BALEIA AZUL: Riscos dos desafios que incluem automutilação e suicídio preocupam pais e educadores

Pablo Santana
Atualizado em 21/04/2017 às 7:45
BALEIA AZUL: Riscos dos desafios que incluem automutilação e suicídio preocupam pais e educadores Foto: Reprodução

As provocações propostas pelo fenômeno social ‘Baleia Azul’ reacendeu a discussão sobre o papel dos pais e das escolas na vida das crianças e adolescentes.

Autoridades afirmam que o caso não deve ser tratado como um jogo, a dinâmica dos desafios funcionam geralmente nas redes sociais quando jovens são convidados para integrar um grupo fechado e passam a cumprir o que os “curadores” mandam.

A onda de suicídio entre jovens é um fenômeno que vem crescendo no mundo todo e é objeto de estudo entre as instituições mundiais de saúde. Os motivos são diversos. Acredita-se que o afastamento dos pais nas atividades rotineiras desenvolvidas pelos filhos, o impulsionamento promovido pela sociedade em individualizar as relações, inclusive a cibernética e os conflitos internos recorrentes do período da adolescência contribuem para o aumento dos casos e tornam esses indivíduos presas fáceis de pessoas má intencionadas na internet.

Alguns casos no Brasil envolvendo a participação de jovens nos desafios preocupam pais, instituições de ensino e governo. Uma jovem de 16 anos morreu no Mato Grosso após se afogar em uma lagoa na região central de Vila Rica, a cerca de 1.200 km da capital Cuiabá.  A principal linha de investigação da polícia é de que a adolescente, que apresentava cortes nos braços, participava do Baleia Azul.

LEIA MAIS: TRISTEZA: Corpo de adolescente que teria participado do “Baleia Azul” é encontrado

LEIA MAIS: BALEIA AZUL: “Instigação ao suicídio é crime e pode dar até a 12 anos de prisão”, diz delegado

Na Bahia, o corpo da adolescente Ana Vitória Sena de Oliveira, de 15 anos, foi localizado por pescadores na tarde desta quinta-feira (20/4) em Petrolina, sertão de Pernambuco. A jovem estava desaparecida desde a última segunda-feira (17/4). O caso ainda está sendo investigado, mas a principal suspeita é que Ana estivesse participando do “Baleia Azul”

Preocupados com os desdobramentos das ações que as atividades realizadas no Baleia Azul podem causar, a rede Salesiana Brasil de Escolas preparou uma cartilha de orientação ao pais sobre o tema. Entre as recomendações feitas estão o monitoramento do uso de de smartphones e redes sociais, atentar a qualquer mudança radical no comportamento de crianças e adolescentes, instruir os filhos a não adicionarem estranhos nas redes sociais e acolher os filhos e conversar sempre que notar neles algum desconforto.

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado da Bahia divulgou que orienta para que o assunto seja abordado pedagogicamente em sala de aula, junto com líderes de classe e com as famílias, por meio do Colegiado Escolar, das reunião de pais, mães e/ou responsáveis e das Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida das escolas. A SEC também informa que editou e distribuiu a cartilha “Família e Escola: Quando todo mundo se junta a Educação melhora”, com orientações de como os pais podem participar da vida escolar dos filhos e, recomenda aos professores e alunos que, ao identificar alguém em uma situação de vulnerabilidade, façam o acolhimento e acionem os familiares desta pessoa imediatamente.

A orientação dos pais e educadores torna-se essencial neste cenário já que não há como proibir os desafios incitados pelo Baleia Azul por não se tratar de um jogo, os grupos podem ser criados livremente por qualquer pessoa. Dentre as 50 tarefas pré-estabelecidas, estão incluídas desafios com automutilação, isolamento social e, por fim, tentativa de suicídio. Se mostrar sinais de resistência ao cumprimento das provas, o jogador tem a sua família ameaçada pelos curadores.

“Alerta-se que esses curadores que também podemos denominar de “criminosos digitais” visando aliciar, ameaçar e constranger esses adolescentes apresentam a eles seus dados pessoais, fotos e até mesmo o número do IP da máquina ou dispositivo mobile que eles possuem. Muitas das vezes essas informações pessoais e fotos já são até públicas nas redes sociais, mas a ânsia pelo aliciamento é tanta que eles não se dão conta deste tipo de fato”, ressalta a advogada Ana Paula de Moraes, especialista em Direito Digital e Crimes Digitais.

Os curadores dos desafios podem responder por crimes de associação criminosa Art. 288 do Código Penal; lesão corporal Art. 129 do Código Penal, ameaça Art. 147 do Código Penal e até homicídio induzimento ou instigação ao suicídio Art. 122 do Código Penal, caso as vítimas efetivamente deem cabo à própria vida. A pena pode chegar a seis anos de reclusão.

