RELACIONAMENTOS ABUSIVOS

Existem muitas formas de silenciar uma mulher e infelizmente, nem todas elas são tão evidentes ou óbvias, o que dificulta ainda mais a tomada de consciência para uma atitude enfática. Claro, houve alguns avanços no que diz respeito a informação e hoje, pelo menos, temos mais mulheres cientes sobre os sinais de uma relação abusiva, seja para o nosso próprio bem ou para o bem das amigas e estranhas a nossa volta.

Algumas mulheres passaram por relacionamentos abusivos a vida toda, desde o berço (sim, uma criação machista é uma violência) à fase adulta (incluam relações de trabalho nesse quesito também) e reconhecer os sinais desse silenciamento torna-se uma questão de sobrevivência. Como que perdidas na selva, avistando o perigo eminente e entendendo nossa fragilidade, podemos racionalizar o risco e assim ter uma estratégia de enfrentamento. Na nossa selva de pedra, ter a palavra e o conhecimento, principalmente de como e onde buscar ajuda, nos protege um pouco mais dos abusos do patriarcado.

Dito isso, podemos nos ater aos relacionamentos afetivos que se consolidam a partir de uma relação hierárquica velada (ou não). Na tentativa de ser aceitas ou por pura doutrinação mesmo, podemos nos deixar levar para uma relação nociva, que nos gera mais ansiedade e frustração que qualquer outro sentimento positivo associado ao prazer de se ter a companhia daquele cara, que existe, mas não é seu parceiro – parceiro mesmo, amigo, confidente, companheiro das horas boas e ruins. (mais…)

TRAIÇÃO: O COMPROMISSO É DE QUEM?

Relacionamentos vem e vão, mas de certa forma há sempre uma questão comum entre eles: a monogamia. Acontece que na nossa sociedade, por motivos que necessitariam de uma explicação muito aprofundada para discorrer aqui, nos organizamos com o padrão de um relacionamento em pares. Um namoro, noivado ou casamento é constituído de um acordo, tal qual uma sociedade, em que ambas as partes assumem os compromissos e riscos para o bom funcionamento da firma.

Combina-se muita coisa nesse contexto, mas principalmente a fidelidade. Como vocês já devem supor pelo teor da introdução, não raramente observamos deturpações sobre esse tratado. Longe de não entender bem alguma cláusula do contrato (não deixa de ser, né?), alguma parte burla as regras e trai. Mas a traição, quando acontece entre um homem e uma mulher, geralmente costuma sobrecarregar apenas a mulher. Afinal, se o homem trai a esposa,noiva ou namorada, a culpa é da “destruidora de lares”, uma figura feminina representante de todos os defeitos que uma mulher possa ter ou então da própria sócia, coitada, que não soube cuidar bem do seu negócio. Ao homem, lhe cabe o papel de provedor e macho-alfa, sobre o qual disputam as interessadas. Injustamente, o julgamento nos divide como se não fizéssemos parte do mesmo lado: o das enganadas. Ao contrário do que se pensa, muitas vezes nessas situações existem duas mulheres iludidas, que acreditaram em um discurso promissor de relacionamento saudável ou mesmo aventura. (mais…)

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