Como uma amizade pode sobreviver a lados opostos na política? Duas americanas respondem

Todo mundo tem uma variação dessa história para contar: o grupo de whatsapp da família, de repente, vira uma zona minada porque tia e sobrinho já não controlam mais as indiretas por causa de Bolsonaro e de Jean Wyllys. Mais do que isso, após o baba de domingo, não rola mais aquela resenha com cerveja porque da última vez quase o lateral foi aos socos com o meia esquerda por causa de um comentário a respeito do interrogatório ao ex-presidente Lula. Ou aquele mal estar provocado depois que o estagiário falou que Temer e todos do PMDB eram corruptos, justamente na frente da supervisora, casada com um vereador do partido.

Em tempos de opiniões extremadas nas redes sociais, e de reações inflamadas na vida real, a pergunta é: pode uma amizade sobreviver a lados opostos na política? Duas melhores amigas americanas acreditam que sim e dão dicas para que isso seja possível.

A palestra das amigas está em inglês, ainda sem legendas em português:

Caitlin Quattromani já foi gestora de marketing em empresas como a Amazon. Lauran Arledge é consultora e coaching, também fundadora da Elevate Partners, focada em desenvolver o poder de diálogo de indivíduos e organizações.

Os conflitos entre Caitlin Quattromani e Lauran Arledge começaram na campanha eleitoral para presidente dos Estados Unidos, em 2016. “Pessoas que nós sempre pensamos que eram racionais e inteligentes pareciam verdadeiros estranhos. Nós nos dizíamos, “Como você pode pensar assim? Eu achava você esperto”, disse Lauran na palestra do TED, a organização focada em discutir e difundir ideias e soluções para o planeta.

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As duas se conheceram em 2011 compartilhando da tentativa de deixar os filhos bem ocupados. Caitlin é conservadora de direita, a amiga é democrata convicta. No início do relacionamento, elas decidiram não incluir assuntos delicados sobre política, que pudessem tirar da zona de conforto de uma amizade sem turbulências.

“Para a maioria de nós, conversas sobre política sempre precisam ter um vencedor e um derrotado. Nós partimos para o ataque e geralmente gostamos de expor as fragilidades do argumento alheio. Nós temos a tendência a absorver cada comentário como uma afronta a nossos valores e crenças”, aponta Lauran. “E se mudássemos o modelo de nossas conversas? Se escolhermos o diálogo, em vez do debate? No diálogo, substituímos o ego e o desejo de vencer pela empatia e o desejo de aprender. Em vez de julgamentos, nos mostramos genuinamente interessados nas experiências do outro e nos valores que norteiam”, sugere.

Caitlin reconhece que é muito difícil manter esse tipo de diálogo porque o caminho mais fácil é se sentir emocionalmente afetada. Foi aí que criaram o que chamam de amizade bipartidária. “O que a gente descobriu na amizade bipartidária é a possibilidade que existe no diálogo. Nós decidimos ser genuinamente curiosas sobre as ideias e perspectivas da outra e ouvir sempre que estivermos em desacordo. Colocando de lado ego e ideias preconcebidas, nos abrimos para um aprendizado sem limites“, sustenta Caitlin.

Com o resultado da eleição americana, a vitória de Trump deixou Lauran à beira da desilusão e da revolta. Inesperadamente, recebeu uma mensagem da amiga Caitlin: “Eu sei que essa noite é difícil para vocês. Estamos pensando em vocês. Amo vocês”.

 

Comentário deste blog: não permita que política estrague um relacionamento. Por pior que seja a relação e por melhor que pareça o político, nunca vale a pena. 

 

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“Nós erramos, agora queremos o direito de falar à sociedade”, diz gerente de Conformidade da Odebrecht

“Desde o ano passado, estamos trabalhando intensamente no projeto Odebrecht do Futuro, baseado na convicção da importância da atuação com ética e dignidade nesse país”. A frase é da gerente de conformidade das Organizações Odebrecht, Cristina Lepikson. “Nós erramos e isso é um reconhecimento e é o princípio de nossa jornada de transformação. Qualquer um só muda realmente quando admite o erro e parte para a construção da solução. É isso que estamos fazendo. Erramos e os erros ficam no passado”, reforça.

