“LEMBRAM DELE?”: Major que dançou ‘Lepo Lepo’ na frente do governador hoje dá aula a futuros PMs

Jean Mendes
Atualizado em 10/01/2017 às 10:00
Foto: reprodução/Facebook

Este é um perfil diferente. A história de um policial militar que muitos podem considerar louco…

“Marginal que não reage na minha área é preso e algemado, mas se reagir receberá o cajado pesado da bala da lei”. Este é o bordão do policial militar Eneas Dibelo Estrela.

Famoso não só pelas firmes palavras, o major Estrela – que ocupa a terceira patente mais importante na corporação -, ficou conhecido em toda a Bahia por dançar a música “Lepo Lepo” durante a apresentação do plano para o Carnaval de 2014 na presença de Jaques Wagner (PT), então governador do Estado.

Cerca de três anos depois do episódio, o oficial abriu o jogo para a reportagem do Aratu Online e contou como leva sua vida de maneira irreverente. Além de agente do Estado, o major Estrela também é professor. Ele ensina futuros policiais militares com método que considera importante para os alunos “brocarem a prova” de admissão para o ofício. E o major tem propriedade para isso: passou em todos os concursos que fez na vida, inclusive da Justiça Federal, quando tinha apenas 18 anos.

Antes do ingresso na carreira federal, o jovem já tinha garantido vaga na Universidade Federal da Bahia (Ufba) em um dos vestibulares mais concorridos da instituição: direito. Para ajudar na renda, nos primeiros semestres de aulas resolveu vender caldo de cana na rua. Estrela conta que o trabalho era cansativo por conta da máquina funcionar de forma manual.

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A vida só mudaria mesmo com a aprovação no concurso da Justiça, no qual alcançou o terceiro lugar (de um total de quatro vagas disponíveis). Aliás, por meio deste concurso, teve que tomar uma das decisões mais difíceis da vida. O major recorda que naquela época não tinha acesso à internet e, portanto, resolveu estudar com base em provas de concursos anteriores.

Na Justiça, com um salário que hoje equivaleria a R$ 15 mil, segundo conta, Eneas ficou apenas dois anos no cargo. Pois desejava seguir a carreira de policial militar.

Em 1989, o aspirante Estrela ingressou na corporação, trancou a faculdade e pediu demissão do cargo federal. Detalhe: seu salário no órgão estadual seria o equivalente a R$ 100 (percebeu a discrepância para os R$ 15 mil?).

REALIZAÇÃO

O major Estrela relat,a brincando, que esse é um dos motivos que dizem que é louco. Ele se considera um idealista e diz que todo idealista é louco porque é capaz de morrer por um ideal. Para o policial, a palavra liberdade é mais preciosa do que a própria vida. Para resumir isso, o oficial solta mais um jargão: “Viver sem liberdade é preferível até morrer, se preciso for, lutando por ela”.

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Major Estrela em reunião com lideranças comunitárias quando comandava a 23ª CIPM. Foto: reprodução/Facebook

Eneas está na corporação até os dias atuais. Desde 1989 o cargo onde ganhou mais destaque foi o de comandante da 23ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Tancredo Neves). A unidade cobre áreas consideradas perigosas de Salvador, como a Engomadeira, Vila Moisés e Baixinha de Santo Antônio. Talvez por isso, o major Estrela diz que é respeitado pelos seus superiores, subordinados e, até mesmo, pelos bandidos.

LEIA TAMBÉM: CHEGOU A HORA: Governo baiano anuncia concurso para PM e Bombeiros com 2,8 mil vagas

Considerado amante da parte operacional, ele sempre deu entrevistas polêmicas. “Eu sou contra a pena de morte para bandido pobre. Bandido pobre tem que ser a cadeia. Mas eu sou a favor que a Constituição mude e bote pena de morte para bandido rico e político ladrão, pois estes ‘canalhocratas’ do poder não tem mais salvação. Tem que ser no cajado da força da lei”, disse.

Segundo o major, as palavras, por pouco, lhe renderam uma punição.

LEPO-LEPO

O então comandante da 23ª CIPM chamou mesmo a atenção em fevereiro de 2014. Durante apresentação do plano de Carnaval no centro de Convenções, presente o então governador Jaques Wagner, o Secretário e toda cúpula da Segurança Pública, bem como mais de 2 mil policiais, o major quebrou o protocolo.

Neste evento oficial, após a solenidade, vários cantores famosos foram convidados. Na festa, Carla Cristina, vendo que o protocolo militar estava deixando os policiais inibidos, resolveu convidar o Estrela para cantar e dançar o “Lepo Lepo”, música apontada como futura campeã do carnaval. Quando todos pensaram que ele iria recusar o convite, o comandante levantou pulando e foi dançar com a cantora, gerando aplausos.

Veja os detalhes da história na entrevista dada ao apresentador da Tv Aratu, Casemiro Neto: 

Depois do episódio, o comandante pediu exoneração do comando da 23ª CIPM. Segundo ele, na época, algumas pessoas pensaram que o pedido foi para a saída da corporação.

As aulas que Estrela ministra hoje, segundo ele, são descontraídas assim como sua trajetória na PM. “Não basta estudar o dia todo, todo o dia. Tem que estudar dentro da linguagem e da pegada da banca que vai fazer a prova”. O major tem, no Facebook, uma página com mais de cinco mil seguidores que querem ser policiais.

