Algo a mais para se pensar: A Queda une Neymar, Tite e o existencialista francês Albert Camus

Num dos memes mais disseminados após a vitória do Brasil sobre a Costa Rica, por 2×0, o jogador Neymar aparece protegido por um andador gigante, laranja, onde a bola e seu corpo parecem em segurança dos inimigos da vida. Não se sabe se a escolha de um item de fácil associação a um bebê foi imediata e proposital. A redoma que certamente se instalou na mente do jogador não funcionara no primeiro jogo (10 faltas), nem no segundo (quase o mesmo tanto de quedas).

A torcida insatisfeita, os adversários insatisfeitos, o juiz insatisfeito, a mídia internacional qualificando de trapaceiro e até “cry baby”; nada parece ser tão indigno de solidariedade como a dificuldade do camisa 10 em lidar com o próprio centro de gravidade (ou com a gravidade de não estar no eixo). Dificilmente, alguém seria capaz de verbalizar uma defesa a quem, reiteradamente, aos 26 anos, se comporte cobrando a atenção destinada a um lactente.

Algumas defesas – as mais inconscientes – podem ser feitas sem palavras.

Últimos minutos de jogo. Tite corre em puro estado de vibração com um gol. A forma como o treinador comemora é explosão, é incontinência verbal, gestual e física, é reação espontânea de torcedor. É uma… queda. Tite sofreu uma lesão na coxa e passou a andar mancando após o episódio que ficou caracterizado como “o tombo”. Na coleção de reações de torcedor, poderia ter dado um soco forte no ar e sofrer luxação no ombro, poderia ter gritado por um minuto ininterruptamente e arrumado uma inconveniente rouquidão para a coletiva, poderia ter jogado paletó e camisa para arquibancada e encenado a imagem mais insana de todas as Copas.

Ele correu… e caiu.

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Albert Camus, morto em 1960, foi o mais influente existencialista francês do século XX, ao lado de Jean Paul Sartre. Ganhou um Nobel de Literatura, sobretudo pelo livro O Estrangeiro. Em 1956, escreveu A Queda, um monólogo protagonizado por um advogado hedonista, que parece estar em um momento singular de confissão e autoflagelo.

Em determinado momento, o protagonista (reforçando, um advogado, aquele que usa palavras para defender ou acusar) decide eviscerar as hipocrisias humanas e não se contém a respeito dos que se julgam especiais: “Somos todos casos excepcionais. Todos queremos recorrer de qualquer coisa! Cada qual exige ser considerado inocente, a todo custo, mesmo que para isso seja preciso acusar o gênero humano e o céu. Daremos uma alegria medíocre a um homem se lhe elogiarmos os esforços aos quais se tornou inteligente ou generoso”.

Camus foi goleiro do Racing de Argel até os 17 anos, quando uma tuberculose interrompeu o sonho do atleta e inaugurou a veia do escritor. “O que eu sei sobre a moral e as obrigações dos homens devo ao tempo em que joguei futebol”, resumiu certa vez.

Tite só viria a nascer 14 meses após a morte de Camus. Não se sabe se foi influenciado em algo da literatura do francês, esse técnico – aquele que fica sempre à margem do jogo, o de fora, o estrangeiro.

 

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Pense melhor antes de acusar a Alemanha de jogar futebol: pode ser injustiça ao visionário Low

Joachim Low é um gênio. Como é de se esperar, gênios não seguem cartilhas, eles as criam para depois subvertê-las. E a mesma genialidade que fez mal à seleção da Alemanha conseguiu salvá-la no último minuto de jogo, contra a Suécia, nesta Copa do Mundo.

A vitória apertada por 2×1 foi muito mais contundente do que o 7×1 no Brasil, considerado por muitos como resultado do que se chamou “dez minutos de apagão”, com quatro gols. Após aquele episódio, os adversários aprenderam que nenhum blecaute mental fica impune diante dos campeões do mundo. Todos entram em campo tão ligados, com a concentração e o foco faiscando em cada bola cortada para a lateral, ou cada cobertura de um cruzamento na área.

