POR FAVOR, ENTENDA!

Por favor, entenda! Ou simplesmente pare de reproduzir bobagens.

Nos últimos dias, tenho escutado milhares de conceitos e percepções equivocadas sobre o feminismo. Isso cansa, mas entendo que faz parte de uma sociedade que ainda tem muito o que desconstruir.

Vivemos uma era em que todos opinam sobre tudo, a partir da simples leitura de uma manchete. Poucas pessoas se aprofundam e realmente buscam entender sobre um determinado assunto.

E em tempos de assédio, de José Mayer, Juliana Paes e outras figuras que me arrepiaram o cabelo do braço, me sinto na obrigação de explicar aqui algumas coisinhas. Vamos lá?

Partindo o princípio que o feminismo é “um movimento social, político e econômico, que luta pela igualdade dos gêneros”, quem acredita nisso é feminista, certo? Até pode ser, mas acho importante perceber que o movimento é muito mais do que “só” acreditar nisso. É apoiar outras mulheres, além da sua “bolha”, é ser dona da sua vida e saber que você tem valor. É muito mais! Gosto sempre de lembrar das conquistas do passado até aqui para mostrar a importância do feminismo. Voto feminino, direito à educação básica e superior, escolha da profissão, a trabalhar fora de casa, pílula anticoncepcional, divórcio, direito a controlar seu próprio dinheiro, exercer profissões, direitos trabalhistas, usar calças compridas, praticar esportes, entre outros. Direitos que parecem naturais hoje, foram conquistados com muita luta. (mais…)

UMA TIGRESA CHAMADA HELOÁ

Ao ver sua performance no programa X-Factor Brasil, o cantor Di Ferrero disse que Heloá Holanda tinha “uma tigresa dentro de si” e acertou! Ela chegou “enfiando o pé na porta” com sua carinha fofa e alma roqueira, cantando o rock do AC/DC na audição do reality show.

Heloá saiu do programa como finalista e deixou uma excelente impressão na expectadora feminista que vos fala. Na minha opinião, existem excelentes cantoras no Brasil mas poucas têm tanta atitude. No programa, ela mostrou várias facetas e encarnou personagens que agradaram o público. E agora? Como será daqui para frente? Vamos saber isso diretamente dela?
A cantora paulista chegou em  Salvador para cantar com Alinne Rosa no Carnaval e, aproveitando essa oportunidade, topou conversar com o Blog Mulherzinha e nos contar como é estabelecer seu lugar na música brasileira como uma cantora versátil e empoderada.

Blog Mulherzinha – Você chegou no X-Factor cantando um rock pesado. Ficou com receio que as pessoas não aceitassem bem sua escolha?

Heloá Holanda – Não tive receio quanto a não aceitação das pessoas. Escolhi o rock’n’roll porque quis entrar no palco sem pudor, jogar a voz e a alma sem pensar em detalhes da técnica vocal. No final das contas, exagerei, me precipitei, errei, mas estava ali no palco por inteiro e deu certo. Eu me sinto assim cantando rock’n’roll. Não vou mentir que quando o vídeo foi pra internet, o que não era receio virou medo. Sabia o quanto tinha sido ousada e poderia ser julgada negativamente por todos os lados. Mas não foi tão ruim assim e eu aprendi muito com tudo isso. 

BM – Como foi a experiência no programa? Você aconselharia outras pessoas a tentarem?

HH – Sempre tive um certo preconceito com realities, achava que poderia virar fantoche do programa ou da emissora. Mas não foi o que aconteceu quando chegou a minha vez. Minha família e meus amigos me incentivaram muito a participar, me dando todo o apoio durante o programa. A torcida foi grande! E apesar da regra ter sido os jurados escolherem as músicas, a gente não consegue fugir muito do que realmente somos. Daí vem à tona a auto crítica, os altos e baixos emocionais, a pergunta em cima do que realmente somos. Eu descobri que eu era puro orgulho e vaidade por não querer aparecer e ser julgada, por não compartilhar com o mundo o que Deus me deu como dom. Vieram fã clubes, eu apareci, saí do anonimato. Lancei meu primeiro single e hoje, minha maior satisfação é ter pessoas que me acompanham por se identificaram com a minha arte. Por isso eu aconselho de todo o coração: quando me perguntam se vale a pena tentar, eu digo que vale! Não pensa duas vezes e vai! Só não dependa disso pra se projetar, faça a sua parte! Seja você! Não queira o sucesso, queira o progresso! 

