A despedida do santo sisudo e o roteiro de três cidades em três dias no São João

A despedida do santo sisudo e o roteiro de três cidades em três dias no São João

O mês de junho começa a se recolher e eu só consigo pensar que ainda está para ser inventada – e arrisco dizer que levará toda uma eternidade – festa popular mais porreta do que São João! A farra é comemorada, oficialmente, no dia 24 de junho, mas São João é babadeiro e se mantém soberano o mês inteirinho na Bahia e de ponta a ponta do Nordeste. Aliás, andei pesquisando sobre a simbologia do São João e agora já vou poder responder orgulhosa quando o jornalista Jair Mendonça Jr perguntar de novo: “de onde vem todos esses elementos da festa? E o forró? Por onde tudo isso começou?”.

Cleidiana Ramos, jornalista e doutora em antropologia pela Universidade Federal da Bahia, me falou sobre a antropologia das festas e de como eles, os antropólogos, estão preocupados em entender não somente a origem das manifestações, mas também as transformações que elas sofrem e imprimem na sociedade. E o São João, meu cabra, esse é um dos maiores cases de festejos com ressignificações ao longo dos anos.

Veja bem: pela origem da data, e tão somente por isso, já podemos identificar esses processos de variações. A Igreja Católica – lá na transição da Idade Antiga para a Idade Média – incorporou os antigos cultos pagãos europeus e transformou os rituais em homenagem a diversos deuses – como os gregos, romanos e nórdicos – em festas dedicadas aos santos do catolicismo.

No entando, mesmo com todas as transformações, ainda há uma relação com esse início e, aqui no Nordeste, a festa preserva a presença dos grãos, como o milho e amendoim, e não deixa de ser uma celebração à colheita – como acontecia no início, quando os povos celebravam o solstício de verão e a plantação (com a exceção das estações bem distintas).

O aspecto mais fantástico da história junina, e que Ramos me chamou atenção, é que a igreja católica conseguiu associar a imagem logo de São João, um santo sisudo, eremita e que pregava o fim do mundo, a uma festa tão grande, popular e alegre. Palmas para a igreja católica por esse reposicionamento de imagem incrível!

Também recorri a Ciran Flor, doutoranda em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia, para entender sobre o surgimento da música que predomina durante os festejos juninos, mas, a pesquisadora em forró explica que, enquanto música e dança, não há um marco capaz de determinar o nascimento do ritmo. Os portugueses, desde o século XX, já faziam xotes, definição para festas onde se tocava diversos ritmos, em eventos da corte e nos mais populares.

Flor lembra, ainda, que o folclorista Câmara Cascudo defendia a versão de que a palavra “forró” vinha do termo “forrobodó”, uma espécie de festa que, posteriormente, foi transformada em estilo musical. Ainda tem a versão do forró associado à expressão inglesa “for all” (para todos). Nela, diz a história que nos contam, que engenheiros britânicos, também no século XX, durante a construção da ferrovia, em Pernambuco, realizavam bailes abertos ou “for all”. Os nordestinos teriam customizado a pronúncia e passaram a falar “forró”.

Mas, agora que eu já banquei a embaixadora da tradição nordestina, vamos ao que interessa. Esse texto era tão somente para dividir a minha curiosidade: será que São João Batista, primo e padrinho de Cristo, iria gostar de ter toda essa festança relacionada ao seu nome? Quero, também, garantir que, após toda minha falação, você não deixe de viver os festejos juninos no interior. Me promete?

Nos últimos oito anos eu passei São João na Chapada Diamantina conhecendo lugares fantásticos como Capão, Andaraí, Igatu, Lençois, Mucugê e Rio de Contas. Fico tão animada durante esse período que sobra até energia para fazer trilha de dia e dançar à noite, até rasgar a madrugada. Esse ano, com as possibilidades limitadas de folgas, só me restaram os três dias de “anarriê”. São tempos de crise e, como boa sobrevivente nascida nas quebradas de Salvador, tratei de improvisar, mas sem perder o estilo, claro!

Primeiro: decidi que tinha que fazer algo diferente e me lancei numa aventura com o único desafio: usar os três dias para visitar três cidades (Alagoinhas, Santo Antônio de Jesus e Cruz das Almas). Convenci a amiga Fernanda Gama de que esse era um desafio totalmente café com leite e, na sexta (22), fizemos as malas numa velocidade de velociraptor e nos encontramos para colocar o -quase- roteiro em prática.

Que Fernanda não saiba: a verdade é que nem eu estava acreditando muito nessa trip junina, mas, como havia dito, São João, mesmo sem curtir farra, não ia permitir que eu ficasse em casa.

