CORRENDO CONTRA A ANEMIA:

Você já teve a sensação de estar com o freio de mão puxado? De estar com a bateria fraca? Sente que sua corrida não desenvolve? Tem vontade de parar a todo momento? Entre outras possibilidades, você pode estar com anemia.

Anemia é a diminuição na concentração de hemoglobina no sangue. Essa substância desempenha uma função absolutamente primordial para a prática esportiva: transporta o oxigênio para os tecidos.

 

Ajuda a entender a importância da hemoglobina quando lembramos do “doping do sangue”. Para quem nunca ouviu falar, trata-se de uma trapaça utilizada por atletas de endurance que recorrem ao uso de eritropoetina, o hormônio estimulador da produção de hemoglobina, para a aumentar sua concentração no sangue, turbinar o transporte de oxigênio e assim obter ganhos de performance. É o oposto da anemia.

Se o atleta desenvolve anemia de forma abrupta, a prática esportiva fica quase impossível pois a indisposição não permite nem iniciar o treino. Mas algumas vezes a anemia se instala de forma lenta, permitindo alguma adaptação do sistema cardiorrespiratório, assim a atividade física continua sendo possível mas o desempenho vai ficando cada dia mais prejudicado.

 

Existem várias causas de anemia. A mais comum é causada por falta de ferro. O ferro é o componente essencial da hemoglobina. É a  ele que as moléculas de oxigênio ficam ligadas durante o transporte. Em situações de carência de ferro, a produção de hemoglobina diminui drasticamente.

 

Mas quais corredores estão susceptíveis a ter carência de ferro? Vou citar 3 exemplos: mulheres com fluxo menstrual intenso, em função da perda associada ao sangramento; pessoas submetidas a cirurgia bariátrica, pelo déficit na absorção; vegetarianos estritos, pois a carne vermelha é a fonte de ferro de mais fácil aproveitamento.

 

E como saber se tenho anemia? Os sintomas são variados. Em geral, têm a ver com baixa energia, pouca disposição. Anemia por falta de ferro, especificamente, tem alguns sintomas peculiares: queda de cabelos, unhas frágeis, que lascam com facilidade e, nos casos mais graves, pode dar vontade de mastigar gelo, comer coisas crocantes e até coisas bizarras como barro ou tijolo.

 

Para o médico, é bem fácil diagnosticar anemia a partir das queixas e do exame do paciente, que se apresenta com coloração pálida da pele e das mucosas. A anemia é confirmada pela dosagem de hemoglobina, parte do hemograma. Quando há carência de ferro, os glóbulos vermelhos apresentam-se pálidos, com intensa variação de tamanho, predominando os pequenos.

 

O tratamento é simples e combina duas estratégias:

1) eliminar a causa, quando possível (coibir as perdas menstruais, por exemplo);

2) repor a deficiência, escolhendo alimentos ricos em ferro e suplementando através de medicações.

 

É claro que uma baixa na performance do corredor pode ter causas diversas: treino irregular, doenças cardiorrespiratórias, overtraining, etc. Mas se você pertence a um dos grupos de risco descritos acima ou se vem tendo sintomas de anemia, vale a pena consultar um médico e realizar um hemograma para avaliar esta hipótese. Se for este o seu caso, você não imagina como seu treino pode melhorar ao corrigir este problema.

 

Dr. Alex Pimenta – Hematologista da Clínica AMO

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