BM – Ao longo do programa você passou a imagem de uma mulher forte, dona de si e confiante no seu talento. Você se sente dessa forma?

HH – Tive muitos altos e baixos durante o programa. Posso afirmar que saí de lá mais confiante e muito mais forte mas, no começo, perdia para minha insegurança. Tomei muito ansiolítico pra entrar calma e de cabeça erguida no palco!

BME por falar em “dona de si”. Você se considera feminista? Teve algum episódio que o machismo tentou atrapalhar sua carreira?
HH – Me considero “dona de si”. Comecei a trabalhar cedo e sempre fiz de tudo pra ser independente financeiramente. Vendia trufa do ginásio até o colegial, trabalhei em empresa, fui cantora lead de várias bandas de baile em São Paulo e, apesar dos meus pais sempre me apoiarem e me ajudarem muito em tudo, paguei minha faculdade de produção musical, fiz conservatório e nunca fui de esperar um homem pagar a minha conta. Nesse aspecto profissional e financeiro, sim, sou feminista. Mas confesso que o machismo padronizado na sociedade ainda me atrapalha mais na vida pessoal. Meus pais demoraram a entender algumas consequências que a minha profissão trazia, como vida instável, vida noturna, alma livre, amigos mais velhos. Sofri com meus primeiros relacionamentos também. Difícil aceitar que a sua namorada está sendo o centro das atenções em algum palco de São Paulo, em pleno sábado à noite. Mas isso nunca me impediu de crescer como artista. O tempo passa e hoje eu conquistei meu espaço, moro com um soteropolitano maravilhoso em tudo e que, muitas vezes, é menos machista do que eu mesma. E além disso,  meus pais me acolhem e me entendem como sou. Cheguei à conclusão que uma parte da felicidade é ter pessoas ao redor que te deixam livre pra ser o que você realmente é. Lutar e, principalmente, compreender o pensamento machista é totalmente necessário pra isso e eu não consegui fazer sozinha. Precisamos de ativistas como você, Paula, pra nos alertar que os nossos pensamentos rotineiros podem ser induzidos de um machismo ancestral. E isso machuca.

BM – Você está em Salvador para cantar com Alinne Rosa no Carnaval, na sexta-feira (23), no bloco Chá Rosa. Como está expectativa?

HH – Minha expectativa está a mil! Já puxei um trio elétrico em São Paulo com 40 mil pessoas na Av. Faria Lima, mas tenho certeza que essa experiência vai virar uma gota perto da imensidão que é o carnaval de Salvador. Vou me tremer todinha! Muita gratidão pela oportunidade dessa experiência! Vou realizar um sonho!

BME daqui para a frente? Quais os seus planos?

HH – Em março vou gravar meu primeiro EP de músicas autorais. Espero poder mostrar pra vocês ainda no primeiro semestre. O roteiro do clipe de ‘Nada Mais’ está pronto também e estou com parcerias maravilhosas, que vão me ajudar a viabilizar tudo isso. Minhas expectativas são as maiores possíveis! 

É isso gente!

Vamos ficar de olho nessa cantora incrível. Com certeza vamos ouvir muito falar na tigresa Heloá Holanda.

 

Beijos

Paula

ESTRELAS ALÉM DO TEMPO

SINOPSE:
Data de lançamento no Brasil: 2 de fevereiro
Direção: Theodore Melfi
Produtoras: 20th Century Fox, Chernin Entertainment, TSG Entertainment, Levantine Films
Roteiro: Theodore Melfi, Allison Schroeder
Indicações: Prêmio do Sindicato dos Atores: Melhor Elenco / Oscar 2017: Melhor filme, melhor roteiro adaptado e Melhor atriz coadjuvante (Octavia Spencer).

No auge da corrida espacial travada entre Estados Unidos e Rússia durante a Guerra Fria, uma equipe de cientistas da NASA, formada exclusivamente por mulheres afro-americanas, provou ser o elemento crucial que faltava na equação para a vitória dos Estados Unidos, liderando uma das maiores operações tecnológicas registradas na história americana e se tornando verdadeiras heroínas da nação.
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NOSSA OPINIÃO:
Estrelas Além do Tempo (“Hidden Figures”, que pode ser traduzido como “Figuras Escondidas”) conta a história REAL de Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe) com atuações incríveis. São mulheres de vida dura, acostumadas com o racismo da época, mas que escolheram não se acomodar e lutaram para criar oportunidades de realizar sonhos (não escrevi “aproveitar” pois ninguém queria dar oportunidades para mulheres negras, especialmente nos anos 60).