Para os três dias de viagem, fizemos o roteiro a partir de três perspectivas: o da experimentação, pensando em buscar um lugar novo e não tão badalado para o período, o dos festejos com grandiosidade, aquele destino que recebe gente no ritmo frenético de  Salvador durante o carnaval e, por fim, a festa da tradição, com foco num destino com forte relação com a cultura do interior e do São João. Abaixo, um resumo da experiência nos três destinos para já ir dando uma idéia de roteiro para o seu próximo “caminho da roça”:

DESTINO EXPERIMENTE: Nossa primeira parada, na sexta (23), foi em Alagoinhas, a cerca de 225km de Salvador, região conhecida como pólo industrial de produção cervejeira e por sua qualidade da água – tida como a segunda melhor do mundo. A cidade investiu em atrações de peso e mostrou que pode, sim, ser uma alternativa de destino para os festejos juninos. Ousados que são, não quiseram nem começar por baixo e levaram Luan Santana já na primeira noite. Nos outros dois dias de festa, Santanna, o cantador, Trio Nordestino e Bell Marques também fizeram show, dividindo o palco com atrações locais.

Foto: divulgação Secom Alagoinhas

DESTINO GRANDIOSIDADE: O segundo dia, sábado (24), foi dedicado a Santo Antônio de Jesus (114km de Salvador), um dos destinos mais procurados durante o São João, com estimativa de público de mais de 100 mil pessoas por noite. A festa também tem potencial para atrair grandes investidores tendo, esse ano, a cerveja Skol como patrocinadora máster. E foi Santo Antônio de Jesus, inclusive, que me fez trair uma promessa de nunca participar de festa fechada em período junino.  Seduzida por um convite para o Forró do Lago, acabei alternando entre a festa na praça e esse abuso de evento. Mas, claro, que não perdemos o show do meu poeta, Dorgival Dantas. Que presente incrível Santo Antonio de Jesus nos deu. A cidade teve cinco dias de festa e atrações como Virgílio, Calcinha Preta, Mano Walter, Luan Santana, Flávio José e Devinho Novaes.

Foto: São João Santo Antônio de Jesus

DESTINO TRADIÇÃO: A terceira e última parada, no domingo (25), ficou por conta do São João da tradição, em Cruz das Almas, a 153km de Salvador. A festa junina da cidade é tão raiz que a prefeitura baixou um decreto para garantir que somente atrações de forró sejam contratadas para a festa na praça. E foi um transbordamento de alegria quando Santanna subiu ao palco. Fiquei louca por um chamego! A cidade vale por toda a sua força e valorização da cultura do São João: ela guarda os elementos e toda a simplicidade do interior, com direito a registros de famílias na portas de casa e ao pé da fogueira. A festa em Cruz foi feita por artistas como: Elba Ramalho, Mastruz com Leite, Magníficos, Alceu Valença e Flávio Jose.

Pois bem! Eu e Fernanda fizemos a trip junina em três dias, mas se você é retado e capaz de conseguir um sem fim de folgas, é só estender o roteiro e conhecer outras cidades. A Bahia tem 417 municípios e boa parte comemora o Santo sisudo. A mim só restará me morder de inveja e inventar outro texto só para meter o pau em quem tem muitas folgas em época de São João (risos).

Por Marcela Souza

 

 

