Câncer de mama aos 29 anos.

12/07/2017.
Um ano da primeira vez que fui ao mastologista e que se fez a suspeita de câncer de mama. Eu tinha 29 anos, sou estudante de medicina e não tenho absolutamente nenhum caso na família, nem de câncer de mama ou ovário. Depois disso, se seguiu uma semana de ultrassonografias, ressonância, tomografias, cintilografia óssea, biópsia core, anatomia patológica, imunohistoquímica, até chegar a consulta com o oncologista. Sim, era câncer.
Não me pergunte muita coisa sobre aquela semana. Eu não lembro. É como se fosse uma noite de bebedeira, tenho lembranças de flashs apenas. Mas tudo aquilo passou.
E vieram 16 sessões de quimioterapia, uma cirurgia (adenomastectomia bilateral), 28 sessões de radioterapia.
Com isso tudo, veio de brinde uma careca divosa (se eu disser que odiava, estarei mentindo rs), muitos quilos a mais, menopausa temporária, fadiga, seios novos, dores pós cirúrgicas, mancha vermelha e muitas dores na mama da radioterapia.
Pensa que foi só isso? Graças a Deus não.
Veio a transformação do meu espírito, a descoberta da alegria de viver, o apoio incondicional de minha irmã, de meu namorado, da minha família (e da família do meu namorado), de meus amigos (cada um deles que me ligou, me mandou mensagem, me perguntou como eu tava), ganhei duas amigas do peito que nunca mais vou largar (duas mulheres maravilhosas que tem a mesma idade que eu e que passaram pela mesma coisa)… o gosto de sentir minha profissão de outra forma, de outro lado, de sentir a importância de cada palavra dita em um consultório.
Mais de um ano depois de tudo, minha felicidade finalmente descoberta, e ainda tenho a mesma dúvida: foi uma tragédia ou benção? Ainda não sei. Sei que descobri muitos valores novos sobre a vida… Não foi fácil, nem simples e tudo ainda dói muito.
E, como eu sempre digo quando escrevo sobre isso, não faça com que eu tenha passado tudo isso em vão: já fez seu autoexame hoje?

Bárbara Menezes – Salvador/BA – @babimnezes

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