Aos 58 anos, Low é um dos profissionais do futebol (entre os que não entram em campo) melhor remunerados no planeta. Ganha 4 milhões de euros por ano (equivalente a 16 milhões de reais). Para efeito de comparação, o executivo mais bem pago do Japão é o franco-brasileiro Carlos Ghosn, presidente da Nissan, que embolsou, em 2014, 21 milhões de reais. Low está equiparado a um alto executivo de multinacional.

Esqueça a imagem caricata do treinador que entrega camisas aos titulares no vestiário, define os cobradores de falta e concede entrevistas informando se autoriza ou não sexo durante as competições. Os técnicos do futebol profissional moderno se inspiram em histórias de CEOs e nas mais avançadas estratégias de gestão para comandar suas mini corporações de 80 a 140 colaboradores.

A imprensa esportiva, míope como sempre, costuma enxergar Low como um excêntrico cheirador de bolinhas de muco do nariz ou das partes íntimas, emoldurado com um cabelo que parece saído de um filme do Sgt Peppers. O quinto beatle é um grande técnico sem nunca ter sido um grande jogador. É apontado na Alemanha como “revolucionário”.

Um dos (muitos) flagrantes de Low e seus odores inapropriados

 

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Depois de ser assistente por dois anos, assumiu a função principal em 2006, após a equipe ter sido terceiro lugar, em casa. Reformulou totalmente o conceito de trabalho, investindo nas divisões de base. Se ele desistir hoje, ao final da Copa, e ninguém talentoso assumir, é garantido que a Alemanha terá boas equipes até o Mundial de 2026, pelo menos.

Com dez minutos da partida, a Suécia tinha dado 6 passes, enquanto os germânicos tocaram 122 vezes a bola. Cento e vinte duas vezes! Se as grandes seleções praticam o bom futebol, a Alemanha joga outra coisa. Nesse ponto, melhor comparar Low a Beethoven, o compositor, deixando que os maestros sejam aqueles em campo (o quase infalível Kroos, o múltiplo Neuer e o obelisco Boateng, o intransponível). Por que ele é um gênio que prejudicou a Alemanha?

Aos 24 minutos, com ampla vantagem tática e técnica, o meio-de-campo Rudy sai de campo com o nariz sangrando e suspeita de fratura. O óbvio é a substituição imediata, ninguém quer ficar com um atleta escoriado em campo e, pior ainda, passar momentos com um a menos. Low diz à equipe médica para usarem o tempo necessário para imobilizar e recuperar o jogador. Passam-se longos sete minutos para concluírem pela substituição, período suficiente para a Suécia transformar superioridade numérica em gol, em cima de uma rara falha de Tony Kroos.

A vitória parcial da Suécia não tinha qualquer amparo estatístico. No primeiro tempo, Alemanha ficou 73% com a bola sob seus domínios.

Muito da solidariedade aos alemães não vem do que tradicionalmente se chama carisma. Não surge pelo jeito descontraído que eles tocam pagode, ou por alguma comemoração de gol coreografada, nem mesmo por eles terem algum tipo de encanto tropical. É muito mais uma admiração pela ética, pela dedicação e pela eficiência.

Sabe-se já muito sobre os institutos e universidades que promovem cursos sobre ética (nos negócios, nos relacionamentos, no esporte, na ciência) na Alemanha. Agora, precisa-se estudar como isso reverbera em exemplo no planeta.

Nas arquibancadas, isso parece surgir como uma reverência. Onze que entram em campo recebendo o máximo respeito. Com um jogador a menos a poucos minutos do fim da partida, o que se esperaria do óbvio era uma solução conservadora, uma tentativa de sustentar um empate. Low coloca mais um atacante, desafia a si mesmo, coloca o cargo em risco, beija os lábios da musa das eliminações prematuras. O resto virou epopeia.