Licor: empreendedorismo familiar e bebida tradicional do São João na Bahia

Foto: Ana Maria Simono

A pouco mais de 120km da capital baiana e a 96km de distância da cidade de Cachoeira, conhecida pela tradicional fabricação de licores, a passagem da estrada de boiadas, acesso para o norte e para o sertão, conhecida pelas águas dos rios Sauípe, Catu, Subaúma e Quiricó, originada da Vila de Santo Antônio d’Alagoinhas, se tornou polo de indústrias cervejeiras, mas, em período de São João, não é a produção da bebida do malte que protagoniza a cena nos festejos do interior.
Alagoinhas se tornou alvo das principais indústrias de cerveja, mas quando o assunto é história, cultura, memória e, claro, tradição, o São João da cidade não nega: é o licor a bebida dos festejos juninos na Bahia.
Embora não concorra, em volume de produção, com o universo cervejeiro comercial, o licor continua sendo referência do ‘festerê’ tradicional e abre oportunidades para o empreendedorismo familiar no estado.
Gente como Carlos Assis, que há cerca de 15 anos, apostando na empolgação e ideia do irmão, juntou a família e começou a própria produção de licor por aqui. O nome para o pontapé inicial, assim como a inspiração, tem raiz nordestina: Dona Célia, pernambucana, “retada” na vida. A mãe havia falecido e os filhos quiseram prestar a homenagem. Se deu certo? Mais que isso. Virou rótulo da bebida. “Tinha aquele amor, aquele carinho todo. E meu irmão é muito assim, ele gosta de inventar. Aí ele inventou esse licor, que é muito bom, e falou ‘ vamos colocar o nome de mainha’. Aí foi quando ficou ‘Licor Vocélia’, porque ela já era vózinha, entendeu? Aí a gente pegou o ‘vó’ e o nome dela, Célia. Ficou uma mistura assim e ficou legal. Agora todo mundo já sabe”, explicou Carlos Assis.
O licor Vocélia é feito atualmente em produção industrial, no Parque da Jaqueira e, neste São João, a variedade de sabores comercializados inclui tangerina, jenipapo, tamarindo, maracujá normal, maracujá cremoso e amendoim.
“Hoje em dia, na nossa empresa, é tudo industrial. A gente trabalha muito pouco com a mão. Nossos tanques de conserva de licor são todos em máquina, já é uma fábrica mesmo. Começou mais caseiro. Mas foi passando o ano, foi crescendo. É uma base de 15 anos que trabalhamos com isso. No período de festejos juninos, a gente entrega mais de 4 mil caixas, inclusive para redes de mercados, e também para outros estados, como Recife, Aracaju”, pontuou o empreendedor.
O diferencial que garantiu o crescimento do negócio, segundo Carlos Assis, é a qualidade do produto. “A gente trabalha com álcool de cereais. Tem alguns licores que são feitos com cachaça e o nosso álcool é mais suave”, garante ele. Cremoso ou tradicional, suave ou encorpado, o nome ‘Vocélia’ saiu da casa de Carlos, no interior da Bahia, e ocupou a prateleira dos supermercados, animou o festerê, preparou o esquenta para o São João. Em Alagoinhas, a bebida típica é comercializada, desde sexta-feira (22), em uma barraquinha personalizada no circuito oficial da festa, que acontece na Avenida Joseph Wagner, a um preço médio de R$ 8 o litro.
“Estar falando e colocando o nome da minha mãe em cena pra mim é maravilhoso, entende? É sempre é uma lembrança”, finalizou Carlos Assis. Como ele, outras barracas do circuito oficial também comercializam a bebida em um segmento montado com uma diversidade de opções para o visitante, em Alagoinhas.

Serviço:
Licor Vocélia
Contato: (75) 3422-1584 ou (75) 99384-2214

Cerveja é a bebida preferida dos baianos, mesmo durante o São João

Vou pedir licença aos amantes do licor, mas festa sem cerveja não é a mesma coisa! Pensando nisso,  fomos conversar com os farristas de plantão, em Santo Antônio de Jesus – um dos destinos mais procurados durante os festejos juninos –  e em Alagoinhas, município que está buscando se posicionar como tradição no mês junino.

Foto: divulgação

E nossa teoria só se confirmou: pra quem é fã real de cerveja, abrir mão da bebida é uma das coisas mais difíceis. A gente toma um licorzinho, bica uma nevada ( aqui é para os fortes), mas ninguém venha cogitar o boicote a cerveja. Isso não!

Prova disso é a relação das cervejarias com os grandes eventos. Em Santo Antônio de Jesus, por exemplo, a Skol, patrocinadora oficial da festa, criou um espaço na praça com jogo da memória para interagir com os biriteiros e quem acertasse as combinações ganhava uma skol hops, uma puro malte com lúpulos aromáticos, lançada em junho. A ideia deu tão certo que teve muita gente que deixou de dançar para pegar a fila e garantir a sua cervejinha.

Foto: Agência Califórnia

Quem também já deixou claro que não negocia seu amor por cerveja foi o cantor da banda Calcinha Preta, Bell Oliver. Durante sua apresentação em Santo Antônio de Jesus, na noite de sexta-feira (22),  o artista disse que só mesmo uma skol para dar uma animada na folia.

Mas longe de mim querer polemizar a preferência de bebida de alguém. E vou encerrar dizendo a verdade mais translúcida dessa história toda: o que não pode faltar no São João, mas de forma nenhuma, é nosso forrozin. Tô mentindo?

 

 

 

 

 

Anitta e Skol, marketing de oportunidade ou empoderamento feminino?

Sensualidade, decote, peito, bunda. Durante anos as mulheres foram e ainda são utilizadas pela publicidade de cervejarias como objeto atrativo para o público alvo: homens. A figura feminina nunca foi vista como consumidora do produto, mesmo que a gente curta bastante “comer água até umas horas”, as mulheres não eram consideradas clientes. Mas, vejam só, sacerdotisas da Mesopotâmia são consideradas, segundo historiadores, as criadoras da cerveja. Quem diria, não é mesmo? Passamos de inventoras desta maravilha para objetos hiperssexualizados nas campanhas do produto.

