TRAIÇÃO: O COMPROMISSO É DE QUEM?

Relacionamentos vem e vão, mas de certa forma há sempre uma questão comum entre eles: a monogamia. Acontece que na nossa sociedade, por motivos que necessitariam de uma explicação muito aprofundada para discorrer aqui, nos organizamos com o padrão de um relacionamento em pares. Um namoro, noivado ou casamento é constituído de um acordo, tal qual uma sociedade, em que ambas as partes assumem os compromissos e riscos para o bom funcionamento da firma.

Combina-se muita coisa nesse contexto, mas principalmente a fidelidade. Como vocês já devem supor pelo teor da introdução, não raramente observamos deturpações sobre esse tratado. Longe de não entender bem alguma cláusula do contrato (não deixa de ser, né?), alguma parte burla as regras e trai. Mas a traição, quando acontece entre um homem e uma mulher, geralmente costuma sobrecarregar apenas a mulher. Afinal, se o homem trai a esposa,noiva ou namorada, a culpa é da “destruidora de lares”, uma figura feminina representante de todos os defeitos que uma mulher possa ter ou então da própria sócia, coitada, que não soube cuidar bem do seu negócio. Ao homem, lhe cabe o papel de provedor e macho-alfa, sobre o qual disputam as interessadas. Injustamente, o julgamento nos divide como se não fizéssemos parte do mesmo lado: o das enganadas. Ao contrário do que se pensa, muitas vezes nessas situações existem duas mulheres iludidas, que acreditaram em um discurso promissor de relacionamento saudável ou mesmo aventura.Então a que se deve essa batalha, considerando que o verdadeiro culpado pela falência da idealização romântica de sentimentos, aquele que não cumpriu o trato – o acordo, o compromisso, o contrato – é o homem? A resposta é que somos tão treinadas a acreditar que precisamos de um homem, que quando conseguimos um tendemos a supervalorizar o relacionamento, por pior que ele seja, e mesmo traídas (e machucadas, enganadas, desiludidas…) optamos por ignorar a responsabilidade do nosso sócio para poder perdoá-lo mais facilmente.

Ao terceirizarmos a culpa para nossa semelhante na esperança de minimizar esses danos, esquecemos de um compromisso que deveria vir muito antes do que esse que firmamos com nosso parceiro. O acordo entre nós e nós mesmas.

Nossa saúde mental depende diretamente da maneira como nos tratamos enquanto mulheres e a forma de lidar com esse tipo de circunstância diz muito sobre como lidamos com nosso eu. Ser traída em algum momento acredito que faça parte, assim como perdoar também. Porém é preciso consciência e sensatez para não transferir responsabilidades, pois quem nos deve satisfações e respostas quando temos uma relação, é a pessoa que escolhemos nos relacionar.

Portanto, não culpe a mulher que por algum motivo fez participação na sua relação, culpe o sistema patriarcal que nos manipula para permanecermos submissas aos seus anseios!

Beijos

Natália Monteiro

@aurora.acf

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