DIAS DAS MÃES: EU NÃO POSSO PARIR!

É chegada a hora de contar alguns detalhes dessa história, que nem todo mundo sabe. Antes de mais nada, quero dizer pra você que tem ou teve câncer de mama: CALMA, pois isso não acontece com todas as pacientes necessariamente.

Vou explicar:
A maioria de vocês conhece o Tamoxifeno, não é? Ele é o remédio mais usado e com grandes resultados na hormonioterapia – fase do tratamento que dura 5 anos em alguns casos e 10 anos em outros. Ele é usado em mulheres pré-menopausa e é o responsável por não deixar os hormônios do corpo passarem para as mamas. Só que o grande lance foi: ele protege as mamas, mas o resto fica vulnerável!

Nunca havia sentido grandes coisas com ele. Sempre deu para amenizar tudo com exercícios físicos e drenagem. Como geralmente faço meus exames em dia, observei o aumento do endométrio (parede do útero), que é comum em pacientes que usam o medicamento. Fui acompanhando apenas, de 6 em 6 meses.

Em 2014, eu fui “premiada” com algo chamado ATIPIAS (Hiperplasia atípica do endométrio).
O que é isso? Um estágio pré-câncer. Ou seja: Se esperasse mais um pouco, podia ter câncer no útero (para quem não sabe, câncer de mama e de útero são “primos”).

Fiz primeiro um procedimento chamado Histereoscopia – uma limpeza desse endométrio. Coisa rápida, uns dias de molho. Pouco tempo depois, elas estavam de volta.

Meu oncologista disse que eu poderia esperar um pouco fazendo esse procedimento periodicamente (o que seria um saco, pois eu teria que parar minhas atividades novamente), mas só que mais para frente teria que tirar o útero. Ou poderia fazer logo. Optei por resolver logo o problema. Fazer a histerectomia, ou a retirada do útero, com a preservação dos ovários.

Pra mim, sinceramente, isso foi pior que ter câncer. Acabou a possibilidade de gerar uma criança – coisa que sempre quis fazer. E como ia ser? Como eu iria explicar isso à pessoa que quisesse casar comigo? Fiquei “na bad” e fui fazer terapia. Entendi que a vida nos dá caminhos que nem sempre compreendemos.

E ai em junho de 2014, foi realizada a cirurgia via videolaparoscopia. Super tranquila! Em uns 10 dias eu já voltava ao trabalho.

Hoje eu consigo falar sobre isso com vocês mas, pra mim, foi pior do que ter câncer. O câncer era temporário. A retirada do útero era definitiva. Hoje eu entendo que em 2011 a medicina não estava tão evoluída assim. Só em 2013, a Goserrelina (ou Zoladex) foi introduzida no protocolo de tratamento de pacientes jovens com câncer de mama para preservar a fertilidade. O que significa isso? Como o medicamento “desliga” os ovários, a paciente entra em menopausa química durante a quimio e algum tempo depois. Quando o médico liberar, eles podem ser “religados” e a fertilidade preservada. Além disso, o zoladex + tamoxifeno reduz o risco da doença voltar (motivo pelo qual eu uso ambas hoje em dia).

Tomei um banho de água fria! Isso não me deixou nada bem, mas hoje estou bem melhor e falar nisso termina ajudando. Como sempre considerei a adoção, ela está mais nos meus planos do que nunca e espero que esteja no meu destino. O câncer tirou minha possibilidade de gerar uma criança, mas não de ser mãe. Hoje em dia não sou casada, mas espero mesmo que a pessoa que escolha caminhar ao meu lado no futuro, entenda e aceite essa condição, para que consigamos formar uma família do coração.

Não quis, com esse texto, assustar vocês que estão em tratamento ou passaram por ele. De qualquer forma, acho importante vocês saberem dessa possibilidade e conversarem com seus médicos sobre essa questão. Informação é essencial!

É isso gente! Como eu nunca falei disso aqui, quis aproveitar e detalhar tudo o que eu acho necessário que vocês saibam.

Ah! E feliz dia das mães!

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