Foto: Reprodução

Diferente do que os comerciais dizem, as mesas de bar estão cada vez mais tomadas por mulheres e copos cheios de cerveja. Esse movimento coloca o gênero na posição ativa de consumo e como boas freguesas as mulheres querem se enxergar na publicidade de maneira representativa, então o papel da gostosona do “vem verão” ou garçonete com pouca roupa não combina nenhum pouco com as manas que viram o copo no boteco.

Percebendo o aumento do consumo feminino do produto e analisando o crescimento do movimento feminista, que tem bastante força no ambiente digital, meio onde as influências são intensas é que a Skol decidiu montar uma estratégia de reposicionamento da marca. Qual empresa nos atuais tempos quer pagar de machista? Para enfrentar a onda do politicamente correto e do empoderamento feminino a cervejaria colocou na rua diversas campanhas simpáticas à causa feminina e fez um pedido de desculpa pelos anos de objetificação. Até que ponto isso é “de coração”?

Foto: Reprodução

Aproveitando a onda Girl Power e o aumento do consumo das mulheres nada melhor do que usar um marketing de oportunidade que aproxima a marca das girls colocando-a numa friend zone. De opressora, agora a publicidade passa a ser empoderadora, porém depende. Após várias ações positivas e campanhas contra assédio no carnaval, Skol lançou Anitta como embaixadora da marca. Daí são duas oportunidades: atrelar o produto a imagem da maior artista brasileira da atualidade e associar a escolha dela como representante das mulheres pela capacidade criativa e não pela sexualização da cantora.

Foto: Reprodução

Então… Até que ponto Anitta representa a mulher “cervejeira”? A cantora não consome bebida alcoólica. Ah! Mas o que isso tem a ver? Ué! Só a Xuxa que tem que provar que usa Monange para poder fazer propaganda da marca? Como você associa sua imagem a algo que você não consome? Por que não escolher uma mulher que desce toda sexta-feira para o bar da esquina tomar uma rodada de Skol? Simples, “Skol quer o que a cantora tem de melhor: sua autenticidade e poder de falar com todos os brasileiros”, diz comunicado.

VEJA VÍDEO:

Pelo visto Skol está mais interessada no plano de dominação mundial da artista e não no seu rebolado. A empresa quer vender mais e limpar a barra com a mulherada, tá certa também, né? Só não sejamos tão ingênuas de pensar que na reunião de estratégias alguém pensou “poxa, nossas propagandas sempre foram tão escrotas. Tá na hora de valorizar as mulheres”. Sabemos que o interesse é comercial e não há pecado nisso.

Anitta que já é um outdoor ambulante ganha mais uma etiqueta e Skol fica bem na fita tendo como embaixadora uma mulher jovem, bem sucedida, empreendedora e inteligente. Mimizentos dirão que os questionamentos do blog são coisas de “feminazi que não se depila”, anitters dirão que é recalque. Logo eu? Uma anitter de respeito, porém sensata. Ay, yo soy mala de verdad.

Foto: Reprodução

Mesmo que o reposicionamento seja para mudar a imagem da empresa e a relação dela com suas consumidoras e que esta parceria seja uma troca perfeita de interesses, vamos reconhecer que é bem melhor esperar um comercial pensado por uma mulher, para mulheres e principalmente, que uma marca tão grande tenha reformulado seu marketing para atender uma necessidade tão urgente de não reforçar estereótipos, celebrar a diversidade e evitar atitudes machistas. Skol, tá perdoada! Mas se vacilar a gente ataca.

Por Heloísa Gomes

Cidade Baixa: seus encantos e seus botecos

A Cidade Baixa de Salvador possui um clima agradável e diferenciado do restante da cidade. Quem mora na região, afirma que não sai de lá de jeito nenhum. Talvez o motivo seja a semelhança com cidades do interior, com uma aparente tranquilidade, casas coloridas e moradores sentados nas calçadas de casa, batendo papo com os vizinhos, coisas que dificilmente encontramos em outros bairros.

O bairro da Ribeira é assim, bonito e com um clima único. Cercado de mar, possui um dos mais bonitos entardecer de Salvador, além de clima agradável e vida diurna e noturna sempre ativa. Foi buscando esse agito diferenciado da Ribeira, que visitei o Bar Tijupá, localizado mais especificamente na Rua Porto dos Tainheiros, n°9, dentro do Saveiro Clube da Bahia.

Com uma bela vista para a península de Itapagipe, o Tijupá também conta com um excelente atendimento, tanto dos garçons quanto do gerente Júlio César, que foi muito educado e atencioso. O cardápio não possui muita variedade de cervejas, contando apenas com Devassa (R$9.50), Schin (R$7.50), Eisenbahn (R$13.90) e Baden Baden (R$27,90), mas como eu adoro uma puro malte e adoro mais ainda uma promoção, optei pelo combo com quatro Devassas, por R$34.00, todas estupidamente geladas. Não preciso nem dizer que um combo só não deu conta, né!? Mas isso não vem ao caso rsrs.