A executiva, que está na empresa há apenas três anos, diz que, após os escândalos, a holding cumpriu o “direito ao silêncio” e agora quer exercer “o direito de falar à sociedade”. Pode-se dizer que o aprendizado veio, também, pela dor: mais de 100 mil colaboradores tiveram que ser demitidos nas Organizações Odebrecht. No novo capítulo, a corporação sugere que, para reverter o desgaste de imagem, pretende liderar um movimento de compliance no país.

Nós acreditamos que a sociedade não tolera mais comportamento corrupto. Não é só no Brasil, isso é uma transformação mundial. Vivemos num momento de ruptura, é uma inflexão que não tem volta. Acreditamos que a sociedade está pronta e queremos fazer parte desse ciclo e ajudar na reconstrução desse país”, declarou no programa Reunião de Pauta, com transmissão exclusiva pelas redes sociais da Aratu.

Veja o vídeo:

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No dia anterior à entrevista, a executiva fez palestra para mais de 120 pessoas representando 80 empresas fornecedoras do grupo. A proposta é de que não apenas os funcionários da Odebrecht, mas qualquer entidade que mantenha contratos com a holding obedeçam a uma mesma cartilha de princípios. O fornecedor que vai interagir com a empresa e com agente público passará por escrutínio maior, em relação ao terceirizado que cuida de serviço de jardinagem.

Mais de 100 fornecedores convocados pela empresa para ouvirem sobre prática de compliance

A palestra traça um panorama histórico de programas de Conformidade, a partir do escândalo do Watergate, que resultou na deposição do presidente americano Richard Nixon, em 1974. Em 1997, 35 países assinaram a convenção sobre o combate da corrupção de funcionários públicos estrangeiros em transações comerciais internacionais.

“O mundo vem aprendendo com esses escândalos”, diz Lepikson. “A importância de garantir a continuidade da empresa é em função de um ciclo que pode levar à falência toda a sociedade. Pune-se, sim, as empresas e, principalmente, as pessoas, porque são elas que tomam decisões”, reforçou.

Relatórios da comunidade internacional monitoram custos da corrupção pelo mundo. Estes custos são cada vez menos tolerados pelos cidadãos. Muitos dos convidados elogiaram a iniciativa, mas demonstraram ceticismo sobre a prática efetiva, sobretudo, nas relações com agentes públicos. Um dos representantes de uma empreiteira que presta serviço para a Odebrecht chegou a mencionar como poderia se proteger dos insistentes “pedidos de pedágio por políticos”. Cristina Lepikson respondeu usando um exemplo: “A pergunta que tem que ser feita é a seguinte: se esse encontro sair no Jornal Nacional ou na Folha de São Paulo você vai ficar confortável com isso?”

Lepikson sugere a fornecedores que jamais tenham encontros com políticos “em café de aeroporto ou em posto de gasolina”

Como consequência da Lava Jato, muitos executivos foram presos e outros afastados. As Organizações encolheram: no melhor momento, eram 180 mil colaboradores, hoje, são 78 mil. O novo diretor presidente, Luciano Guidolin, está assumindo os conselhos de administração de oito empresas da holding.

Na prática, a corporação quer mostrar ao mercado, e à sociedade, a renovação das lideranças de negócios.  O Orçamento dedicado a conformidade saltou de R$11 milhões, em 2015, para R$65 milhões em 2017, apenas para investimentos internos. O investimento para manter a consultoria externa que monitora e audita não está incluído neste valor.

“Isoladamente talvez não consigamos fazer as mudanças necessárias. O nosso desafio é fazer o empresário começar a buscar o caminho que não é o mais fácil. O custo do erro eu não recomendo a ninguém. Não queiram passar pelo que estamos passando“, sugere Cristina Lepikson.