Em uma época que não existiam recursos técnicos, as mulheres eram “computadores”, que faziam mil cálculos importantes à mão e dava suporte aos engenheiros da NASA, só que elas tinham que provar de forma muito mais complicada, que eram capazes. Apesar do papo ser sobre mulheres, o foco principal é o racismo. Eu, como branca e privilegiada, aproveito a oportunidade para provocar a reflexão: será que as coisas mudaram mesmo? Apesar de hoje racismo ser crime, ainda vejo por ai e pelas redes sociais pessoas com atitudes piores do que as retratadas no filme. Será que evoluímos? (mais…)

FEMINISTA SIM!

Quero te explicar uma coisa: uma das minhas principais “missões” desde que me encontrei como feminista é desfazer imagens estereotipadas e conceitos errados que as pessoas têm do movimento.

Tem gente que teve uma “experiência” ruim com uma feminista e fala que “toda feminista é revoltada”. Não, miga. Eu sou feminista e não me considero revoltada. Mas a revolta existe e é um direito de quem quer se revoltar, só que não significa que isso seja uma “política” do movimento. A gente reclama e problematiza sim! Às vezes isso choca, pois as pessoas não estão acostumadas a verem mulheres bradando o que as incomoda – e que muitas vezes é considerado “só uma brincadeira”.

As generalizações são uma merda. (mais…)

RELACIONAMENTOS ABUSIVOS

Existem muitas formas de silenciar uma mulher e infelizmente, nem todas elas são tão evidentes ou óbvias, o que dificulta ainda mais a tomada de consciência para uma atitude enfática. Claro, houve alguns avanços no que diz respeito a informação e hoje, pelo menos, temos mais mulheres cientes sobre os sinais de uma relação abusiva, seja para o nosso próprio bem ou para o bem das amigas e estranhas a nossa volta.

Algumas mulheres passaram por relacionamentos abusivos a vida toda, desde o berço (sim, uma criação machista é uma violência) à fase adulta (incluam relações de trabalho nesse quesito também) e reconhecer os sinais desse silenciamento torna-se uma questão de sobrevivência. Como que perdidas na selva, avistando o perigo eminente e entendendo nossa fragilidade, podemos racionalizar o risco e assim ter uma estratégia de enfrentamento. Na nossa selva de pedra, ter a palavra e o conhecimento, principalmente de como e onde buscar ajuda, nos protege um pouco mais dos abusos do patriarcado.

Dito isso, podemos nos ater aos relacionamentos afetivos que se consolidam a partir de uma relação hierárquica velada (ou não). Na tentativa de ser aceitas ou por pura doutrinação mesmo, podemos nos deixar levar para uma relação nociva, que nos gera mais ansiedade e frustração que qualquer outro sentimento positivo associado ao prazer de se ter a companhia daquele cara, que existe, mas não é seu parceiro – parceiro mesmo, amigo, confidente, companheiro das horas boas e ruins. (mais…)

TRAIÇÃO: O COMPROMISSO É DE QUEM?

Relacionamentos vem e vão, mas de certa forma há sempre uma questão comum entre eles: a monogamia. Acontece que na nossa sociedade, por motivos que necessitariam de uma explicação muito aprofundada para discorrer aqui, nos organizamos com o padrão de um relacionamento em pares. Um namoro, noivado ou casamento é constituído de um acordo, tal qual uma sociedade, em que ambas as partes assumem os compromissos e riscos para o bom funcionamento da firma.

Combina-se muita coisa nesse contexto, mas principalmente a fidelidade. Como vocês já devem supor pelo teor da introdução, não raramente observamos deturpações sobre esse tratado. Longe de não entender bem alguma cláusula do contrato (não deixa de ser, né?), alguma parte burla as regras e trai. Mas a traição, quando acontece entre um homem e uma mulher, geralmente costuma sobrecarregar apenas a mulher. Afinal, se o homem trai a esposa,noiva ou namorada, a culpa é da “destruidora de lares”, uma figura feminina representante de todos os defeitos que uma mulher possa ter ou então da própria sócia, coitada, que não soube cuidar bem do seu negócio. Ao homem, lhe cabe o papel de provedor e macho-alfa, sobre o qual disputam as interessadas. Injustamente, o julgamento nos divide como se não fizéssemos parte do mesmo lado: o das enganadas. Ao contrário do que se pensa, muitas vezes nessas situações existem duas mulheres iludidas, que acreditaram em um discurso promissor de relacionamento saudável ou mesmo aventura. (mais…)

FEMINISMO É COLETIVO!