A Moqueca Tijupá serve até três pessoas e custa R$109.00

A mistura dos ingredientes dão um sabor especial ao Coquetel Tijupá. (Foto: Fernanda Gama)

Já para comer, o Tijupá conta com várias opções, tendo como especialidade frutos do mar e como carro chefe a Moqueca Tijupá, composta por camarão pistola, banana e queijo. Sinceramente quando li os ingredientes fiquei um pouco receosa, mas a mistura ficou fantástica e o sabor ficou delicioso. A Moqueca Tijupá serve três pessoas tranquilamente e custa R$109.00. O valor pode ser um pouco alto, mas o sabor compensa e se você dividir por três, todos comem bem e pagam pouco.

Para fechar com chave de ouro, pedi o Coquetel à Moda Tijupá (R$14.00), com vodka, contreal, sucos de abacaxi, goiaba, manga, leite condensado e creme de leite, outra mistura muito louca, mas que deu certo.

O Tijupá funciona de terça a quinta-feira, das 11h às 22h, sexta e sábado das 11h às 2h e domingo, das 11h às 20h. O local ainda conta com shows de bandas locais de partido-alto, sertanejo e forró universitário aos finais de semana.

A Cidade Baixa oferece diversos encantos e o Tijupá vai ajudá-lo a desfrutar esses encantos com uma cerveja gelada e boa comida. A vista é uma atração a parte, tanto durante o dia, quanto durante a noite, quando a luz da lua e das estrelas refletem no mar calmo da península. Vale ir com amigos, namorados ou família. E se você conhece um boteco tão bacana quanto o Tijupá e acha que devemos conhecê-lo, não deixe de nos indicar. Adoramos botecar e vamos a qualquer lugar que sirva cerveja gelada e petiscos gostosos. Até a próxima!

(Foto: Fernanda Gama)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Texto: Fernanda Gama, jornalista e frequentadora de botecos.

Feijão: temos um (eterno) caso de amor

Eu queria muito ser fitness (no aspecto gastronômico, quero dizer), daquelas pessoas que comem mais verduras do que qualquer outro alimento no mundo! Dos que montam um prato inteirinho – que fantástico – apenas com salada e proteína. Mas a verdade, meu caro amigo, a verdade é que isso não passa de uma doce mentira!

Uso essa mentirinha para pensar em alguém que eu até poderia ser, não fosse o feijão! Ah! Como eu amo feijão. Eu amo tanto que já me programo pra passar mal, ter dores de cabeça, fraqueza e outros tantos sintomas preocupantes sempre que faltar feijão no meu prato por mais de três dias. E digo isso numa sinceridade real.

Em sua melhor versão, sem dúvidas, o feijão vem acompanhado de arroz. Aliás, essa combinação de PF (o famoso prato feito) é a única possível da minha ousadia. E nem pense em colocar macarrão no meu prato! Isso seria uma afronta.

De certa forma, o feijão também me traz uma memória da infância.  Quando era bem novinha, vivia na casa de Tia Lau, uma vizinha pernambucana. Acho que ali eu já era apaixonada por feijão. Na casa de Tia Lau eu fui  apresentada a  versões tão diferentes: era feijão com macaúba, com abóbora, com cuscuz e por aí vai…A gente fazia uma festa no chão da sala e uma fila na hora de servir a comida. Era uma felicidade sem fim (risos).

Pois bem, chega de delongas! Pensando em meu amor por esse alimento dos deuses e em você – que não está nem doid@ de falar mal da minha comida preferida – decidi listar três lugares em Salvador para saborear diferentes versões do meu amorzinho.

– TIA LU: Aqui é o bom e velho feijão com arroz que não deixa a gente passar aperto. O boteco raiz que só acomoda – bem mal – duas mesas internamente, recebe mesmo seu público é no calçadão. Todos os dias tem umas cinco opções diferentes de comida, mas nunca falta o feijão nosso de todo dia.

ONDE: Rua Pedro Gama, Federação ( quase em frente a TVE)

– BOTECO DA MÍDIA: Feijoada responsa, super saborosa e acompanhada de salada, farofa e arroz. O boteco lembra aqueles cariocas, cheio de cuidado com decoração e receptividade.