Mesmo com a avalanche de denúncias e notícias negativas nos últimos dois anos, ela diz que os remanescentes preservam um sentimento de afeto: “o orgulho de pertencer é muito forte”.

 

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Deputado baiano chama exposição do Santander de humilhação à Igreja: “esses filhos do diabo não podem ficar impunes”

O deputado estadual baiano Pastor Sargento Isidório (Avante) divulgou um vídeo condenando e atacando a polêmica exposição QueerMuseu, encerrada no Santander Cultural de Porto Alegre, após quase um mês de intensos protestos nas redes sociais. “Querem transformar a nossa nação em brega. O Santander, Demonioder, Puteiroder, Bregader, Diaboder, não tem direito de humilhar nossa nação. A Igreja Católica, nossa co-irmã, está ofendida, foi vilipendiada. As hóstias que eles usam foram maculadas, botaram lá palavrões escritos cu, pênis, vagina. Escrito em hóstias, desrespeitando a igreja católica”, esbraveja Isidório, que alardeia ter sido homossexual, “convertido”, graças ao envolvimento com a igreja evangélica.

Veja o vídeo:

Isidório foi além, no vídeo divulgado nas próprias redes sociais. “Bandidos! A imagem de um Cristo crucificado com várias mãos e nelas vibradores e objetos sarcásticos. Verdadeiros marginais, bancados com 800 mil reais, dinheiro meu e seu, dinheiro público. Não podemos mais nos calar, é desrespeito à comunidade cristã. Sou pastor evangélico, mas como deputado não posso me calar, esses filhos do diabo não podem ficar impunes. Autoridades brasileiras, tomem uma posição”, cobra o parlamentar baiano, que já foi candidato a prefeito de Salvador, nas eleições 2016.

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ASSISTA AO VIDEO: Moro ordena que Lula chame promotora de “doutora” ou “senhora procuradora”

A exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira foi cancelada após uma onda de protestos nas redes sociais. A maioria se queixava de que algumas das obras promoviam blasfêmia contra símbolos religiosos e também apologia à zoofilia e pedofilia.

A mostra, com curadoria de Gaudêncio Fidelis, reunia 270 trabalhos de 85 artistas que abordavam a temática LGBT, questões de gênero e de diversidade sexual.

 

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ASSISTA AO VIDEO: Moro ordena que Lula chame promotora de “doutora” ou “senhora procuradora”

Ao longo de 2h30 do segundo depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro, chamaram atenção os momentos de tensão e rispidez do réu com uma integrante do Ministério Público.

Em uma das respostas sobre conversas de Paulo Okamoto com funcionário da Odebrecht, Lula usou o termo “querida”. A procuradora solicitou que “o ex-presidente se dirigisse ao membro do Ministério Público pelo tratamento protocolar devido“.

Em seguida, o magistrado tomou a palavra e completou: “Sei que o senhor ex-presidente não tem nenhuma intenção negativa em usar esse termo querida, mas peço que não utilize”. Moro recomendou que fosse chamada de “doutora” ou “senhora procuradora”.

Veja o vídeo:

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Em uma pergunta anterior, o ex-presidente chegou a alterar o tom de voz com a mesma promotora. Ao ser questionado se sabia da troca de emails de Paulo Okamoto para agendar visitas ao imóvel, ele alterou o volume da resposta.

“A senhora não pode ficar perguntando pra mim email de João falando com Maria, se eu sou o Lula“, exclamou Lula, em tom de voz elevado. O político só diminuiu o tom após a intervenção do juiz Sérgio Moro.

Veja o video:

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Em Salvador, Lobão chama Lula de “maior ladrão do mundo” e diz que “axé music tem cheiro de chulé”

Prestes a completar 60 anos, em outubro, o escritor, compositor e músico Lobão não parece disposto a aposentar as tiradas polêmicas. No lançamento do livro Guia Politicamente Incorreto nos anos 80 pelo Rock, na livraria Leitura, do shopping Bela Vista, em Salvador, ele chamou o ex-presidente Lula de “canalha” e disse que seria “o maior ladrão do mundo”.