Desde que me descobri feminista, eu tenho aprendido algo muito importante: pensar no coletivo. Não que antes eu não pensasse, mas você exercitar isso diariamente se torna algo muito maior.
Vou explicar: antes, eu formava minha opinião com base na minha vivência, na opinião das minhas amigas, família e etc. Hoje em dia, não faço mais isso. Expandi, ampliei o radar e, mais importante, exercitei minha empatia com os problemas alheios. Não é que eu não me importasse com as diferenças sociais, os problemas dos outros, nem nada disso. É que “agora” eu penso, me importo, me indigno com a realidade além da minha vida privilegiada {branca, “magra”, cis, hétero, classe média}.  (mais…)

MICROBLADING

Um dos meus sonhos da vida era bem simples: ter sobrancelhas.

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As minhas sempre foram finas, falhadas e clarinhas. Ou seja: praticamente nunca tive. Lembrem-se que eu sei LITERALMENTE o que é NÃO ter sobrancelhas pois tive câncer e fiz quimioterapia.

Minha vida sempre foi comprar lápis, testar sombras e novas formas de preencher. Sempre tive receio de fazer algo definitivo pois as pessoas que eu conhecia que tinham feito, tinham algo escuro acima dos olhos e não era aquilo que eu queria. Tentei fazer de Henna uma vez, a criatura conseguiu acentuar a diferença de altura das duas e eu fiquei com a cara torta.

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Mesmo pintando, nunca deu muito certo

Indicada por uma amiga, descobri a evolução das técnicas de micropigmentação fio a fio das sobrancelhas: o microblading. A Babi Hamaji fez e ficou tão boa, tão natural que não pensei duas vezes em aceitar a indicação dela e foi assim que conheci a @brazilianbrows da Carolina D´Almeida. (mais…)

COLETIVO MINISSAIA: EMPODERAMENTO FEMININO E MODA

O jeito que você se veste é uma forma de expressar o que você pensa e sente. Com isso, acreditamos que a moda é um elemento importante para o empoderamento feminino ao longo do tempo. Lembram da rebeldia das minissaias? Pensando assim, somos super à favor desse mix!

O último sábado (17) foi dia mais uma edição do Coletivo Minissaia no no Shopping Center Lapa. O shopping convidou nosso grupo de bloggers para encerrar sua semana de moda, com uma entrevista super descolada com a jornalista Iga Bastianelli. Eu, Monique Maione, Carla Sandes, Sofia Litzinger, Fernando Santana e o nosso convidado Stefano Diaz, conversamos com Iga sobre sua experiência na África, trabalho nas TV e nas diferentes áreas da comunicação e, claro, empoderamento feminino e feminismo. Foi um bate-papo muito interessante! (mais…)

AS NOVAS GERAÇÕES DO FEMINISMO

É fato: cada dia mais, o feminismo cresce. Com o apoio das redes sociais, o movimento se pulverizou, principalmente entre as adolescentes.
Isso me deixa muito feliz, pois acredito que a vida delas pode ser muito menos sofrida do que a minha foi, por exemplo.
Eu já tive uma mãe que era à frente do seu tempo, empoderada e me criou com as mesmas oportunidades que meu irmão teve. Mas nem todas as minhas amigas eram assim. Lembro da minha vizinha de 13 anos na época, que bateu lá em casa achando que estava morrendo, mas ela só estava sangrando pois tinha ficado menstruada. Eu já sabia o que era menstruação muito, muito tempo antes.
Mesmo assim, eu tive a influência da sociedade. Um dia eu também achei que eu era feia, pois eu era alta demais e magra. Já achei que eu tinha que ter um homem do lado para ser feliz, entre outras mil coisas. De qualquer forma, hoje eu vejo que eu já tinha diversos comportamentos feministas, mas a influência do patriarcado era muito forte.
Hoje, as meninas com 15 anos ou menos já sabem que o lugar delas é onde elas quiserem. Lógico que não todas! Mas encontro cada dia mais. Culpa da internet e dos blogs! Ainda bem. (mais…)

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