ONDE:  R. Nadir Mendonça, 2 – Pituaçu

– MABARISCADA: Você quer um prato com personalidade? Então receba! O pedido aqui é uma feijoada de frutos do mar. Sei nem descrever, baby! Tem que ir e provar mesmo. Aproveita e explora a suburbana

ONDE: Rua Batista Machado, 890, Plataforma ( perto da pracinha do Mabaço)

Juro que comi uma feijoada com feijão verde maravilhosa na Ceasinha do Rio Vermelho, mas não consigo lembrar o nome do restaurante. Volto lá dia desses e conto pra vocês.

História para contar: as boas pedidas de Santo Antônio Além do Carmo

Amigos vão dizer que é fixação com o local e eu já começo me justificando que a ideia não é fixa, embora a parada seja (quase) obrigatória. Então, imagine só: coloque na agenda um “espacinho gourmet” que ainda não visitou, sem frescura para gastronomia, mas com um sabor que faça despertar seu paladar, metade mundo gastronômico, metade bar; agora, faça diferente: desconstrua o ambiente ‘gastrobar’, a meia luz, os drinks especiais e substitua por sambinha raiz, feijoada na panela em dia de domingo, mesas de madeira, cerveja gelada e um bocado de gente na calçada em meio a uma ladeira de casarões do séc. XIX; quer mais? então apague tudo e coloque no lugar aquele “cantinho alterna”, da galera “diferentona”, com música experimental, cachaça de gengibre, luz baixa e palavras nas paredes; mas não se esqueça daquele boteco “pé sujo”, que aparentemente não tem nada especial, e acabou se tornando o seu favorito; não deixe de citar também aquele outro, que é só uma portinha e as pessoas de certo não percebem, mas tem uma vista deslumbrante pelos fundos; misture nesse emaranhado todo o bar que tem o melhor garçom da cidade, aquele que te faz sentir-se em casa, mesmo quando “casa” não é exatamente o melhor lugar.

Foi pensando nessa mistura de boas possibilidades em um cantinho único de Salvador que resolvi escrever não sobre um bar específico, mas sobre um bairro que me fascina quando o assunto é se jogar na #saideira: Santo Antônio Além do Carmo.

Foto: Ana Maria Simono

Pode ser que você ache “fora de mão”, longe da rota casual e até meio distante da imagem que esperava, mas, se ligue: se todos os bares de um dos bairros mais antigos da capital baiana, no centro histórico da cidade, pudessem se juntar para esboçar uma ideia, o que é que eles diriam?

Foto: Ana Maria Simono

Em meio às fachadas coloridas, aos imóveis abandonados, à decoração dos ateliês e pequenos detalhes das pousadas, os bares de Santo Antônio comunicam. Eles dizem coisas quando você entra e mais ainda, quando você sai. Você sobe a ladeira e eles te fitam. Dá uma paradinha de leve para recuperar o fôlego e eles não param de te dizer. Quando olha com cuidado, eles contam de onde vêm. Se der tempo, explicam um pouco sobre as pessoas que já abrigaram. Você se mete no balcão, “dá ousadia” – como diria o bom baianês – , eles te jogam na roda, te botam pra dançar. E se você chegar abrindo o sorriso, meu amigo, te prendem à mesa, te soltam na vida, enchem seu copo, alimentam quem gosta de “resenhar”.

Foto: Ana Maria Simono

Ali não importa muito se você é recém-chegado, morador “das antigas” ou frequentador assíduo: há sempre uma nova história em Santo Antônio Além do Carmo para descobrir, viver e – quem sabe – compartilhar.
Não tem a badalação turística do Pelourinho, nem a impessoalidade de um barzinho qualquer em meio à área urbana da cidade. Também não tem praia, embora carregue sempre a possibilidade para uma vista para além mar. Mas você só descobre a baía de todos os santos e encantos, por lá, se abrir o peito e se jogar!

Foto: Ana Maria Simono

Pra quem não está acostumado a frequentar a região, segue aqui uma listinha com os meus preferidos de lá:
– Abará da Vovó;
– Cruz do Pacoal;
– Pysco;
– Ulisses;
– D’Venetta;
– Poró Restaurante e Bar;
– Oliveiras.

E aí, já podemos marcar um rolê do lado de lá? #partiu Carmo

Caravana Foca no Boteco te convida a botecar neste domingo (22)

 

Já imaginou eu e você, uma van, três botecos e nenhuma frescura?! Pode ir acordando que o sonho é real e acontece neste domingo (22). A II edição da Caravana Foca no Boteco começa a bordo de uma van com destino a felicidade três botecos de Salvador, participantes do Comida di Buteco 2018. O objetivo aqui, além de botecar, é experimentar os pratos criados para o concurso e, claro, reunir os amantes de boteco ao redor de muita cerveja gelada.

Nossa concentração será no Shopping da Bahia, às 10h. O investimento é de R$ 67 no combo van + petiscos das três paradas. A bebida? Cada um paga sua e a amizade continua.