“O Lula é um canalha por uma questão muito evidente, você vê os crimes que ele está sendo imputado, é um dos maiores criminosos do mundo. Você vai no google e digita: o Lula é o maior ladrão do mundo. Se você acha que isso não é suficiente, porra, é um absurdo”, criticou.

No final dos anos 80, de volta ao Brasil, Lobão chegou a pedir voto para Lula, ao vivo no programa Domingão do Faustão. Após esse episódio, o artista foi praticamente banido de apresentações na Rede Globo.

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Lobão também fez críticas à esquerda: “São monofásicos, autofágicos e sempre culpam o outro pelos erros”.

O artista agradeceu o carinho dos baianos (mais de 150 fizeram fila para receber autógrafos em obras do carioca), mas não poupou a axé music. “Adoro o povo de Salvador, o baiano é muito caloroso, muito afetuoso. A Bahia não merece axé, é uma merda. Veja aí o violão do Recôncavo Baiano, é uma maravilha, a Bahia tem riquezas incríveis. Axé music é uma porcaria. Se axé music cheirasse, cheiraria a chulé com suor“, atacou Lobão.

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Ex-diretor da Veja faz revelação suspeita sobre cena no gabinete do então governador Jaques Wagner

O ex-redator chefe da Veja (cargo mais importante na hierarquia editorial da publicação), Mario Sabino, relatou um episódio controverso e constrangedor, que teria ocorrido no gabinete do então governador da Bahia, Jaques Wagner, em 2007. Segundo ele, passou mais de meia hora aguardando uma audiência, ao lado do deputado Geddel Vieira Lima, quando saiu do escritório uma mulher “exuberante”, de mini saia.

Sabino diz que, na época da reeleição de Lula como presidente, a revista Veja precisava estreitar a relação com o PT, que havia se esgarçado por causa das repetidas manchetes sobre o mensalão. Foi marcado, então, um encontro com o governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, intermediado pelo deputado Geddel Vieira Lima.

A reunião foi agendada como um almoço no gabinete do governador, segundo o relato de Sabino. “Nós ficamos, Geddel na minha frente, e os dois jornalistas (de Veja, cujos nomes não foram mencionados), na ante sala do gabinete. Estava marcado para 13h, e ele recebeu a gente vinte para as duas, tomamos um chá de cadeira. Lá pelas tantas, para dar uma desculpa, Geddel disse que ele estava recebendo o Norberto Odebrecht, por isso que estava atrasando“, contou Sabino, durante edição do programa Reunião de Pauta, do site O Antagonista, exibido pela internet.

Clique e veja o vídeo:

“A gente ficou esperando sair o Odebrecht do gabinete, não saiu nenhum Norberto Odebrecht do gabinete. O que saiu foi uma moça bastante exuberante, de minissaia e salto muito alto, de uma portinha do lado. Ela saiu, deu um tchauzinho pra secretária, e foi embora. Nos olhamos e dissemos: nossa, Norberto Odebrecht está gostosa pra burro“, gargalhou o jornalista, na conversa virtual com os colegas Diogo Mainardi, Felipe Moura Brasil e Cláudio Dantas.

Ele mesmo encaminha o encerramento do episódio. “Entramos no gabinete, estava lá o governador Jaques Wagner, com o cabelo todo molhadinho, parecendo que tinha saído do banho”, insinua Sabino.

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Mario Sabino começou a trabalhar como jornalista no jornal Folha de São Paulo em 1984, na função de editor da seção Livros. Foi editor de Cultura da revista Isto É, e subeditor do Caderno 2, do jornal O Estado de S. Paulo. Na revista Veja, entrou em 1994 e tornou-se redator-chefe em 2004. Foi anunciado, em novembro de 2011, que sairia da Veja no início de 2012, para dedicar-se a outros trabalhos. Desde janeiro de 2015, criou o site O Antagonista junto com o jornalista e escritor Diogo Mainardi.