 

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O que é justiça, o que é verdade? As questões da série The Staircase vão além do Judiciário para a vida

Em determinado momento, exausto, o protagonista da série documental The Staircase, Michael Peterson, se pergunta se enxerga algum sentido na vida. Como um Albert Camus com menos metáforas, mas com oito anos de prisão, ele considera que se trate apenas de uma sucessão de fatos: “São coisas que acontecem: uma porta se fecha, você está lá e só… Não posso explicar a vida, não sei do que se trata tudo isso. Parece tudo aleatório.

Veterano do Vietnã, Peterson virou romancista e mantinha uma vida exemplar com a família, até dezembro de 2001, quando disse à polícia ter encontrado a segunda esposa, Kathleen, morta ao pé da escada de casa, em uma poça de sangue, após terem jantado e bebido vinho.  Nos 16 anos seguintes, o tema vira obsessão para o cineasta francês Jean-Xavier de Lestrade. Ele estudou Jornalismo e Direito antes de criar uma agência de notícias para televisão. Ganhou o Oscar de Melhor Documentário de Longa Metragem, em 2002, por Assassinato Numa Manhã de Domingo.

O resultado deste trabalho está nos 13 episódios, com pouco mais de 45 minutos cada um, de The Staircase, disponível em Netflix. A perícia está desenhada na forma de contar uma história. Há tantas reviravoltas na narrativa que é possível imaginar não se tratar de realidade. Só que a vida sempre pode ser mais surpreendente que a ficção, pois esta precisa manter o compromisso com a coerência interna. Já a vida, esta não precisa de compromisso com nada.

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A impressão é de que, para o bem ou para o mal, até mesmo um julgamento em primeira instância, nos EUA, se desenvolve com exímios profissionais. Traz à tona o nível de preparo, que não aparece sequer na investigação da Lava Jato, o processo jurídico mais importante em curso no Brasil. O que fica claro que é a defesa e, sobretudo, a promotoria estão integralmente mergulhadas em provar seus pontos de vista, empenhando toda a energia e conhecimento acumulados nisso. Bem diferente das falhas e acertos da Lava Jato.

Na justiça americana, não existe o binômio culpado/inocente, mas guilty/not-guilty. Talvez seja impossível determinar a inocência de alguém. The Staircase mostra a complexidade do sistema judiciário americano. The Staircase expõe a complexidade da aventura humana.

O caso da escada fala sobre culpabilidade e sobre absolvição. Acima de tudo, fala sobre certezas: melhor nunca tê-las.

 

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EXCLUSIVO! Alckmin diz que conversa com FHC toda semana e ataca Bolsonaro: “8x deputado e nunca fez nada”

Ao final de uma entrevista, o deputado federal e pré-candidato ao governo da Bahia, João Gualberto (PSDB), despede-se da equipe de reportagem e cumprimenta o cinegrafista Rhamidfan Cardoso, da Aratu, que ostenta um crânio completamente livre de pelos: “Tchau, careca”. No mesmo ambiente, o pré-candidato a presidente da República, Geraldo Alckmin, faz uma cara de surpresa, esboça um meio riso nos lábios e segue com a comitiva local para receber o título de cidadão baiano na Assembleia Legislativa.

O ex-governador de São Paulo não reclama, não faz piada, não emite qualquer comentário sobre a calvície alheia. O jeito comedido, para uns, é sinal de cordialidade e serenidade. Para outros, é apontado como discrição demais, o que prejudicaria na campanha. “Sou contra esses radicalismos, tanto de esquerda, quanto de direita. Isso não é caminho, é descaminho”, pondera ele, que aparece entre 4% e 12% nas pesquisas eleitorais.

“Nesse momento, em São Paulo, Celso Russomano tinha 32% e a senador Marta Suplicy mais de 20%, o candidato do PT, Haddad, tinha 7%, e o Dória tinha 5%. Dória ganhou no primeiro turno e Haddad teve mais de 20%”, diz ele, para minimizar a força das consultas nesse momento.

O ex-governador também desmente supostas insatisfações de Fernando Henrique Cardoso. Notícias especularam que FHC tentava um acordo com Marina Silva para Alckmin ser o vice, pelo fato de não deslanchar nas pesquisas. “Converso com FHC praticamente toda semana. Está nos ajudando muito, até tentando acertar apoio de outros partidos”.

