ESTRELAS ALÉM DO TEMPO

SINOPSE:
Data de lançamento no Brasil: 2 de fevereiro
Direção: Theodore Melfi
Produtoras: 20th Century Fox, Chernin Entertainment, TSG Entertainment, Levantine Films
Roteiro: Theodore Melfi, Allison Schroeder
Indicações: Prêmio do Sindicato dos Atores: Melhor Elenco / Oscar 2017: Melhor filme, melhor roteiro adaptado e Melhor atriz coadjuvante (Octavia Spencer).

No auge da corrida espacial travada entre Estados Unidos e Rússia durante a Guerra Fria, uma equipe de cientistas da NASA, formada exclusivamente por mulheres afro-americanas, provou ser o elemento crucial que faltava na equação para a vitória dos Estados Unidos, liderando uma das maiores operações tecnológicas registradas na história americana e se tornando verdadeiras heroínas da nação.
———————————————————————————-

NOSSA OPINIÃO:
Estrelas Além do Tempo (“Hidden Figures”, que pode ser traduzido como “Figuras Escondidas”) conta a história REAL de Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe) com atuações incríveis. São mulheres de vida dura, acostumadas com o racismo da época, mas que escolheram não se acomodar e lutaram para criar oportunidades de realizar sonhos (não escrevi “aproveitar” pois ninguém queria dar oportunidades para mulheres negras, especialmente nos anos 60).

Em uma época que não existiam recursos técnicos, as mulheres eram “computadores”, que faziam mil cálculos importantes à mão e dava suporte aos engenheiros da NASA, só que elas tinham que provar de forma muito mais complicada, que eram capazes. Apesar do papo ser sobre mulheres, o foco principal é o racismo. Eu, como branca e privilegiada, aproveito a oportunidade para provocar a reflexão: será que as coisas mudaram mesmo? Apesar de hoje racismo ser crime, ainda vejo por ai e pelas redes sociais pessoas com atitudes piores do que as retratadas no filme. Será que evoluímos?

Começamos conhecendo a história de Katherine desde a infância, o que nos leva a entender o quão brilhante ela é. Depois, ela já está com suas amigas que, logo de cara, mostram que não têm o comportamento “lugar- comum” da época. Mesmo brilhantes, as 3 têm que se dividir entre os afazeres domésticos e a vida profissional super exaustiva (como milhares de mulheres, aliás!). Só que elas trabalham na NASA! Mas mesmo assim, ainda encontram mil barreiras ao longo do caminho. Mary quer ser engenheira mas, apesar de ter diploma em Matemática, ela precisa frequentar um curso em uma escola só para brancos. Dorothy quer ser a coordenadora dos “computadores”, trabalho que ela já faz, mas não ganha por isso. Katherine, nossa protagonista, tem a chance de trabalhar diretamente no Programa Espacial, fazendo os cálculos que levarão o homem ao espaço, mas ela não pode focar no trabalho pois precisa andar 800 metros para ir ao banheiro – Sim! Existiam banheiros para negros e brancos separadamente. Passamos quase 3h de filme vendo o que elas passaram, sofrendo e vibrando a cada conquista.

As mulheres passaram séculos sendo subjugadas e tendo suas conquistas deletadas dos livros de história. FATO. Muitas descobertas e feitos protagonizados por mulheres foram abafados pois homens levaram o crédito. Por essas e outras é importantíssimo termos um filme sobre essa temática. Mulheres negras, em ambiente predominantemente masculino, realizando feitos jamais pensados é uma história imperdível. Elas mudaram os rumos das descobertas americanas no período. Sem elas, o homem não teria chegado à lua.

Fiquei pensando que o caminho teria sido muito mais simples se as pessoas tivessem consciência. No filme, tem momentos que você tem a impressão de que elas só conseguiram algo por conta das “concessões” feitas pelos homens brancos, apesar de que não acho que isso tire o brilho do longa. Alguns brancos podem até ter colaborado, mas atrapalharam MUITO! Mas como foi difícil! Quantas mentes brilhantes não deixaram de ser quem podiam ser por conta do racismo? Quantas mulheres não foram abafadas em suas vocações por conta do machismo?
O longa retrata bem essa época de preconceito e segregação racial, trazendo uma grande reflexão também com os dias atuais e a merecida valorização da mulher no mercado de trabalho, especialmente da mulher negra.

Só sei que também senti orgulho por ser mulher, em ver essas negras empoderadas, que comeram o “pão que o diabo amassou” para provar que eram mais inteligentes do que uma sala cheia de cientista da NASA. Elas me passaram uma sensação de terem a certeza de seus potenciais e, por isso, correram atrás de formas inimagináveis de seus objetivos. Se não existiu o impossível para elas, não pode existir para mim!

Ah, e não posso deixar de avisar que o filme é feminista SIM. Ele passa no teste de Bechedel: Três mulheres protagonistas que conversam entre si sobre algo que não seja homem (conversam sobre matemática, computadores e espaço sideral!). É muito amor envolvido, pessoal!

Com uma trilha sonora massa, assinada por Pharrell Williams, o longa metragem dirigido pelo cineasta Theodore Melfi é um filme imperdível, especialmente se você for mulher.

A estréia nos cinemas brasileiros é dia 2 de fevereiro. Se programe! Dê um jeito, mas não perca!

Nenhum Comentário

Os comentários estão desativados.