Jaques Wagner foi governador da Bahia por dois mandatos consecutivos, de 2007 a 2015. Atualmente, é secretário de Desenvolvimento Econômico do estado. A assessoria do político não se pronunciou sobre as declarações do jornalista.

 

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Com baldes, cabos de vassoura e muitos sonhos, jovens do Nordeste de Amaralina chegam ao Rock´n Rio; agora querem o mundo

Tocar percussão é uma arte essencialmente direcionada a vocação e treino. Agora, tocar percussão, pulando, dançando, suando – e sem tirar o sorriso do rosto – é um dom. Foi esse dom que o baiano Marivaldo dos Santos descobriu em 13 jovens do Nordeste de Amaralina para fundar o grupo Quabales.

O instrumentista, compositor e produtor, único brasileiro na trupe do show STOMP, que integra há mais de uma década, devolveu ao bairro onde nasceu uma ação de ressocialização pela música. A base para tudo veio da invenção de Marivaldo, um instrumento de quatro bocas, adaptado de bacurinha, que projeta sons graves ou agudos a depender de onde a baqueta atinja.

No dia 23 de setembro, no palco Sunset do Rock in Rio, a equipe de 13 percussionistas que representam o projeto vai fazer o show Quabales convida Margareth Menezes. “Será mais uma oportunidade para a gente mostrar, internacionalmente, o trabalho que une percussão baiana com linguagem performática do STOMP. É muito voltado ao movimento e bem visual“, considera Marivaldo.

Apresentação exclusiva para o Aratu Online, direto da quadra do projeto, no Nordeste de Amaralina:

O projeto é mais do que apenas musical. “Se o mundo não muda, mudamos nós”, avisa o texto de apresentação na página quabales.com. A parte social se estende a cerca de 50 pessoas atendidas pelas atividades. Há cinco anos, a iniciativa agrega crianças e adolescentes, com aulas de instrumentos, canto, dança. Os mais performáticos passaram a compor a equipe que executa os shows.

A apresentação, inclusive, rendeu a Marivaldo indicação ao Troféu Caymmi 2017, na categoria Direção Artística de Show, junto com Fernanda Mello.

Jovens do Quabales ensaiam na sede do projeto no Nordeste de Amaralina

Para a apresentação do grupo, no dia 23, com participação de Margareth Menezes, sobram ensaios e também muita expectativa. “Chega dezembro, mas não chega setembro”, brinca Tiago Verdelho, sem esconder a ansiedade.

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“Alguns colegas nossos tiveram a oportunidade de conhecer o Quabales, mas, infelizmente, saíram para a criminalidade”, lamenta o percussionista Johnny.

Neste mês de setembro, o grupo lançou o clipe da música Cabeça aos Pés, produto inteiramente produzido no bairro. A música é interpretada por Carol Oliver, um talento do Nordeste de Amaralina, que está com apenas 17 anos.

 

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HOMEM BOMBA: 5 pistas para Palocci ser o mais explosivo delator da Lava Jato até agora

O depoimento de quase duas horas do ex-ministro e réu Antonio Palocci ao juiz Sérgio Moro mostrou as razões de ter munição para a delação premiada mais robusta – e chocante – da história do Brasil. Ao lado do advogado Cristiano Zanin, que representa o ex-presidente Lula, o “Italiano” da planilha de Marcelo Odebrecht confirmou que negocia com o Ministério Público Federal uma delação premiada. Elencamos cinco indícios de que a provável confissão de Palocci será devastadora:

1.Principal arrecadador de campanhas
Antonio Palocci sempre foi considerado, pelos agentes do mercado, o terceiro nome do PT, perdendo em influência apenas para Lula e José Dirceu. No depoimento a Moro, ele assume a posição de arrecadador das principais campanhas presidenciais. Com isso, mantinha interlocução constante com empreiteiras, fundos de pensão, bancos e pode fornecer informações valiosas ao MPF

“No meu relacionamento com a Odebrecht, normalmente, eu pedi recursos para campanhas. Praticamente só atuava em campanhas presidenciais e para campanhas minhas. Na última campanha que eu fiz para deputado federal foi em 2006, eu chequei no TSE se tinha alguma doação legal no meu nome e não tinha. Se não tinha doação legal, eu lhe garanto que teve doação ilegal. Porque a Odebrecht não deixaria de fazer doação para campanha minha. Eu tenho certeza que ela fez doação importante para mim também.”

