tudo pra aliviar a sua raiva do dia e não fazer seu mau-humor rotineiro me ofender. Uma vez que tudo te irrita, tudo te parece insuportável, tolo e minúsculo, qualquer frase que eu expulse da boca soa como um prédio sem estrutura que desaba previsivelmente, e seus ouvidos arrogantes disfarçados de razão entendem absurdos,  como tijolos que caem pra machucar e causar algum estrago, tentemos diferente. Eu sou completamente apaixonado pela linha reta e funda das suas costas e se vejo em você tanta profundidade sempre penso em colocar ali um pouco do meu peso. Suas pintinhas espalhadas pelos ombros, digo, as sardas mal desenhadas e sem texto, podemos usá-las. Apesar do seu músculo semi-espinhoso contrair pro outro lado como parágrafos, apesar das frases soltas que ousam em ficar gravadas na minha cabeça como poesia, apesar das pintinhas que formam letras e do edredom que cobre a sua pele como pontuação, eu gosto da beleza simples dos seus fragmentos.

Foi no Café Terrasse. Aquele lugar cheio de gente meio igual e completamente diferente. O povo do cinema, do teatro, das artes plásticas. Eu cumprimentei Nina pelo espetáculo no Vila Velha. Você me disse que não aguenta mais ter que aturar os meus amigos de esquerda que acham que fazer peça com nudez é fazer arte. Eu pensei em explicar, baixinho, o motivo da nudez no texto. Mas você sorriu ironicamente com sua maldade disfarçada de educação e bebeu, sem vontade, mais um gole do cappuccino: “não deixa de ser um roteiro de merda”. Eu não preciso dizer nada pra você discorrer que estou errado. Não à toa seu sarcasmo me calando, não à toa seus olhares me diminuindo. Suas referências teóricas pra me barrar ainda que seja numa conversa banal. Suas mãos gesticulando além da conta. Eu sou completamente apaixonado pelas suas mãos grandes e largas. Gente do céu, teve uma vez, numa rua escura do Rio Vermelho, que eu tava tão assustado, tão assustado, e você segurou a minha mão com tanta força, com tanta força, que eu voltei pra casa me sentindo a pessoa mais segura do mundo. Eu passei as minhas mãos no meu corpo inteiro imaginando as suas, apertando o travesseiro imaginando as suas, me contraindo na cama imaginando as suas mãos me devorando por completo. Eu cato as suas digitais no meu corpo pra te manter vivo. Eu sempre morro pra te manter vivo. É impressionante.

Foi no seu quarto escuro. Você não vê importância em me levar pra jantar, luz baixa, roupinha bonitinha, pessoas, namorar um pouquinho, conversar. Eu tento entender, mas você sempre usa tudo contra mim. Não à toa, “namorar um pouquinho”, pra você, significa um discurso de pessoas imaturamente apaixonadas, intensas e sem emprego. Eu pensei em te perguntar o que significa “alvissareiro”, mas você iria respirar forte, revirar os olhos, fazer um barulho com a língua e os dentes e levantar furioso da cama pra tomar uma ducha: “te falta leitura boa e não essas besteiras que você lê na imprensa”. Eu amo a sua voz. Gente do céu, teve uma vez, dentro do seu carro, que você me ajudou a mudar umas coisas num texto: “melhor deixar assim pra não parecer que você forçou”, e eu fiquei sem ar por meia hora. Eu amo suas camisas penduradas na cadeira, seus livros arrumados por ordem alfabética, sua geladeira sem luz.

Nem sei direito onde foi. Mas lembro que fechei o Word bem entediado e, do nada, pensei em você nu. Fiquei mais de meia hora com a sua imagem me perturbando. Você parecia estar de terno preto, smoking, gravatinha borboleta, casaco de lã, mas completamente nu. Gosto de como a gente transa em intervalos curtos e você, cansado, cochila a nuca, peito e os braços suados por cima de mim, ainda nu. O seu topete meio duro por causa do suor seco. Seus lábios vermelhos. As duas marcas que deixo só porque encostei de leve no seu pescoço. Nunca quis você por sexo. Nunca foi isso. Você é comum, desinteressado. Também não são seus gostos, suas viagens, sua vida acadêmica, seu portfólio. Nem suas camisas lindas. Nem sua capacidade de falar sobre tudo. Nem é você. Já foram uns quinze que não eram nada, assim como você. Eles abafavam a minha angústia, raiva, banalidade, medo de morrer. Não é nem questão de passar esses dias tristes admirando a linha reta e funda das suas costas pra passar o tempo. Ou de me sentir seguro com a sua mão firme. Ou de enlouquecer com a sua voz incrível. Ou da gente transar e eu poder tocar a linha reta e funda das suas costas e sentir suas mãos grandes e largas pelo meu corpo e ouvir, baixinho, a sua voz no pé do ouvido. Não é isso.

Foi na varanda apertada do seu apartamento. Não havia sol, mas não fazia frio. Você estava com o seu pijama de listrinhas finas que tem uma gola azul meio desbotada. Você estava fumando na janela com a boca enorme, sem medo, espalhando fumaça pelos outros quinhentos apartamentos. A boca enorme que eu não vou esquecer nem daqui a cem anos, porque ela sempre me dizia coisas terríveis. A boca enorme que sempre fazia me sentir impróprio, inadequado, burro. E ali, pela primeira vez, eu queria mandar você morrer mil vezes. Mas, por sempre me sentir oprimido, a única reação que consegui foi arrumar a bolsa. E ali, pela primeira vez, eu fiquei pensando nas suas costas, nas suas mãos grandes e largas, na sua voz. Fiquei pensando o quanto que aquilo tudo era pequeno pra continuar. E cheguei à conclusão, guiado por cenas soltas na cabeça, que toda a minha raiva pela sua existência só fazia você existir. Fui embora enjoado, enojado, nervoso, morto, tremendo, feio, estranho, passando pelo meio dos carros com a mente em tumulto, ainda meio corcunda. Do alto do seu prédio estava você, pela primeira vez, olhando pra baixo – contrariando sua coluna sempre reta e peitos estufados -, pela primeira vez me enxergando maiúsculo. Eu me senti, pela primeira vez, vivo, inteiro, dono da minha vida.

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