Nesta fase da pré-campanha, Alckmin concentra a artilharia contra Jair Bolsonaro, o presidenciável que mais pontua, atrás de Lula. “O Bolsonaro, oito vezes deputado federal, não tem nenhum projeto. Os votos todos foram por corporativismo puro”. Outra crítica é quando insinua que todas as propostas de Bolsonaro se resumem a armar a população. “Você não vai criar emprego para o povo à bala. Você não vai fazer UTI, leito de hospital à bala.”

Segurança pública é um dos temas favoritos no discurso. O estado de São Paulo caiu de mais de 13 mil homicídios no ano para pouco mais de 3 mil, alcançando uma das menores taxas de crimes letais do país. “Nós salvamos 10 mil vidas por ano. O Brasil teve 62 mil homicídios, em 2016. A solução é polícia na rua bem treinada, integração, ação no território, premiação, com metas a atingir. Atingiu a meta tem bonificação, investigação, bom sistema prisional.”

Na entrevista exclusiva ao programa Linha de Frente, da Aratu e do Aratu Online, ele rebateu declarações de Guilherme Boulos de que teria dialogado com facções criminosas para diminuir estatísticas. “Declaração ridícula. Não se faz acordo com o crime, crime se enfrenta. São Paulo nós temos prisão de segurança máxima é isolamento completo. Desculpa de quem não sabe governar e nem administrar”.

Perguntado se o deputado baiano Antonio Imbassahy errou ao defender o governo de Temer até o final, Alckmin mudou de assunto. Agiu com a diplomacia conhecida de Alckmin. Seja a diplomacia conhecida pelo lado positivo, ou pelo negativo.

Veja a entrevista completa:

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SEGURANÇA PÚBLICA

Pra mim, é uma honra receber título de cidadão baiano. Na capital paulista, tem mais gente nascida na Bahia do que em São Paulo. Eu diria que hoje o grande desafio é segurança pública. Emprego é importantíssimo, saúde e segurança. Nós tivemos um ganho espetacular. Tínhamos 13 mil assassinatos por ano e reduzimos para 3503 no ano passado. A taxa é de 8,02 homicídios por 100 mil habitantes, a menor do país. Nós salvamos 10 mil vidas por ano. Quem morre são os mais jovens, mais pobres, uma tristeza muito grande, uma verdadeira guerra civil. O Brasil teve 62 mil homicídios, em 2016. A solução é polícia na rua bem treinada, integração, ação no território, premiação, com metas a atingir. Atingiu a meta tem bonificação, investigação, bom sistema prisional. Pretendo, como pré candidato à presidência, priorizar segurança pública, na questão de fronteiras, combate ao crime organizado, lavagem de dinheiro. Nós vamos criar uma guarda nacional permanente para ajudar os estados a salvar vidas.

 

PCC

Não se faz acordo com o crime, crime se enfrenta. Em São Paulo nós temos permanentemente enfrentamento. Temos penitenciária de segurança máxima, isolamento completo. Quando Lula era presidente e o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, o governo federal não tinha nenhum presídio de segurança máxima. Ele pediu para que nós mantivéssemos o Fernandinho Beira-Mar por 30 dias. Eu falei: não tem problema. Era para ficar 30 dias, ficou dois anos. Sumiu, ninguém nem ouviu falar de Fernandinho Beira-Mar. Só saiu porque a justiça determinou. Isso é desculpa de quem não sabe governar e não quer reconhecer que é possível reduzir indicador de criminalidade.

 

LULA, PT E PESQUISAS

Quando você faz uma pesquisa antes do horário eleitoral, ninguém sabe quem são os candidatos e o interesse é baixo. Ainda vai começar o horário da televisão e do rádio, 31 de agosto. É muito recall, não tem ninguém mais conhecido e nem mais lembrado do que Lula. A gente ainda não deve se impressionar muito com pesquisa. Nesse momento, em São Paulo, Celso Russomano tinha 32% e a senador Marta Suplicy mais de 20%, o candidato do PT, Haddad, tinha 7%, e o Dória tinha 5%. Dória ganhou no primeiro turno e Haddad teve mais de 20%.