2. Homem forte do Núcleo Duro

Palocci foi homem forte nos governos de Lula e Dilma. Ministro da Fazenda do primeiro e Ministro da Casa Civil da sucessora, tinha conseguido passar incólume nos escândalos envolvendo o PT até junho de 2011 por suspeitas de enriquecimento ilícito. Terminou preso em 26 de setembro de 2016. Recusara-se a falar tudo o que sabia até receber uma condenação de 12 anos de prisão. Resumindo, ele não é um delator de fora do sistema político. Ao contrário, conhece a copa, a cozinha, os banheiros e os dormitórios dos palácios do Planalto e da Alvorada.

“O Emílio abordou (Odebrecht), no final 2010, não para fazer um acordo, mas para fazer um pacto. Eu chamei de pacto de sangue porque envolvia um presente pessoal, o sítio, envolvia o prédio de um museu, pago pela empresa, envolvia palestras a R$200 mil (fora impostos), e envolvia uma reserva de 300 milhões de reais. O presidente Lula me procurou, eu ficaria surpreso também. Eu não estranhei a surpresa do presidente, mas ele não mandou eu brigar com a Odebrecht, mandou eu recolher os valores.”

3. Enxerga o tabuleiro de cima

Palocci era mais influente e bem informado do que Joesley Batista e Marcelo Odebrecht. Além disso, tinha visão estratégica superior aos diretores da Petrobrás. Como Ministro da Casa Civil, conhecia todo o aparato dos partidos para financiamento de campanhas a partir de obras superfaturadas. O fato de ter sido Ministro da Fazenda deu a ele trânsito livre entre os banqueiros. Uma delação completa de Palocci implica em abalar todo o sistema financeiro.

“A Petrobras valia na posse do presidente Lula 15 bilhões de dólares. Em três anos, devia estar valendo 300 bilhões de dólares. Acho que o Pré Sal foi um dos grandes males pro Brasil. O Pré Sal é uma riqueza e é preciso saber lidar com uma riqueza, porque senão acaba se tornando problema como no nosso caso. Se fez todo tipo de iniciativa, de processo sem controle, de estudo inadequado. E muitos projetos acabaram não saindo do papel. A refinaria Premium I e Premium II, cada uma custou 3 bilhões, e estão no papel. Isso (a corrupção) foi ocorrendo progressivamente na Petrobras. Num determinado momento, o PMDB parou de votar com o governo porque queria a diretoria Internacional. Em 2007, o presidente Lula senta comigo e fala: eu tenho ouvido falar que as diretorias de serviço, internacional e abastecimento estão tendo muito corrupção, é verdade? Eu disse que era. Ele (Lula) perdeu as preocupações e até chegou a recomendar que os diretores fizessem mais reservas partidárias.”

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4. Relação íntima com denunciados

As relações de Palocci com muitos dos denunciados não era simplesmente política ou empresarial: ele tinha acesso íntimo. Por isso, é capaz de falar com a mesma tranquilidade de conversas com Dona Marisa, ou um presidente do Legislativo, ou um executivo de multinacional. Confirma – com detalhes – que Lula era o real proprietário do triplex e do sítio de Atibaia, itens colocados por Emílio Odebrecht em um “pacote de propinas”, na definição de Palocci.
Palocci cumpre prisão preventiva desde setembro de 2016 por ordem de Moro. Ele está detido no Paraná e estaria negociando há meses um acordo de delação premiada com o MPF. Em junho, o ex-ministro foi condenado por Moro em outro processo da Lava Jato 12 anos, dois meses e 20 dias de prisão em regime fechado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

