NO MEIO DO CAMINHO TINHA UMA QUIMIO

Cheguei essa semana na metade do caminho da nova quimioterapia para um câncer de ovário. Fiquei com vontade de conversar com vocês sobre como tenho me sentido – apesar de que a maioria já sabe por me acompanhar no @maonamama e agora no canal no Youtube

Até fiz um vídeo comparativo, mas queria ir mais um pouco além nesse texto.

“Do nada” ter que fazer quimioterapia pode até ser um “atraso” nos sonhos e planos para muitas pessoas. “Que saco, de novo?”

Lógico que eu estava com milhares de planos que vão ter que esperar mas, como sempre faço, procurei pensar que essa tem sido mais uma oportunidade. De repente, me vi reflexiva sobre a pessoa que eu era em 2011 na primeira quimioterapia e a percepção que tenho agora.

Antes:

Hoje em dia eu vejo que talvez a minha ficha não tivesse caído 100%. Apesar de saber a gravidade da situação, eu tinha outra maturidade e outra forma de encarar os fatos. Eu achava que cabelo era o de menos, uma coisa irrelevante, por exemplo. Conhecia poucas pessoas que passaram ou estavam passando pela doença. Fui levando minha vida, procurando entender e me adaptando à uma realidade totalmente desconhecida.

Agora:

Quase 8 anos depois, eu trabalho e vivo a área de saúde – apesar de não ter graduação nela. Com isso, tenho muito mais acesso aos profissionais e a conteúdos científicos, de fonte segura. Muito melhor do que ficar pesquisando aleatoriamente, como eu fazia antes. Fiz trabalhos voluntários e terminei conhecendo um pouco da realidade de quem não tem condições de se tratar. Como sou privilegiada! Conversei e converso com dezenas de pessoas que estão passando ou começando o tratamento do todo Brasil e do Exterior, que me mostraram que o câncer tem diversas caras. Dessa vez, sofri por conta do cabelo e fiquei mais ansiosa. Não por ele ser a “moldura do rosto”, mas por ele passar uma falsa sensação de “normalidade”. Terminei vendo que minha vida não está normal, pois NINGUÉM fica normal durante/depois de um câncer, mas ela está “quase”, está um “novo normal”. Agora, dentro dessa “nova normalidade”, também tem meu amor, Roddolfo, que me surpreende a cada segundo no seu esforço de entender tudo pelo que estou passando. Aliás, estamos passando.

Antes eu encarei a doença desconhecida de frente, pois é assim que eu encaro tudo na vida. Hoje eu encaro uma velha doença conhecida, prima da que uma vez passou por mim. Encaro de frente também por entender de todas as minhas possibilidades, mais claramente do que antes.

Hoje tenho muito mais forte a missão e a necessidade de passar para vocês os detalhes do que acontece, sejam eles legais ou não, sem milindres.

Sinto com certeza que se eu conseguir que uma pessoa passe pela quimioterapia/tratamento de uma forma leve, já fez valer tudo que eu passei e tenho passado.

Lembre sempre: Quimioterapia não é um bicho de sete cabeças… mas pode ser de três! Não, nem tudo são flores! Mas também, nem tudo são ervas-daninhas!

Acompanhe minha rotina no instagram @maonamama , no Youtube e, se quiser aprofundar a conversa, entre em nosso grupo de whatsapp!

Beijos

Paula

 

Nenhum Comentário

Os comentários estão desativados.