 

PRIORIDADES

Eu sou contra esses radicalismos de esquerda ou de direita. Isso não é caminho, é descaminho. Nossa prioridade é emprego, emprego, emprego… temos 13 milhões de desempregados. E mais 7 milhões no chamado desalento. Precisamos de um grande programa de obras, rodovia, ferrovia, aeroportos, saneamento básico. Revitalizar o rio São Francisco, a safra de grãos, agricultura, pecuária, ou seja, fazer a economia se fortalecer.

 

CRÍTICAS A BOLSONARO

O Bolsonaro, oito vezes deputado federal, não tem nenhum projeto. Os votos todos foram por corporativismo puro. Aliás, muito parecido com o padrão do PT. Vota junto com o PT. É desastre, não tem a menor condição de dar certo. O caminho é o da eficiência, da competitividade, do emprego e da renda. Uma coisa é falar, outra coisa é fazer. Nós, na segurança pública, saímos de 13 mil assassinatos para 3 mil. Não é discurso, é trabalho. Você não vai criar emprego para o jovem à bala. Você não vai oferecer creche à bala. Você não vai fazer UTI, leito de hospital à bala. Não é dessa forma, é convencimento, é trabalho.

 

GOVERNO TEMER

Lá atrás, eu defendi que as medidas de interesse do governo e necessárias para o país, a gente deveria votar. Sem participar do governo. Nas democracias modernas, é muito comum isso. Mas não precisamos participar de governo, então, fui contra. Mas essa foi a decisão da maioria. Hoje, não temos praticamente mais ninguém no governo, a não ser o (senador) Aloysio Nunes, mas que tem um cargo de estado, não é candidato a nada. Temos que olhar para o futuro, o que está em jogo não é legado de ninguém. Qual o Brasil que a gente quer para a frente? Melhorar educação básica, porque isso traz ganho na agenda brasileira. Confiança para trazer investimento para o Brasil.

 

OESTE DA BAHIA

O oeste da Bahia é um dos mais dinâmicos pólos do agronegócio do Brasil: soja, algodão, fruticultura, pecuária de elite, um negócio belíssimo.

 

PRIVATIZAÇÃO DAS ESTATAIS

O que dizia o PT pra mentir para a população? O Geraldo Alckmin quer privatizar o Banco do Brasil. Não, não vou privatizar. O que eu quero fazer é trazer mais bancos para diversificar. O sistema bancário brasileiro está muito concentrado, tem pouco banco, por isso, nós pagamos o quarto maior juro do mundo. O spread brasileiro é quatro vezes maior do que o mundial. A gente precisa desregular a competição para ter custo de dinheiro mais barato. Eu não vou privatizar a Petrobras, a parte de pesquisa, prospecção, e produção de petróleo, principalmente em águas profundas, a Petrobrás é campeã… o que eu vou fazer é acabar com o monopólio do refino, que não tem nenhuma razão.

 

RELAÇÃO COM FHC

Fernando Henrique, eu converso com ele praticamente toda semana. Está nos ajudando muito, até tentando acertar apoio de outros partidos. Acho que vamos ter bons palanques nos estados. Vamos ter um bom tempo de televisão. A campanha vai começar mesmo em setembro, é curta, mas de chegada, e super importante.

 

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EXCLUSIVO! Guilherme Boulos: “Lula foi econômico ao falar em 300 picaretas, o Congresso tem uns 420”

Guilherme Boulos é formado em filosofia e psicanálise e sabe que a comunicação vai muito além das frases que enuncia para o público. Utiliza cada momento de entrevista como uma chance de marcar o posicionamento – não apenas o ideológico. A postura é firme ao falar, a entonação é vibrante, quer transmitir energia. E também, talvez mais do que tudo, quer deixar claro que não pretende nenhuma trégua ao status quo.

