A POESIA FEMININA E FEMINISTA DE MARIA REZENDE

Poesia direta, sem rodeios. Hora com doçura, daquelas que dá um afago no coração. Às vezes com aquela sensualidade na medida certa. É assim que é Maria Rezende.

À medida que fui lendo e conhecendo seu trabalho, logo ficou claro: Maria é feminista!!!! Como ela está de passagem por Salvador com o recital de poesia “CARNE DO UMBIGO”, amanhã e sexta (14 e 15/9) no restaurante Poró (Santo Antônio Além do Carmo), aproveitei para conversar com ela e saber mais. Ela era daquelas que já era feminista sem saber, mas quando se deu conta, foi lindo! Confiram a entrevista.

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Como empoderar uma adolescente!

No segundo semestre de 2017, a emissora Freeform lançou uma nova série: The Bold Type. O canal, que é voltado para adolescentes, investe agora em uma história sobre três mulheres, antes dos 30, correndo para alcançar suas metas de vida. Após assistir aos sete episódios que foram exibidos até agora (serão nove no total), algumas sensações vieram à tona.

A primeira delas foi a importância de um conteúdo como este existir, ainda mais considerando seu tipo de espectador e o momento atual que, como em muitas épocas, clama por representatividade e discursos de empoderamento. Apesar de alguns elementos clichês na trama e uma linguagem mais simples, voltada para o
público padrão de adolescente, The Bold Type é um programa feminista!

Alguns motivos podem ser delineados para explicar tal afirmação, a começar pelo fato das três personagens principais Sutton (Meghann Fahy), Kat (Aisha Dee) e Jane (Katie Stevens) serem mulheres bastante independentes, que possuem como foco principal suas carreiras em uma revista teen chamada Scarlet. Ainda que, na primeira camada, elas demonstrem dar forte relevância para suas vidas amorosas – o que não seria algo necessariamente ruim, mas já muito visto em seriados adolescentes e de uma forma não muito positiva -, os seus desejos da carreira e forma de viver, vontades e sonhos são a chave para o sucesso da trajetória delas. (mais…)

Mulher não pode sair sozinha

Acabo minha tarefas domésticas, tomo um banho, me arrumo, me maquio e saio. Lá fora o sol brilha. O percurso não é longo, e resolvo ir a pé. Preciso respirar, arejar a mente e tentar esquecer um pouco da rotina corrida.

Ando tranquilamente, paro antes de atravessar a rua, olho pros dois lados, calculo o tempo e o quão rápido devo andar, não confio muito em “carros”. Ao longe um homem corre. Ele vai se aproximando, vindo no sentido contrário ao meu. Eu o vejo, mas não o enxergo. Seu corpo se aproxima, mas eu só olho ao longe, examinando o caminho a ser percorrido. Não o conheço , na verdade não olho bem o rosto dele, só quero andar, continuar meu caminho. Tenho lugar e hora para chegar.

O homem que corria diminuiu a velocidade, veio em minha direção, se aproximou, e eu só queria andar. Ele chega perto de mim, solta beijos na minha direção, diz gracejos indecorosos. Eu olho para os dois lados. Alguém? Alguém que me proteja, que me apoie? Me sinto perdida, envergonhada, com raiva, devassada. Grito: “Idiota”. Estou praticamente correndo, quero ir para longe, dele, daquele lugar, das palavras que ouvi, do riso de deboche diante da minha revolta.

Parece que corri uma maratona, mas estou um pouco mais adiante no caminho. Acho que estou segura agora, vou atravessar outra rua, meu destino está perto, ouço uma voz, alguém que fala perto de mim: ” Oi , delicia. Me leva com você! Tá passeando sozinha?”. (mais…)

Vamos falar do machismo naturalizado em nosso cotidiano? Detecte e não fique calada!

Quem nunca pensou assim: “Deixa pra lá! Já estou acostumada a meu chefe soltar piadinhas machistas, a meu colega tentar me constranger com comentários sexistas na hora do cafezinho, às piadinhas contadas na mesa do almoço de família, aos olhares masculinos no metrô, aos posts maldosos no facebook, aos nudes compartilhados em grupos de whatsapp, ao paquerinha forçando a barra para transar, ao assédio no carnaval, às cantadas na esquina de casa…”?

Já pensamos assim por tempo DEMAIS.

Esse é o machismo “do bem” (termo que não existe, mas eu escutei outro dia), que não é aquele que agride necessariamente, mas que constrange, te faz se sentir menor e menos capaz, te faz querer colocar uma roupa mais composta (que você odeia) e que te fará se sentir feia, mas pode evitar o assédio masculino.

Eu já pensei assim, confesso! Todxs nós fomos criadxs de forma machista em diferentes níveis, que nos fizeram reproduzir alguns “costumes” e pensamentos, que diziam que as “piadinhas” eram aceitáveis. Ainda bem que as coisas evoluíram (ainda não como deveriam, mas tudo bem…). Com isso, a sociedade já começou seu processo de mudança. (mais…)

POR FAVOR, ENTENDA!

Por favor, entenda! Ou simplesmente pare de reproduzir bobagens.

Nos últimos dias, tenho escutado milhares de conceitos e percepções equivocadas sobre o feminismo. Isso cansa, mas entendo que faz parte de uma sociedade que ainda tem muito o que desconstruir.

Vivemos uma era em que todos opinam sobre tudo, a partir da simples leitura de uma manchete. Poucas pessoas se aprofundam e realmente buscam entender sobre um determinado assunto.

E em tempos de assédio, de José Mayer, Juliana Paes e outras figuras que me arrepiaram o cabelo do braço, me sinto na obrigação de explicar aqui algumas coisinhas. Vamos lá?