Acompanhe nossas transmissões ao vivo e conteúdos exclusivos na página facebook.com/aratuonline e também pelo youtube.com/televisaoaratu.
Rua Pedro Gama, 31, Federação. Tel: 71 3339-8088 - Salvador - BA

“LEMBRAM DELE?”: Major que dançou ‘Lepo Lepo’ na frente do governador hoje dá aula a futuros PMs

Fonte: Jean Mendes
Atualizado em 10/01/2017 às 10:00

Este é um perfil diferente. A história de um policial militar que muitos podem considerar louco…

“Marginal que não reage na minha área é preso e algemado, mas se reagir receberá o cajado pesado da bala da lei”. Este é o bordão do policial militar Eneas Dibelo Estrela.

Famoso não só pelas firmes palavras, o major Estrela – que ocupa a terceira patente mais importante na corporação -, ficou conhecido em toda a Bahia por dançar a música “Lepo Lepo” durante a apresentação do plano para o Carnaval de 2014 na presença de Jaques Wagner (PT), então governador do Estado.

Cerca de três anos depois do episódio, o oficial abriu o jogo para a reportagem do Aratu Online e contou como leva sua vida de maneira irreverente. Além de agente do Estado, o major Estrela também é professor. Ele ensina futuros policiais militares com método que considera importante para os alunos “brocarem a prova” de admissão para o ofício. E o major tem propriedade para isso: passou em todos os concursos que fez na vida, inclusive da Justiça Federal, quando tinha apenas 18 anos.

Antes do ingresso na carreira federal, o jovem já tinha garantido vaga na Universidade Federal da Bahia (Ufba) em um dos vestibulares mais concorridos da instituição: direito. Para ajudar na renda, nos primeiros semestres de aulas resolveu vender caldo de cana na rua. Estrela conta que o trabalho era cansativo por conta da máquina funcionar de forma manual.

2017-01-09-12_59_32-maj-estrela

A vida só mudaria mesmo com a aprovação no concurso da Justiça, no qual alcançou o terceiro lugar (de um total de quatro vagas disponíveis). Aliás, por meio deste concurso, teve que tomar uma das decisões mais difíceis da vida. O major recorda que naquela época não tinha acesso à internet e, portanto, resolveu estudar com base em provas de concursos anteriores.

Na Justiça, com um salário que hoje equivaleria a R$ 15 mil, segundo conta, Eneas ficou apenas dois anos no cargo. Pois desejava seguir a carreira de policial militar.

Em 1989, o aspirante Estrela ingressou na corporação, trancou a faculdade e pediu demissão do cargo federal. Detalhe: seu salário no órgão estadual seria o equivalente a R$ 100 (percebeu a discrepância para os R$ 15 mil?).

REALIZAÇÃO

O major Estrela relat,a brincando, que esse é um dos motivos que dizem que é louco. Ele se considera um idealista e diz que todo idealista é louco porque é capaz de morrer por um ideal. Para o policial, a palavra liberdade é mais preciosa do que a própria vida. Para resumir isso, o oficial solta mais um jargão: “Viver sem liberdade é preferível até morrer, se preciso for, lutando por ela”.

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Major Estrela em reunião com lideranças comunitárias quando comandava a 23ª CIPM. Foto: reprodução/Facebook

Eneas está na corporação até os dias atuais. Desde 1989 o cargo onde ganhou mais destaque foi o de comandante da 23ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Tancredo Neves). A unidade cobre áreas consideradas perigosas de Salvador, como a Engomadeira, Vila Moisés e Baixinha de Santo Antônio. Talvez por isso, o major Estrela diz que é respeitado pelos seus superiores, subordinados e, até mesmo, pelos bandidos.

LEIA TAMBÉM: CHEGOU A HORA: Governo baiano anuncia concurso para PM e Bombeiros com 2,8 mil vagas

Considerado amante da parte operacional, ele sempre deu entrevistas polêmicas. “Eu sou contra a pena de morte para bandido pobre. Bandido pobre tem que ser a cadeia. Mas eu sou a favor que a Constituição mude e bote pena de morte para bandido rico e político ladrão, pois estes ‘canalhocratas’ do poder não tem mais salvação. Tem que ser no cajado da força da lei”, disse.

Segundo o major, as palavras, por pouco, lhe renderam uma punição.

LEPO-LEPO

O então comandante da 23ª CIPM chamou mesmo a atenção em fevereiro de 2014. Durante apresentação do plano de Carnaval no centro de Convenções, presente o então governador Jaques Wagner, o Secretário e toda cúpula da Segurança Pública, bem como mais de 2 mil policiais, o major quebrou o protocolo.

Neste evento oficial, após a solenidade, vários cantores famosos foram convidados. Na festa, Carla Cristina, vendo que o protocolo militar estava deixando os policiais inibidos, resolveu convidar o Estrela para cantar e dançar o “Lepo Lepo”, música apontada como futura campeã do carnaval. Quando todos pensaram que ele iria recusar o convite, o comandante levantou pulando e foi dançar com a cantora, gerando aplausos.

Veja os detalhes da história na entrevista dada ao apresentador da Tv Aratu, Casemiro Neto: 

Depois do episódio, o comandante pediu exoneração do comando da 23ª CIPM. Segundo ele, na época, algumas pessoas pensaram que o pedido foi para a saída da corporação.

As aulas que Estrela ministra hoje, segundo ele, são descontraídas assim como sua trajetória na PM. “Não basta estudar o dia todo, todo o dia. Tem que estudar dentro da linguagem e da pegada da banca que vai fazer a prova”. O major tem, no Facebook, uma página com mais de cinco mil seguidores que querem ser policiais.

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