UMA TIGRESA CHAMADA HELOÁ

Ao ver sua performance no programa X-Factor Brasil, o cantor Di Ferrero disse que Heloá Holanda tinha “uma tigresa dentro de si” e acertou! Ela chegou “enfiando o pé na porta” com sua carinha fofa e alma roqueira, cantando o rock do AC/DC na audição do reality show.

Heloá saiu do programa como finalista e deixou uma excelente impressão na expectadora feminista que vos fala. Na minha opinião, existem excelentes cantoras no Brasil mas poucas têm tanta atitude. No programa, ela mostrou várias facetas e encarnou personagens que agradaram o público. E agora? Como será daqui para frente? Vamos saber isso diretamente dela?
A cantora paulista chegou em  Salvador para cantar com Alinne Rosa no Carnaval e, aproveitando essa oportunidade, topou conversar com o Blog Mulherzinha e nos contar como é estabelecer seu lugar na música brasileira como uma cantora versátil e empoderada.

Blog Mulherzinha – Você chegou no X-Factor cantando um rock pesado. Ficou com receio que as pessoas não aceitassem bem sua escolha?

Heloá Holanda – Não tive receio quanto a não aceitação das pessoas. Escolhi o rock’n’roll porque quis entrar no palco sem pudor, jogar a voz e a alma sem pensar em detalhes da técnica vocal. No final das contas, exagerei, me precipitei, errei, mas estava ali no palco por inteiro e deu certo. Eu me sinto assim cantando rock’n’roll. Não vou mentir que quando o vídeo foi pra internet, o que não era receio virou medo. Sabia o quanto tinha sido ousada e poderia ser julgada negativamente por todos os lados. Mas não foi tão ruim assim e eu aprendi muito com tudo isso. 

BM – Como foi a experiência no programa? Você aconselharia outras pessoas a tentarem?

HH – Sempre tive um certo preconceito com realities, achava que poderia virar fantoche do programa ou da emissora. Mas não foi o que aconteceu quando chegou a minha vez. Minha família e meus amigos me incentivaram muito a participar, me dando todo o apoio durante o programa. A torcida foi grande! E apesar da regra ter sido os jurados escolherem as músicas, a gente não consegue fugir muito do que realmente somos. Daí vem à tona a auto crítica, os altos e baixos emocionais, a pergunta em cima do que realmente somos. Eu descobri que eu era puro orgulho e vaidade por não querer aparecer e ser julgada, por não compartilhar com o mundo o que Deus me deu como dom. Vieram fã clubes, eu apareci, saí do anonimato. Lancei meu primeiro single e hoje, minha maior satisfação é ter pessoas que me acompanham por se identificaram com a minha arte. Por isso eu aconselho de todo o coração: quando me perguntam se vale a pena tentar, eu digo que vale! Não pensa duas vezes e vai! Só não dependa disso pra se projetar, faça a sua parte! Seja você! Não queira o sucesso, queira o progresso! 

BM – Ao longo do programa você passou a imagem de uma mulher forte, dona de si e confiante no seu talento. Você se sente dessa forma?

HH – Tive muitos altos e baixos durante o programa. Posso afirmar que saí de lá mais confiante e muito mais forte mas, no começo, perdia para minha insegurança. Tomei muito ansiolítico pra entrar calma e de cabeça erguida no palco!

BME por falar em “dona de si”. Você se considera feminista? Teve algum episódio que o machismo tentou atrapalhar sua carreira?
HH – Me considero “dona de si”. Comecei a trabalhar cedo e sempre fiz de tudo pra ser independente financeiramente. Vendia trufa do ginásio até o colegial, trabalhei em empresa, fui cantora lead de várias bandas de baile em São Paulo e, apesar dos meus pais sempre me apoiarem e me ajudarem muito em tudo, paguei minha faculdade de produção musical, fiz conservatório e nunca fui de esperar um homem pagar a minha conta. Nesse aspecto profissional e financeiro, sim, sou feminista. Mas confesso que o machismo padronizado na sociedade ainda me atrapalha mais na vida pessoal. Meus pais demoraram a entender algumas consequências que a minha profissão trazia, como vida instável, vida noturna, alma livre, amigos mais velhos. Sofri com meus primeiros relacionamentos também. Difícil aceitar que a sua namorada está sendo o centro das atenções em algum palco de São Paulo, em pleno sábado à noite. Mas isso nunca me impediu de crescer como artista. O tempo passa e hoje eu conquistei meu espaço, moro com um soteropolitano maravilhoso em tudo e que, muitas vezes, é menos machista do que eu mesma. E além disso,  meus pais me acolhem e me entendem como sou. Cheguei à conclusão que uma parte da felicidade é ter pessoas ao redor que te deixam livre pra ser o que você realmente é. Lutar e, principalmente, compreender o pensamento machista é totalmente necessário pra isso e eu não consegui fazer sozinha. Precisamos de ativistas como você, Paula, pra nos alertar que os nossos pensamentos rotineiros podem ser induzidos de um machismo ancestral. E isso machuca.

BM – Você está em Salvador para cantar com Alinne Rosa no Carnaval, na sexta-feira (23), no bloco Chá Rosa. Como está expectativa?

HH – Minha expectativa está a mil! Já puxei um trio elétrico em São Paulo com 40 mil pessoas na Av. Faria Lima, mas tenho certeza que essa experiência vai virar uma gota perto da imensidão que é o carnaval de Salvador. Vou me tremer todinha! Muita gratidão pela oportunidade dessa experiência! Vou realizar um sonho!

BME daqui para a frente? Quais os seus planos?

HH – Em março vou gravar meu primeiro EP de músicas autorais. Espero poder mostrar pra vocês ainda no primeiro semestre. O roteiro do clipe de ‘Nada Mais’ está pronto também e estou com parcerias maravilhosas, que vão me ajudar a viabilizar tudo isso. Minhas expectativas são as maiores possíveis! 

É isso gente!

Vamos ficar de olho nessa cantora incrível. Com certeza vamos ouvir muito falar na tigresa Heloá Holanda.

 

Beijos

Paula

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