O cartão de visitas do mais jovem pré-candidato na disputa tem frases capazes de enrubescer até o mais inflamado dos socialistas atuais: “Esse sistema político, essa forma de fazer política não nos representa. Representa a 1% de oligarquias, de donos de bancos, que sequestraram o estado brasileiro”; “Se ganharmos as eleições, vamos convocar um plebiscito capaz de revogar as medidas desastrosas tomadas por esse governo Temer”; “Esse mercado já mandou demais no Brasil. Estou preocupado com o que a maioria do povo brasileiro quer. Não vamos governar para 1%, vamos governar para 99%.”

O pré-candidato do Partido Socialismo e Liberdade integra a coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, ao qual ingressou em 2002. Durante a Copa do Mundo de 2014, teve notoriedade nacional ao participar de mobilizações e protestos. Recentemente, nos dias que antecederam à prisão de Lula, Boulos ficou no centro das atenções, junto com a comunista Manuela D´ávila, por sempre aparecer próximo ao ex-presidente durante as vigílias no sindicato dos metalúrgicos do ABC.

Mesmo assim, ele demonstra uma discordância com o petista. “Já tive oportunidade de fazer as críticas ao ex-presidente Lula, de forma transparente, em inúmeras oportunidades. Tenho o maior respeito por ele, e acho que ele está sofrendo uma sacanagem, uma condenação sem provas, uma prisão política. Agora, temos críticas, ele precisava ter enfrentado o privilégio dessa turma, sim. O mercado vive de privilégios.”

A outra divergência é numérica: Boulos discorda dos “300 picaretas com anel de doutor” do Congresso, uma frase de Lula que ficou notória ao integrar a letra de uma música do Paralamas do Sucesso. “Acho que naquela época o Lula foi até econômico. Hoje tem uns 400, pelo menos, 420, temos que refazer os cálculos para chegar exatamente a esse número”. Atualmente, o Congresso Nacional conta com 594 parlamentares, sendo 513 deputados e 81 senadores.

Por uma questão de meses, Boulos estaria impedido da candidatura. Isto porque a legislação eleitoral só autoriza candidatos à Presidência acima de 35 anos. Ele completa 36, em 19 de junho, e gosta de se apresentar como o mais jovem pré-candidato a presidente da história.

 

Veja a entrevista completa aqui:

 

DESCONHECIMENTO PELO ELEITOR

Hoje, no Brasil, pra quem quer fazer política de outro jeito você não ter um índice de conhecimento como alguns políticos não é fundamental. Eu prefiro ser conhecido só por 17% do que ter taxa de 99% de conhecimento, como o Temer, e ser rejeitado por 98%. Nós vamos ter oportunidade de apresentar nossas propostas pelas andanças no país afora. Vamos poder conhecer a realidade, escutar o povo, e falar com propriedade sobre o que eles querem.

 

INSATISFAÇÃO GERAL

Essas mesmas pesquisas estão mostrando que praticamente metade do eleitorado brasileiro quer votar branco, nulo, ou não sabe em quem vai votar. O povo brasileiro está profundamento indignado com esse sistema político. Há uma crise de representação: há um verdadeiro abismo entre o poder de Brasília e o Brasil real. E vamos combinar que o povo tem suas razões para não se sentir representado. Essa forma de fazer política representa 1% de oligarquias, de banqueiros, de grandes interesses econômicos que sequestraram o estado brasileiro.

 

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BIG BROTHER POLÍTICO

O Brasil não tem que seguir modelo, o Brasil tem que andar com as próprias pernas. Nós temos países como Uruguai, Suíça e Austrália, que estimularam algo que nós precisamos adotar aqui: modelo de democracia direta e participativa. Não pode ser você apertar botão a cada quatro anos e acabou. Senão, vira igual àquele programa Big Brother, que você escolhe quem sai ou quem fica na casa, mas não vota o que acontece na casa. O brasileiro quer decidir o que acontece na casa. Para isso, temos plebiscito, referendo, que o povo possa participar da democracia não apenas a cada quatro anos.