O primeiro destino é o Boteco da Resenha, em Águas Claras. O prato servido nesse boteco é a Picanha a La Cajacity, uma picanha recheada com queijo e molho da casa.

A segunda parada é no Boteco do Crioulo, o prato concorrente de lá é uma barquinha de beiju de mandioca recheada com molho de camarões frescos, pimenta doce e creme especial ao leite de coco gratinado com queijo tipo parmesão ralado. Essa delícia que a caravana botequeira vai provar ganhou o nome de Redescobrindo o Brasil e esse boteco cheio de identidade fica no Bairro São Rafael.

Finalizamos nossa caravana no Crisana, boteco que fica no Paralela Park. No cardápio, “Um queijo pra lá de baiano” com camarão guisado, pimenta branca e banana da terra.

Animados? Quer saber como participar? É só mandar um “Eu Quero” com o seu contato telefônico no e-mail focanoboteco@gmail.com e correr para o abraço.

Um ‘Engenho Velho’ de grandes viagens ao passado e aos sabores regionais de Alagoinhas

Por: Heloísa Gomes

Fachada do restaurante. Foto: Heloísa Gomes

Essa foca que vos fala gosta mesmo de uma viagem, tudo isso está justificado pelo meu mapa astral com sol em Sagitário, ascendente em Gêmeos e lua em Aquário. Fazendo jus ao que o universo me preparou, peguei foi chão de Salvador até Alagoinhas para enfim descobrir um Engenho Velho de grandes novidades.

Se distraidamente passar pelas calçadas do centro da cidade em direção a Praça Rui Barbosa, ainda assim será fisgado por um casarão rosa com bastante natureza na fachada. Quem vê de fora imagina um antiquário, museu ou qualquer outro espaço ligado à arte – e por que não? A curiosidade para desvendar o mistério logo bateu e ao pisar no ambiente me senti numa viagem à base de pó de pirlimpimpim: Tcharam! Vários objetos centenários compõe a decoração do casarão que existe a mais de cem anos, inclusive a máquina de datilografar ganhou esse meu coração de jornalista de notebook.

Cada passo é uma viagem não só no tempo, mas na história, na arte, no sentimento de acolhimento e good vibes provocado pelo som massa do jazz que toca ao fundo como uma trilha sonora de filme dos bons. Se quiser impressionar aquele crush que não te nota, leva ele para o Engenho Velho, que, aliás, é o nome do restaurante, onde originalmente era um café, inaugurado há 18 anos. Quer saber onde fica? Basta perguntar pelas “meninas do Engenho Velho”, as irmãs Joana e Leila. Como sou alma boa já te passo o endereço: Rua Lauro de Freitas – centro, próximo a Praça Rui Barbosa, pertinho do Hotel Plaza.

Decoração interna do restaurante. Foto: Heloísa Gomes

A primeira coisa que terá vontade de fazer é explorar o local, passear entre os espaços ricos de significados e itens retrô, mas a decoração passa longe de modinhas, o conceito vem do gosto das irmãs e sócias por objetos antigos. Joana é a colecionadora, por isso teve a ideia de decorar o estabelecimento com esse toque de antiguidade, até as paredes foram quebradas para deixar alguns espaços sem reboco e os tijolos à mostra. A cada piscar de olhos um detalhe diferente vai ganhar seu coração. Dá vontade de morar lá, sério!

Sinta o charme dessa praça. Foto: Heloísa Gomes

O cantinho que é o xodó de Leila e não à toa, é a pracinha ambientada dentro do restaurante, a Praça Santa Bárbara, em homenagem a santa da qual é devota. Tem muito verde, móveis de madeira e tudo de muito bom gosto. Se o passeio for junto com a família tem até parquinho para as crianças se esbaldarem enquanto você aprecia tudo. Nessa área externa dá para rolar altas festas, como aniversário conceito, formatura para galera de humanas e casamento vibes retrô.

Depois desse tour me recuso a concordar com a frase “quem vive de passado é museu”, porque o Engenho se mantém vivo pelo acervo histórico, mas não falta novidade. No verão o sambinha rola solto toda quinta-feira das 19h às 22h e tome feijoada para dentro. Já no inverno o esquema é um jazz maroto com uma polenta com molho de linguiça e o melhor de tudo é que o prato é mimo da casa, ou seja, 0800.