LEIA MAIS: “A imprensa não pode tratar o Baleia Azul como um jogo. É um crime”, diz diretor da SaferNet

Acompanhe nossas transmissões ao vivo e conteúdos exclusivos no www.aratuonline.com.br/aovivo, na página facebook.com/aratuonline e também pelo youtube.com/portalaratuonline

 

Rua Pedro Gama, 31, Federação. Tel: 71 3339-8088 - Salvador - BA
X

BALEIA AZUL: Riscos dos desafios que incluem automutilação e suicídio preocupam pais e educadores

Fonte: Pablo Santana
Atualizado em 21/04/2017 às 7:46
BALEIA AZUL: Riscos dos desafios que incluem automutilação e suicídio preocupam pais e educadores

As provocações propostas pelo fenômeno social ‘Baleia Azul’ reacendeu a discussão sobre o papel dos pais e das escolas na vida das crianças e adolescentes.

Autoridades afirmam que o caso não deve ser tratado como um jogo, a dinâmica dos desafios funcionam geralmente nas redes sociais quando jovens são convidados para integrar um grupo fechado e passam a cumprir o que os “curadores” mandam.

A onda de suicídio entre jovens é um fenômeno que vem crescendo no mundo todo e é objeto de estudo entre as instituições mundiais de saúde. Os motivos são diversos. Acredita-se que o afastamento dos pais nas atividades rotineiras desenvolvidas pelos filhos, o impulsionamento promovido pela sociedade em individualizar as relações, inclusive a cibernética e os conflitos internos recorrentes do período da adolescência contribuem para o aumento dos casos e tornam esses indivíduos presas fáceis de pessoas má intencionadas na internet.

Alguns casos no Brasil envolvendo a participação de jovens nos desafios preocupam pais, instituições de ensino e governo. Uma jovem de 16 anos morreu no Mato Grosso após se afogar em uma lagoa na região central de Vila Rica, a cerca de 1.200 km da capital Cuiabá.  A principal linha de investigação da polícia é de que a adolescente, que apresentava cortes nos braços, participava do Baleia Azul.

LEIA MAIS: TRISTEZA: Corpo de adolescente que teria participado do “Baleia Azul” é encontrado

LEIA MAIS: BALEIA AZUL: “Instigação ao suicídio é crime e pode dar até a 12 anos de prisão”, diz delegado

Na Bahia, o corpo da adolescente Ana Vitória Sena de Oliveira, de 15 anos, foi localizado por pescadores na tarde desta quinta-feira (20/4) em Petrolina, sertão de Pernambuco. A jovem estava desaparecida desde a última segunda-feira (17/4). O caso ainda está sendo investigado, mas a principal suspeita é que Ana estivesse participando do “Baleia Azul”

Preocupados com os desdobramentos das ações que as atividades realizadas no Baleia Azul podem causar, a rede Salesiana Brasil de Escolas preparou uma cartilha de orientação ao pais sobre o tema. Entre as recomendações feitas estão o monitoramento do uso de de smartphones e redes sociais, atentar a qualquer mudança radical no comportamento de crianças e adolescentes, instruir os filhos a não adicionarem estranhos nas redes sociais e acolher os filhos e conversar sempre que notar neles algum desconforto.

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado da Bahia divulgou que orienta para que o assunto seja abordado pedagogicamente em sala de aula, junto com líderes de classe e com as famílias, por meio do Colegiado Escolar, das reunião de pais, mães e/ou responsáveis e das Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida das escolas. A SEC também informa que editou e distribuiu a cartilha “Família e Escola: Quando todo mundo se junta a Educação melhora”, com orientações de como os pais podem participar da vida escolar dos filhos e, recomenda aos professores e alunos que, ao identificar alguém em uma situação de vulnerabilidade, façam o acolhimento e acionem os familiares desta pessoa imediatamente.

A orientação dos pais e educadores torna-se essencial neste cenário já que não há como proibir os desafios incitados pelo Baleia Azul por não se tratar de um jogo, os grupos podem ser criados livremente por qualquer pessoa. Dentre as 50 tarefas pré-estabelecidas, estão incluídas desafios com automutilação, isolamento social e, por fim, tentativa de suicídio. Se mostrar sinais de resistência ao cumprimento das provas, o jogador tem a sua família ameaçada pelos curadores.

“Alerta-se que esses curadores que também podemos denominar de “criminosos digitais” visando aliciar, ameaçar e constranger esses adolescentes apresentam a eles seus dados pessoais, fotos e até mesmo o número do IP da máquina ou dispositivo mobile que eles possuem. Muitas das vezes essas informações pessoais e fotos já são até públicas nas redes sociais, mas a ânsia pelo aliciamento é tanta que eles não se dão conta deste tipo de fato”, ressalta a advogada Ana Paula de Moraes, especialista em Direito Digital e Crimes Digitais.

Os curadores dos desafios podem responder por crimes de associação criminosa Art. 288 do Código Penal; lesão corporal Art. 129 do Código Penal, ameaça Art. 147 do Código Penal e até homicídio induzimento ou instigação ao suicídio Art. 122 do Código Penal, caso as vítimas efetivamente deem cabo à própria vida. A pena pode chegar a seis anos de reclusão.

LEIA MAIS: “A imprensa não pode tratar o Baleia Azul como um jogo. É um crime”, diz diretor da SaferNet

Acompanhe nossas transmissões ao vivo e conteúdos exclusivos no www.aratuonline.com.br/aovivo, na página facebook.com/aratuonline e também pelo youtube.com/portalaratuonline