 

REFORMAS DE TEMER

Se nós ganharmos essas eleições, no dia 1° de janeiro de 2019, nós vamos chamar o Congresso para convocar um plebiscito capaz de revogar as medidas desastrosas tomadas por esse governo Temer que em dois anos fez o Brasil andar 50 anos para trás.

 

ANTI-MERCADO

O mercado já falou e já mandou demais. Está na hora de ouvir o povo. O mercado é o dono do Bradesco, dono do Itaú, dono do Santander, que cobram juros exorbitantes, são os grandes fundos financeiros que especulam com o dinheiro aqui para mandar tudo lá para fora. Esse mercado já mandou demais no Brasil. Estou preocupado com o que a maioria do povo brasileiro quer. Não vamos governar para 1%, vamos governar para 99%.

 

REFORMA TRIBUTÁRIA

Já tive oportunidade de fazer as críticas ao ex-presidente Lula transparente, em inúmeras oportunidades. Tenho o maior respeito por ele, e acho que ele está sofrendo uma sacanagem, uma condenação sem provas, uma prisão política. Agora, temos críticas, ele precisava ter enfrentado o privilégio dessa turma, sim. O mercado vive de privilégios. O estado brasileiro é um Robin Hood ao contrário: tira dos pobres ou classe média, por um sistema tributário injusto, e dá aos ricos, por uma taxa de juros muito acima do justificável. Nós vamos fazer uma reforma tributária para que quem tem mais pague mais. Vou dar um exemplo curto e grosso: quem tem carro, paga IPVA todo ano; quem tem jatinho, helicóptero, iate, não paga um real de imposto. Então, vamos tirar de quem tem. Basta do povo pagar sempre, está na hora do andar de cima pagar a conta.

 

A DIREITA BRASILEIRA

A direita no Brasil hoje é porrada, xingamento na internet e ameaça. Quem dá o tom da extrema direita é um cidadão igual a Jair Bolsonaro. Daí, você já tira a média. É muito difícil encontrar interlocutores de direita no Brasil, em torno de ideias, não em torno de xingamentos ou pancadas, como tem sido feito. Nós temos uma prática de direita que está descambando para a barbárie. O que começou como xingamento no facebook virou tiro, matou a Mariele no Rio de Janeiro.

 

PARLAMENTARISMO, NÃO

O parlamentarismo, no meu ponto de vista, não é o caminho. Se nós tivéssemos o parlamentarismo no Brasil, três anos atrás, o primeiro ministro seria o Eduardo Cunha. Sobre o parlamento brasileiro, nós precisamos mudar as regras de eleição. Esperamos que tenha uma renovação parlamentar significativa, porque temos o Congresso desmoralizado. Mas as regras são muito desiguais, favorecem quem tem mais dinheiro e fortes financiadores de campanha eleitoral. Quem recebe esse financiamento defende o interesse não do eleitor, mas do financiador. E formam verdadeiras máfias no Congresso Nacional.  Tentaram por diversas vezes impor o parlamentarismo no Brasil. O povo rejeitou o parlamentarismo. Agora. volta esse debate pela porta dos fundos do STF, de uma maneira sorrateira, com o ministro Alexandre de Morais, articulado com Gilmar Mendes, articulado com Temer. Isso tem que ser combatido como mais um ataque democrático no Brasil.

 

400 PICARETAS

Acho que naquela época o Lula foi até econômico quando disse que eram 300 picaretas. Acho que hoje tem uns 400, pelo menos, 420, temos que refazer os cálculos para chegar exatamente a esse número.

 

TAXAÇÃO DE FORTUNAS

A lei tem que ser seguida, mas uma lei que careça de legitimidade tem que ter uma movimentação da sociedade para ser alterada. Lei que favorece rico no Brasil pega. Dou um exemplo da área urbana, da moradia, do estatuto das cidades, que prevê desapropriação de áreas para imóveis sociais, é uma lei federal, que até hoje ainda não foi feita. Vamos começar a fazer cumprir o que já tem de lei em favor da sociedade. Taxação de grandes fortunas está na Constituição também. Uma série de leis que poderiam beneficiar as comunidades mais pobres.

 

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