Partindo o princípio que o feminismo é “um movimento social, político e econômico, que luta pela igualdade dos gêneros”, quem acredita nisso é feminista, certo? Até pode ser, mas acho importante perceber que o movimento é muito mais do que “só” acreditar nisso. É apoiar outras mulheres, além da sua “bolha”, é ser dona da sua vida e saber que você tem valor. É muito mais! Gosto sempre de lembrar das conquistas do passado até aqui para mostrar a importância do feminismo. Voto feminino, direito à educação básica e superior, escolha da profissão, a trabalhar fora de casa, pílula anticoncepcional, divórcio, direito a controlar seu próprio dinheiro, exercer profissões, direitos trabalhistas, usar calças compridas, praticar esportes, entre outros. Direitos que parecem naturais hoje, foram conquistados com muita luta. (mais…)

ESTRELAS ALÉM DO TEMPO

SINOPSE:
Data de lançamento no Brasil: 2 de fevereiro
Direção: Theodore Melfi
Produtoras: 20th Century Fox, Chernin Entertainment, TSG Entertainment, Levantine Films
Roteiro: Theodore Melfi, Allison Schroeder
Indicações: Prêmio do Sindicato dos Atores: Melhor Elenco / Oscar 2017: Melhor filme, melhor roteiro adaptado e Melhor atriz coadjuvante (Octavia Spencer).

No auge da corrida espacial travada entre Estados Unidos e Rússia durante a Guerra Fria, uma equipe de cientistas da NASA, formada exclusivamente por mulheres afro-americanas, provou ser o elemento crucial que faltava na equação para a vitória dos Estados Unidos, liderando uma das maiores operações tecnológicas registradas na história americana e se tornando verdadeiras heroínas da nação.
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NOSSA OPINIÃO:
Estrelas Além do Tempo (“Hidden Figures”, que pode ser traduzido como “Figuras Escondidas”) conta a história REAL de Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe) com atuações incríveis. São mulheres de vida dura, acostumadas com o racismo da época, mas que escolheram não se acomodar e lutaram para criar oportunidades de realizar sonhos (não escrevi “aproveitar” pois ninguém queria dar oportunidades para mulheres negras, especialmente nos anos 60).

Em uma época que não existiam recursos técnicos, as mulheres eram “computadores”, que faziam mil cálculos importantes à mão e dava suporte aos engenheiros da NASA, só que elas tinham que provar de forma muito mais complicada, que eram capazes. Apesar do papo ser sobre mulheres, o foco principal é o racismo. Eu, como branca e privilegiada, aproveito a oportunidade para provocar a reflexão: será que as coisas mudaram mesmo? Apesar de hoje racismo ser crime, ainda vejo por ai e pelas redes sociais pessoas com atitudes piores do que as retratadas no filme. Será que evoluímos? (mais…)

FEMINISTA SIM!

Quero te explicar uma coisa: uma das minhas principais “missões” desde que me encontrei como feminista é desfazer imagens estereotipadas e conceitos errados que as pessoas têm do movimento.

Tem gente que teve uma “experiência” ruim com uma feminista e fala que “toda feminista é revoltada”. Não, miga. Eu sou feminista e não me considero revoltada. Mas a revolta existe e é um direito de quem quer se revoltar, só que não significa que isso seja uma “política” do movimento. A gente reclama e problematiza sim! Às vezes isso choca, pois as pessoas não estão acostumadas a verem mulheres bradando o que as incomoda – e que muitas vezes é considerado “só uma brincadeira”.

As generalizações são uma merda. (mais…)

FEMINISMO É COLETIVO!

Desde que me descobri feminista, eu tenho aprendido algo muito importante: pensar no coletivo. Não que antes eu não pensasse, mas você exercitar isso diariamente se torna algo muito maior.
Vou explicar: antes, eu formava minha opinião com base na minha vivência, na opinião das minhas amigas, família e etc. Hoje em dia, não faço mais isso. Expandi, ampliei o radar e, mais importante, exercitei minha empatia com os problemas alheios. Não é que eu não me importasse com as diferenças sociais, os problemas dos outros, nem nada disso. É que “agora” eu penso, me importo, me indigno com a realidade além da minha vida privilegiada {branca, “magra”, cis, hétero, classe média}.  (mais…)

AS NOVAS GERAÇÕES DO FEMINISMO

É fato: cada dia mais, o feminismo cresce. Com o apoio das redes sociais, o movimento se pulverizou, principalmente entre as adolescentes.
Isso me deixa muito feliz, pois acredito que a vida delas pode ser muito menos sofrida do que a minha foi, por exemplo.
Eu já tive uma mãe que era à frente do seu tempo, empoderada e me criou com as mesmas oportunidades que meu irmão teve. Mas nem todas as minhas amigas eram assim. Lembro da minha vizinha de 13 anos na época, que bateu lá em casa achando que estava morrendo, mas ela só estava sangrando pois tinha ficado menstruada. Eu já sabia o que era menstruação muito, muito tempo antes.
Mesmo assim, eu tive a influência da sociedade. Um dia eu também achei que eu era feia, pois eu era alta demais e magra. Já achei que eu tinha que ter um homem do lado para ser feliz, entre outras mil coisas. De qualquer forma, hoje eu vejo que eu já tinha diversos comportamentos feministas, mas a influência do patriarcado era muito forte.
Hoje, as meninas com 15 anos ou menos já sabem que o lugar delas é onde elas quiserem. Lógico que não todas! Mas encontro cada dia mais. Culpa da internet e dos blogs! Ainda bem. (mais…)

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