Mulher não pode sair sozinha

Acabo minha tarefas domésticas, tomo um banho, me arrumo, me maquio e saio. Lá fora o sol brilha. O percurso não é longo, e resolvo ir a pé. Preciso respirar, arejar a mente e tentar esquecer um pouco da rotina corrida.

Ando tranquilamente, paro antes de atravessar a rua, olho pros dois lados, calculo o tempo e o quão rápido devo andar, não confio muito em “carros”. Ao longe um homem corre. Ele vai se aproximando, vindo no sentido contrário ao meu. Eu o vejo, mas não o enxergo. Seu corpo se aproxima, mas eu só olho ao longe, examinando o caminho a ser percorrido. Não o conheço , na verdade não olho bem o rosto dele, só quero andar, continuar meu caminho. Tenho lugar e hora para chegar.

O homem que corria diminuiu a velocidade, veio em minha direção, se aproximou, e eu só queria andar. Ele chega perto de mim, solta beijos na minha direção, diz gracejos indecorosos. Eu olho para os dois lados. Alguém? Alguém que me proteja, que me apoie? Me sinto perdida, envergonhada, com raiva, devassada. Grito: “Idiota”. Estou praticamente correndo, quero ir para longe, dele, daquele lugar, das palavras que ouvi, do riso de deboche diante da minha revolta.

Parece que corri uma maratona, mas estou um pouco mais adiante no caminho. Acho que estou segura agora, vou atravessar outra rua, meu destino está perto, ouço uma voz, alguém que fala perto de mim: ” Oi , delicia. Me leva com você! Tá passeando sozinha?”. (mais…)

Vamos falar do machismo naturalizado em nosso cotidiano? Detecte e não fique calada!

Quem nunca pensou assim: “Deixa pra lá! Já estou acostumada a meu chefe soltar piadinhas machistas, a meu colega tentar me constranger com comentários sexistas na hora do cafezinho, às piadinhas contadas na mesa do almoço de família, aos olhares masculinos no metrô, aos posts maldosos no facebook, aos nudes compartilhados em grupos de whatsapp, ao paquerinha forçando a barra para transar, ao assédio no carnaval, às cantadas na esquina de casa…”?

Já pensamos assim por tempo DEMAIS.

Esse é o machismo “do bem” (termo que não existe, mas eu escutei outro dia), que não é aquele que agride necessariamente, mas que constrange, te faz se sentir menor e menos capaz, te faz querer colocar uma roupa mais composta (que você odeia) e que te fará se sentir feia, mas pode evitar o assédio masculino.

Eu já pensei assim, confesso! Todxs nós fomos criadxs de forma machista em diferentes níveis, que nos fizeram reproduzir alguns “costumes” e pensamentos, que diziam que as “piadinhas” eram aceitáveis. Ainda bem que as coisas evoluíram (ainda não como deveriam, mas tudo bem…). Com isso, a sociedade já começou seu processo de mudança. (mais…)

POR FAVOR, ENTENDA!

Por favor, entenda! Ou simplesmente pare de reproduzir bobagens.

Nos últimos dias, tenho escutado milhares de conceitos e percepções equivocadas sobre o feminismo. Isso cansa, mas entendo que faz parte de uma sociedade que ainda tem muito o que desconstruir.

Vivemos uma era em que todos opinam sobre tudo, a partir da simples leitura de uma manchete. Poucas pessoas se aprofundam e realmente buscam entender sobre um determinado assunto.

E em tempos de assédio, de José Mayer, Juliana Paes e outras figuras que me arrepiaram o cabelo do braço, me sinto na obrigação de explicar aqui algumas coisinhas. Vamos lá?

Partindo o princípio que o feminismo é “um movimento social, político e econômico, que luta pela igualdade dos gêneros”, quem acredita nisso é feminista, certo? Até pode ser, mas acho importante perceber que o movimento é muito mais do que “só” acreditar nisso. É apoiar outras mulheres, além da sua “bolha”, é ser dona da sua vida e saber que você tem valor. É muito mais! Gosto sempre de lembrar das conquistas do passado até aqui para mostrar a importância do feminismo. Voto feminino, direito à educação básica e superior, escolha da profissão, a trabalhar fora de casa, pílula anticoncepcional, divórcio, direito a controlar seu próprio dinheiro, exercer profissões, direitos trabalhistas, usar calças compridas, praticar esportes, entre outros. Direitos que parecem naturais hoje, foram conquistados com muita luta. (mais…)

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