 

5. Despertou fúria dos ex-aliados

As reações ao depoimento de Palocci foram instantâneas, indignadas e vieram de todas as partes. Em vídeo gravado na saída da audiência, o advogado Cristiano Zanin desqualificou as revelações do ex-ministro. “Não tem compromisso com a verdade. É um depoimento apenas para agradar os colaboradores e obter uma delação premiada

Veja o video:

Trecho da Nota de Dilma Rousseff:

O senhor Antonio Palocci falta com a verdade quando aponta o envolvimento de Dilma Rousseff em supostas reuniões de governo para tratar de facilidades à empresa Odebrecht, seja durante o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou no primeiro governo dela. Tais encontros ou tratativas relatadas pelo ex-ministro jamais ocorreram. Relatos de repasses de propinas também são uma mentira.

NOTA DO ADVOGADO CRISTIANO ZANIN
“O depoimento de Palocci é contraditório com outros depoimentos de testemunhas, réus, delatores da Odebrecht e com as provas apresentadas. Preso e sob pressão, Palocci negocia com o MP acordo de delação que exige que se justifiquem acusações falsas e sem provas contra Lula.
Como Léo Pinheiro e Delcídio, Palocci repete papel de validar, sem provas, as acusações do MP para obter redução de pena. Palocci compareceu ato pronto para emitir frases e expressões de efeito, como “pacto de sangue”, esta última anotada em papéis por ele usados na audiência.
Após cumprirem este papel, delações informais de Delcídio e Léo Pinheiro foram desacreditadas, inclusive pelo MP.”

NOTA DO INSTITUTO LULA
A história que Antonio Palocci conta é contraditória com outros depoimentos de testemunhas, réus, delatores da Odebrecht e provas e que só se compreende dentro da situação de um homem preso e condenado em outros processos pelo juiz Sérgio Moro que busca negociar com o Ministério Público e o próprio juiz Moro um acordo de delação premiada que exige que se justifique acusações falsas e sem provas contra o ex-presidente Lula. Palocci repete o papel de réu que não só desiste de se defender como, sem o compromisso de dizer a verdade, valida as acusações do Ministério Público para obter redução de pena e que no processo do tríplex foi de Léo Pinheiro.
A acusação do Ministério Público fala que o terreno teria sido comprado com recursos desviados de contratos da Petrobrás, e só por envolver Petrobrás o caso é julgado no Paraná por Sérgio Moro. Não há nada no processo ou no depoimento de Palocci que confirme isso. Sobre a tal “planilha”, mesmo Palocci diz que era um controle interno do Marcelo Odebrecht e que “acha” que se refere a ele. Ou seja, nem Palocci conhecia a tal planilha, quanto mais Lula.
Palocci falou de uma série de reuniões onde não estava e de outras onde não haveriam testemunhas de suas conversas. Todas falas sem provas.
Marcelo por sua vez diz ter pedido que seu pai contasse para Lula e Emílio negou ter contado isso para Lula.
O réu Glauco da Costa Marques reafirmou em depoimento ser o proprietário do imóvel vizinho ao da residência do ex-presidente e ter contrato de aluguel com a família do ex-presidente, e que está recebendo o aluguel. Uma relação de locador e locatário não se confunde com propriedade oculta.
Processos fora da devida jurisdição com juiz de notória parcialidade, sentenças que não apontam nem ato de corrupção nem benefício recebido, negociações secretas de delação com réus presos que mudam versões de depoimento em busca de acordos com o juízo explicitam cada vez mais que os processos contra o ex-presidente Lula na Operação Lava Jato em Curitiba não obedecem o devido processo legal.
O Instituto Lula reafirma que jamais solicitou ou recebeu qualquer terreno da empresa Odebrecht e jamais teve qualquer outra sede que não o sobrado onde funciona no bairro do Ipiranga em residência adquirida em 1991.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirma que jamais cometeu qualquer ilícito nem antes, nem durante, nem depois de exercer dois mandatos de presidente da República eleito pela população brasileira.

