POR FAVOR, ENTENDA!

Por favor, entenda! Ou simplesmente pare de reproduzir bobagens.

Nos últimos dias, tenho escutado milhares de conceitos e percepções equivocadas sobre o feminismo. Isso cansa, mas entendo que faz parte de uma sociedade que ainda tem muito o que desconstruir.

Vivemos uma era em que todos opinam sobre tudo, a partir da simples leitura de uma manchete. Poucas pessoas se aprofundam e realmente buscam entender sobre um determinado assunto.

E em tempos de assédio, de José Mayer, Juliana Paes e outras figuras que me arrepiaram o cabelo do braço, me sinto na obrigação de explicar aqui algumas coisinhas. Vamos lá?

Partindo o princípio que o feminismo é “um movimento social, político e econômico, que luta pela igualdade dos gêneros”, quem acredita nisso é feminista, certo? Até pode ser, mas acho importante perceber que o movimento é muito mais do que “só” acreditar nisso. É apoiar outras mulheres, além da sua “bolha”, é ser dona da sua vida e saber que você tem valor. É muito mais! Gosto sempre de lembrar das conquistas do passado até aqui para mostrar a importância do feminismo. Voto feminino, direito à educação básica e superior, escolha da profissão, a trabalhar fora de casa, pílula anticoncepcional, divórcio, direito a controlar seu próprio dinheiro, exercer profissões, direitos trabalhistas, usar calças compridas, praticar esportes, entre outros. Direitos que parecem naturais hoje, foram conquistados com muita luta.

Gosto de entender o feminismo como a ordem natural das coisas. A mulher é diferente do homem biologicamente, mas não socialmente. Não há motivos para que ela seja tratada como um ser inferior, que ela não tenha as mesmas oportunidades sociais, políticas e econômicas que os homens. No entanto, por mais que essa seja a minha opinião, a realidade não é essa. As mulheres ainda não ganham os mesmos salários que os homens com a mesma instrução acadêmica, por exemplo. É pior ainda se essa mulher for negra.

E qual o motivo de algumas pessoas acharem que o feminismo não é necessário? É a reprodução de um machismo enraizado durante muitos anos. Um dos grandes influenciadores é a mídia, ao meu ver. Os diferentes meios de comunicação acabam se apropriando de uma parte da militância que vai para a rua e dizendo que o movimento é aquilo ali e reforçando uma série de estereótipos. Eu acho que ir às ruas é essencial em diversos momentos, mas eu prefiro sentar com uma amiga e explicar a ela o bê-a-bá. E isso não me faz achar que aquelas que vão para as ruas estejam erradas. Elas estão certas e eu também. Cada uma atua em uma frente e vai ganhando terreno. E, certamente, as redes sociais também fazem parte disso.

Dois dos casos mais falados das últimas semanas, foram o do assediador José Mayer e o da entrevista da atriz Juliana Paes, que disse que não quer queimar sutiãs, que gosta deles e é feminista de salto e batom. Na verdade, os sutiãs sequer foram queimados, Jú! Eu critico esse posicionamento equivocado, mas também critico nossa mídia machista que pega um discurso raso e faz dele manchete. Queria poder conversar com ela e com outras Julianas que sei que se sentiram representadas! Queria explicar e fazer com que elas entendam que é melhor calar se não tem um domínio do assunto. Ou ir estudar e ler para poder falar.

Quem não quer entender o que verdadeiramente é o movimento, está no seu direito. Ninguém é obrigada a nada, desde que saiba respeitar. Essa é minha luta e, como pudemos ver nos últimos dias, é também a luta de muitas mulheres!

Aproveito para deixar claro, de uma vez por todas (mesmo sabendo que falarei disso muitas vezes ainda) que o feminismo NÃO é o contrário de machismo; assim como não é um movimento que te manda deixar os pêlos da axila crescerem, ou que te impede de usar salto, batom ou outro cosmético que você queira. O feminismo não é contra o casamento, não é contra marido…. Você pode fazer o que você quiser. O feminismo é, na verdade,contra imposições! E dizer isso, pra mim, é tão batido e tão repetitivo que “chega cansa”, mas são afirmações que precisam ser retomadas sempre.

Quem é feminista já sabe: quem tem esse discurso, não sabe NADA de feminsimo.

Então, você não acha melhor procurar saber um pouquinho mais ao invés de sair por aí falando mal sem nem saber do que se trata?

Pense aí, minha gente…

 

Beijos

Paula

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