É restaurante conceito que você quer @? Foto: Heloísa Gomes

O que era para ser um café mais intimista virou um restaurante antiquário (acabei de definir assim). Tudo bem que a moça aqui é cultura, mas também gosta de comer… Então vamos ao cardápio que é bem específico. O Engenho Velho tem um toque regional e apresenta opções originais no menu; picanha de carne do sol com feijão verde, pirão, farofa d’água, salada verde e arroz branco, tem também o lombo de porco defumado com banana da terra, farofa d’água e queijo coalho e a famosa galinha de quintal, melhor da região. Os pratos tem aquele sabor de casa, sabe? Comidinha da roça. Só para contrariar eu escolhi um risoto de camarão que estava maravilhoso. Já vou logo avisando que lá não é lugar para encher a cara, mas para curtir uma energia massa, apreciar antiguidades, comer bem e ouvir um som gostoso. O Engenho combina com um vinhosinho, mas também desce umas cervejas que ninguém é de ferro, né mores?

Ah! Um detalhe importante todo mundo é bem-vindo, mas preconceito xô! O Engenho é um reduto do” vale”, ou seja, o público LGBTQ+ tornou-se naturalmente admirador do local e lá podem interagir e expressar-se como qualquer outra pessoa independente de sua orientação sexual. “Aqui não cabe preconceito e eles se sentem muito à vontade no nosso restaurante. Nós temos muito prazer em receber pessoas que apreciam o espaço e valorizam o conceito do local”, conta Leila.

Vale super a pena fazer essa viagem gastronômica e cultural. Tudo isso num precinho acessível e com a vantagem de viver uma experiência enriquecedora, além de bater um papo alto astral nos fins de semana de feijoada. O restaurante funciona de terça a quinta-feira das 11h30 até 14h30 e das 18h30 às 23h30, domingo de 11h30 até às 22h30. Agora que eu já te contei tudinho você já sabe muito bem o que está perdendo, então pega logo essa estrada e cole nessa viagem. Depois me conte o que achou.

 

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Não importa onde você esteja, o Bar do Guela é sempre uma boa pedida

Dizem que não importa onde você esteja, Cajazeiras é longe para ca *%#. Mas como não me intimido fácil e gosto de desafios, decidi procurar um boteco fora do circuito comercial mais conhecido de Salvador. E assim, me dirigi para a tão conhecida e popular Cajazeiras, mais precisamente para o Bar do Guela, em Cajazeiras 10.

Com 25 anos de existência, o Bar do Guela é tradicional e muito conhecido entre os moradores da região. Prova disso é que antes mesmo de chegar ao local, eu já estava recebendo dicas do motorista do Uber. “Você gosta de cachaça? Peça o coquinho curado e não irá se arrepender”, me aconselhou o motorista Geraldo, que aguçou minha curiosidade.

Ao pedir o cardápio a primeira coisa que me surpreendeu positivamente foi o valor das cervejas, Itaipava R$5.50 e Skol 6.00. O Bar do Guela também conta com cervejas especiais, para agradar o paladar mais apurado, como a Serramalte e Eisenbahn que custam R$7.00, todas estupidamente geladas no melhor estilo “canela de pedreiro”. Mas apesar dos valores não serem altos, o Bar do Guela não aceita cartão de crédito ou débito, por isso se decidir visitá-lo passe no caixa eletrônico antes, garanto que valerá a pena e não gastará muito.

(Foto: Cristian Lopes)

Decidi seguir o conselho do motorista do Uber e dos meus amigos e pedi a tal cachaça “coquinho”. A bebida artesanal é curada dentro do coco e criação do Guela. A marvada da cachaça é boa dicunforça! O sabor é suave, parece água de coco, não é a toa que é tão pedida e conhecida entre os clientes. Você pode pedir a dose, que é servida no copo, ou pode beber direto do coco.

O bar do Guela não possui muitas variedades para tira-gostos, porém apesar das poucas opções, são todos preparados na hora e bem saborosos, como a sardinha frita e a passarinha.

Enquanto você toma sua cerveja gelada ou sua cachaça, você ainda pode se surpreender com a presença de personagens pitorescos, como o cantor e compositor Jona Show. Com todo seu charme e estilo o cantor fez um show especial para nossa mesa e ainda mandou um alô para a equipe do Foca no Boteco, que você pode assistir no vídeo postado em nosso Instagram.

(Foto: Cristian Lopes)

O Bar do Guela não é requintado ou gourmet, mas é um ótimo lugar para ir com os amigos e para os amantes dos botecos mais tradicionais. Mesas na calçada, dono do bar que te atende pessoalmente e deixa o cliente ir para o outro lado do balcão conhecer como é preparada a cachaça. Isso você não vai ver em qualquer lugar, mas verá no Bar do Guela. O boteco que há 25 anos chegou para ficar em Cajazeiras, no Lote 2, Rua B, S/N.

Se Cajazeiras é longe eu já não sei, mas com certeza o Bar do Guela faz a distância valer a pena.

 

Por Fernanda Gama, jornalista e frequentadora de botecos

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