 

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Bunker da Graça: Dinheiro apreendido pela PF é maior do que tudo produzido em um ano de 37 cidades baianas

Os valores que estavam armazenados nos 92 metros quadrados da unidade 201, do residencial José da Silva Azi, na Graça, e foram apreendidos pela Polícia Federal, são maiores do que toda a produção anual em pelo menos 37 municípios baianos.

O levantamento feito por este blog é baseado na tabela do Produto Interno Bruto dos Municípios  em 2014, a mais recente divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

 

A lista com 37 municípios baianos que produziram menos em um ano que o ´bunker´

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Segundo a Polícia Federal, o imóvel é de propriedade do ex-ministro e ex-deputado Geddel Vieira Lima.

Municípios como Elísio Medrado, Pedrão, Macururé, Ichu e Candeal seriam facilmente custeados pelo conteúdo das malas e caixas de papelão.

A maior cidade da lista, Mansidão, tem pouco mais de 13 mil habitantes e fica a 800 quilômetros de Salvador, no extremo oeste do estado. Por ironia, a lista apresenta a cidade de Dom Macedo Costa, onde um dos vizinhos do apartamento, senhor Eduardo Barreto, revelou a este blog que gostaria de se candidatar a prefeito. (Clique aqui e leia a reportagem com vídeo).

 

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Dinheiro apreendido pela PF em imóvel ligado a Geddel equivale a 15 anos de doações ao Martagão

Seriam necessários pelo menos 15 anos de doações acumuladas ao Hospital da Criança Martagão Gesteira para alcançar o volume de dinheiro equivalente ao apreendido nesta terça (5), pela Polícia Federal, no apartamento 201 do edifício José da Silva Azi, na Graça. O imóvel, ligado pela justiça ao ex-deputado baiano Geddel Vieira Lima, abrigava R$51 milhões em cédulas de reais e dólar.

O levantamento feito por este blog tem como base o Balanço Social 2016, publicado pela Liga Álvaro Bahia Contra a Mortalidade Infantil. O relatório apresenta um total de doações (em espécie e mercadorias) de R$3,2 milhões em 2016.

As doações de 2016 foram de R$3,2 milhões, enquanto passaram de R$4 milhões em 2015

Neste montante está incluído o cheque de R$84.396 entregue pelo diretor da Aratu, Tiago Coelho, como doação de parte da renda arrecadada em ingressos no Arraiá do Galinho 2016.

O Martagão Gesteira, administrado pela Liga Álvaro Bahia que também cuida do Hospital Estadual da Criança, é o único exclusivamente pediátrico de Salvador e região metropolitana. A instituição filantrópica com mais 50 anos virou referência no atendimento às mais diversas especialidades pediátricas. Em 2016, foram 282 mil atendimentos ambulatoriais e quase 19 mil cirurgias realizadas.

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As cifras impressionantes e os relevantes serviços sociais não imunizam o Martagão de crises orçamentárias constantes. O hospital tem dificuldade financeira em custear esses serviços e sobrevive às custas de campanhas periódicas. Em 2016, o show Ivete Canta o Amor foi realizado em duas noites e teve renda revertida para a unidade. Os parceiros do Martagão também promoveram Um Dia Pode Mudar Tudo, com o McDia Feliz, Sua Nota é Um Show e jantares e corridas beneficentes.

Atualmente, uma campanha com apoio de famosos pede a atenção do fundador do Facebook, Mark Zuckerberg (#hellomark), para a necessidade de construção de uma unidade de oncologia no hospital. O projeto, que aumentaria em 40% o número de atendimentos, está orçado em R$9 milhões.  A PF não informou quantas malotes de dinheiro seriam suficientes para arrecadar este valor para construção da unidade.

 

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